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‘A nossa ideia foi arriscar tudo’, diz João Barone nos 40 anos de ‘Selvagem?’

Álbum marcou não só a trajetória da banda Os Paralamas do Sucesso como o rock brasileiro, trazendo elementos novos

Enigmas do Rock|Fabricio MazoccoOpens in new window

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Álbum completa 40 anos hoje Reprodução/capa

Há exatos 40 anos, ou seja, em 24 de abril de 1986, o rock brasileiro, que vivia seu auge, nunca mais foi o mesmo. Nesse dia foi lançado o álbum Selvagem?, o terceiro da banda Os Paralamas do Sucesso, que mostrava uma nova direção do grupo, tanto nas letras, mais afiadas, tratando de questões sociais, como também na mistura musical, com reggae e música afro e tantos outros elementos brasileiros.

Para falar deste álbum icônico e tão atual até hoje, o Enigmas do Rock teve uma conversa exclusiva com o João Barone, baterista dos Paralamas.


O baterista contou detalhes sobre o álbum Reprodução/Instagram/ @joao.barone_oficial

Vale relembrar que, no ano de 1985, os Paralamas vinham de uma exposição midiática nunca vista antes e que não mais se repetiu, em razão do sucesso do segundo álbum, O Passo do Lui, de 1984, e da participação da banda no Rock in Rio, em janeiro daquele ano.

O Passo do Lui foi um sucesso estrondoso e potencializado com nossa apresentação no Rock in Rio. Foi uma coisa além de plano de marketing e além de qualquer expectativa. A gente estava viajando o Brasil, vendo as outras bandas da nossa geração chegar a patamares incríveis. Nisso, o Herbert Vianna falou: isso não vai durar pra sempre”, contou o baterista, sobre a necessidade da banda em fazer algo diferente.


“Aqueles moleques novos, com aquela vontade de ir além, e muito pela visão do Herbert de nos diferenciar: assumimos essa tentativa de dar alguma coisa de brasilidade para o nosso som, musicalmente falando, além de que teve uma mudança profunda nas letras, nas abordagens do nosso discurso, depois de ter viajado no Brasil e visto o país. Esse disco teve esse caráter de arriscar tudo. A gente teve essa ousadia de diferenciar do que nossos pares estavam fazendo. Uma tentativa de virar a página”, complementou. E os Paralamas do Sucesso conseguiu. O álbum soou diferente de tudo que havia na época.

Uma das fotos tiradas da sessão para o disco Reprodução/Mauricio Valadares/ roncaronca.com.br

A começar pela própria capa. Certa vez, eles estavam ensaiando na casa da Vovó Ondina, avó do Bi Ribeiro, que ganhou uma canção no primeiro disco, e tinha uma foto do irmão do Bi, o Pedro, em um acampamento em Brasília. O Herbert viu e já falou que aquela seria a capa do disco, que ainda não tinha nome. “A ideia foi sacanear a gravadora com aquela foto”, contou. Mas o que ninguém esperava era o quanto a capa seria icônica.


No álbum estão músicas como Alagados, o principal hit do disco, já mostrando uma sonoridade muito diferente do álbum anterior, e que contou com a participação de Gilberto Gil. E teve mais Gil. Havia uma melodia e harmonia pronta. Sem letra. O nome provisório da canção era Piano. Resolveram gravar em uma fita e mandar por correio para o Gilberto Gil, que já estava em Santa Catarina para uma turnê no Sul. Gil ligou e passou a letra. Assim nasceu A Novidade.

E se a ordem era letra política, a canção Selvagem arrebenta. Também soma a canção bem humorada Melô do Marinheiro, do Barone e do Bi Ribeiro. Mesmo a letra fugindo da crítica social, a batida se encaixa perfeitamente no universo do álbum. Assim como a versão de Você, do Tim Maia, que fecha o disco.


“Eu tenho essa percepção de, depois de 40 anos, como ele ainda é atual. Com o tempo, fomos reformatando uma coisa ou outra, mas, no geral, o que a gente atingiu ao gravar esse álbum continua muito atual. Ele tem esse prazo de validade extenso, uma sonoridade legal e uma temática muito atual: o conflito social, a violência, a tentativa de censura. Fico muito orgulhoso ao ouvir esse disco. Ele é muito importante e determinante na nossa carreira”, finalizou.

Confira a entrevista completa abaixo:

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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