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Saúde da Comunicação: Vanessa Pedrosa

Por que a voz demora mais para se recuperar do que a doença?

O afastamento de Diogo Nogueira dos palcos chama atenção para um aspecto pouco conhecido da saúde vocal: a recuperação da voz pode levar mais tempo do que a cura da infecção

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O cantor Diogo Nogueira, que enfrentou uma laringite Reprodução/Creative Commons/Gabriel Jabur

No mês de maio, o cantor Diogo Nogueira anunciou o afastamento temporário dos palcos durante sua turnê Infinito Samba por causa de uma laringite. Agora, pela terceira vez, anunciou novamente seu afastamento e retorno somente em agosto.

Se você está aí pensando que isso só acontece com cantores, se enganou. Pode acontecer com você também. A laringe é muito sensível e precisa de cuidados específicos. Sinais de rouquidão persistentes exigem atenção, avaliação, diagnóstico e tratamento.


Candidíase na laringe não é a mesma candidíase que o público conhece

Muitas pessoas associam candidíase apenas à região genital. O fungo “Candida” faz parte da microbiota humana e pode se manifestar em diferentes locais quando há desequilíbrio orgânico ou queda importante da imunidade. No caso dele, a infecção atingiu a região responsável pela produção da voz.

O desgaste físico e emocional de uma turnê (ensaios, shows, entrevistas, viagens, pressão emocional) reduz a capacidade de recuperação do corpo, favorecendo processos inflamatórios e aumentando o risco de infecções, especialmente em profissionais que dependem da voz para trabalhar.


Na candidíase laríngea, a recuperação não termina quando o fungo é eliminado. Durante a infecção, a mucosa que recobre as pregas vocais fica inflamada, podendo apresentar inchaço, vermelhidão e alterações na vibração.

O tecido das pregas vocais precisa de tempo para recuperar sua flexibilidade, sua capacidade de absorver impacto e sua vibração fina e regular. É por isso que a rouquidão persiste.


Recuperação

No caso de cantores, a recuperação costuma exigir ainda mais cuidado. As pregas vocais funcionam como um instrumento de alta precisão e qualquer edema residual pode alterar a qualidade vocal.

Durante esse período, a voz frequentemente readquire a resistência de forma gradual: primeiro melhora a fala do dia a dia e, por fim, recuperam a extensão vocal, potência e controle fino da emissão. Retornar precocemente à atividade intensa pode prolongar o processo de recuperação, porque a mucosa ainda está mais sensível ao impacto e ao atrito produzidos pela vibração das pregas vocais.


No caso relatado pelo Diogo Nogueira, ele informou que as pregas vocais já estavam sem lesões aparentes, mas ainda apresentavam inchaço e rigidez, o que ajuda a entender por que a recuperação da voz pode ser mais lenta do que a recuperação da doença em si.

Se a voz ainda não está funcionando normalmente, o cantor costuma precisar fazer mais esforço para alcançar potência, volume e desempenho. O resultado pode ser fadiga vocal, piora da rouquidão e maior sobrecarga das pregas vocais.

Eu tenho um olhar muito amplo para os profissionais da voz que acompanho. Minha conduta clínica é sempre me questionar: se esse profissional perde a voz, eu estou diante de um problema apenas das pregas vocais ou de um organismo inteiro que está pedindo recuperação?

A resposta a essa pergunta vai definir quais condutas vamos tomar e se precisamos de uma abordagem multidisciplinar.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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