De improvisada à peça milionária: a bizarra história da camisa reserva da Argentina em 1986
Há 40 anos, camisa azul-escura comprada às pressas virou símbolo de um dos jogos mais emblemáticos das Copas
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Se eu te dissesse que a Argentina disputou uma partida de Copa do Mundo com uma camisa improvisada, você acreditaria? Sei que parece impossível de acreditar, mas nas quartas de final da Copa de 1986, contra a Inglaterra, os hermanos entraram em campo com um uniforme comprado às pressas em uma loja de bairro no México.
E foi justamente com esse manto que Diego Maradona protagonizou dois dos lances mais icônicos da história das Copas: “La Mano de Dios” e “Gol do Século”. Surpreso? Então segura essa história porque ela é boa!
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Na Copa de 1986, a Argentina levou dois jogos de uniformes. O principal, com as tradicionais listras azul e branca, tinha a tecnologia Air-Tech, desenvolvida pela fornecedora francesa Le Coq Sportif, que deixava a camisa mais leve e ajudava a reduzir a absorção de suor. Já o uniforme reserva era bem diferente: uma camisa azul-escura de algodão.
Na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai nas oitavas de final, o técnico Carlos Bilardo não gostou nem um pouco da peça dois. Segundo relatos da época, o uniforme era quente, pesado e ficava ainda mais desconfortável à medida que absorvia o suor sob o forte calor do México.
Para o duelo das quartas de final contra a Inglaterra, a Argentina teria que usar novamente essa camisa, já que os ingleses haviam vencido o sorteio e entrariam em campo com seu tradicional uniforme branco.
Só que Bilardo bateu o pé e recusou. Quando a fornecedora de material esportivo foi consultada, veio a má notícia: não haveria tempo para produzir uma nova camisa reserva com a mesma tecnologia do uniforme principal.
Com poucos dias restantes até o confronto com a Inglaterra, a AFA (Associação do Futebol Argentino) enviou um funcionário para percorrer as ruas da Cidade do México em busca de uma réplica da camisa azul-escura que fosse mais leve e confortável.
Ele trouxe duas opções para a comissão técnica avaliar. E sabe quem deu a palavra final? Maradona. Ao ver uma delas, o camisa 10 teria dito: “Que linda esta camisa. Com ela ganhamos da Inglaterra”.
O funcionário então correu de volta à loja e comprou 38 modelos de poliéster. A partir daí começou uma verdadeira operação de emergência: um desenhista mexicano foi chamado para produzir os escudos, enquanto integrantes da comissão técnica ficaram encarregados de costurar os emblemas no peito e aplicar os números nas costas.
O resultado final foi uma camisa com dois tons de azul-escuro brilhante, de gola em V, com escudo improvisado sem os tradicionais louros dourados e números prateados, detalhes bem diferentes do uniforme oficial.
Depois desse jogo, ela nunca mais foi utilizada e, justamente por isso, se transformou em um verdadeiro objeto de desejo entre colecionadores.
E o resto da história você provavelmente já conhece. A Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1, com dois gols de Maradona que entraram para a eternidade das Copas do Mundo. O primeiro foi o polêmico “La Mano de Dios”, quando o argentino marcou com a mão sem que a arbitragem percebesse. Relembre:
Já o segundo é considerado por muitos o gol mais bonito da história dos Mundiais: o camisa 10 arrancou do meio-campo, deixou cinco adversários para trás, driblou o goleiro Peter Shilton e balançou as redes. Relembre:
Relíquia leiloada por R$ 44,5 milhões
A lendária camisa azul-escura usada por Diego Maradona no segundo tempo do jogo contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986 foi leiloada em 2022 por R$ 44,5 milhões (9,3 milhões de dólares), tornando-se assim a maior venda de um artigo esportivo da história (pelo menos por enquanto).
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