Algo a declarar?
Até onde sei|Marcio Zebini

Agora existe um ritual diferente de manobristas ao verificarem nosso carro antes de assumirem o controle do bólido. Eles dão a volta completa pelo veículo e em dados momentos levantam o braço para o manobra-boss, que fica no púlpito supervisionando a parada toda.
E não dá pra entender muito bem o procedimento. Quando eles levantam a mão, ta tudo bem? Ou foi porque acharam um ovinho na lataria, um risco, um amassado, uma cagada de pomba?
De qualquer forma, quem tem que ser cada vez mais revisor somos nós, e não eles. “Doutor, tem algo no interior do veículo que o senhor queira declarar?”. Não, só meu iPod, meus óculos, o documento do carro, meu canivete suíço, seis CDs na disqueteira, meu GPS, o cabo de força do GPS e os dadinhos pendurados no retrovisor.
E o mais legal é pegar aquela estrada, acelerar tranquilo, curtir a paisagem e ter um pneu furado. Você abre o porta-malas e vê o macaco ali, brilhante, incólume. Mas... cadê a chave de rodas?
