O truque da CBF para enganar a Fifa e colocar café na camisa da Copa de 82
Ação ousada foi para inserir antigo patrocinador na Amarelinha; descubra como isso aconteceu
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A seleção brasileira de 1982 era tão recheada de craques que as atenções estavam todas voltadas para o que acontecia dentro de campo. Só que, no meio de tanto talento, um detalhe curioso da camisa passou despercebido por muita gente, e até pela própria Fifa: um ramo de café escondido no escudo da seleção. Sabia dessa?
Esse pequeno ramo era o símbolo do IBC (Instituto Brasileiro do Café), órgão que organizou, regulou e promoveu a cafeicultura brasileira entre as décadas de 1950 e 1990. O instituto teria desembolsado cerca de 3 milhões de dólares para essa ação de marketing.
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Para entender essa história, é preciso voltar um pouco no tempo. A Copa do Mundo da Espanha, em 1982, foi a primeira disputada pelo Brasil já sob o comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), criada em 1979 para assumir exclusivamente a gestão do futebol após a divisão da CBD (Confederação Brasileira de Desportos).
Foi justamente nessa época que o IBC fechou parceria com a seleção brasileira. O café chegou a aparecer estampado no lado esquerdo do peito dos uniformes. “Café e futebol sempre se deram bem. Agora estão mais juntos do que nunca”, já diziam anúncios com alguns dos craques daquele time.
O problema é que a Fifa sempre proibiu a exibição de patrocinadores nas camisas durante competições oficiais (apenas o escudo da federação e a marca da fornecedora de material esportivo são permitidos).
Para driblar a Fifa na Copa de 1982, o então presidente da CBF, Giullite Coutinho, teve uma ideia ousada. Ele pediu à Topper, fornecedora de material esportivo da seleção na época, que desse uma repaginada no brasão.
Foi assim que a tradicional Cruz de Malta, semelhante à que conhecemos hoje, deu lugar a um novo escudo: a taça Jules Rimet sobre um fundo azul, com a sigla CBF no topo. E, discretamente, no canto direito, apareceu o famoso ramo de café.
Como a fiscalização sobre os uniformes era bem menos rigorosa naquele tempo, a mudança passou despercebida e o patrocinador acabou marcando presença no Mundial sem chamar a atenção da entidade máxima do futebol.
O último jogo da seleção com essa camisa emblemática aconteceu justamente em uma das derrotas mais dolorosas da história do futebol brasileiro: a “Tragédia do Sarriá”. No estádio Sarriá, em Barcelona, o Brasil perdeu por 3 a 2 para a Itália, com três gols do carrasco Paolo Rossi, e deu adeus à chance do tetra em 1982.
Quando percebeu a trapaça, a Fifa advertiu à CBF que esse tipo de ação não seria mais aceito. Com isso, o ramo de café foi retirado do escudo já em 1983, justamente com o fim do patrocínio.
A versão com a taça Jules Rimet, porém, continuou sendo utilizada e esteve presente até na Copa de 1990, na Itália. Ela permaneceu no uniforme até 1991, quando deu lugar novamente ao tradicional escudo com a cruz de malta. Já o IBC foi extinto em 1990.
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