‘Foi muito prazeroso todo o processo’, afirma Paulo Miklos sobre álbum de versões
‘Coisas da Vida’ passa por canções de várias épocas e de diversos compositores

De Rita Lee aos mineiros Beto Guedes e Ronaldo Bastos, passando por Criolo e (“até”) um clássico sertanejo. Tudo isso, junto e misturado, está no novo álbum do ex-Titãs Paulo Miklos.
Desta vez, Miklos atacou como intérprete. Mas diferente de outros projetos que centram em um estilo ou em uma banda ou artistas, ele fez uma seleção atemporal e eclética.
Ao todo, são 11 canções. Algumas, de alguma forma, dentro do contexto de sua carreira, como Adoniram Barbosa (Miklos o interpretou no cinema), O Tempo Não Para, do colega de geração Cazuza e Arnaldo Brandão e “Coisa da Vida”, da sempre roqueira Rita Lee.
Outra fogem deste circuito, como Evidências, de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, famosa na voz da dupla Chitãozinho e Xororó e Xibom Bombom, de Rogério Gaspar e Wesley Rangel e que virou “chiclete” com a banda As Meninas. Mas todas elas têm uma razão para ter entrado no disco (essa última por exemplo, foi a canção que Miklos cantou quando ainda estava saindo da sedação quando esteve internado).
E não só isso. Junto com o álbum foi realizado um projeto audiovisual, com cada canção ganhando de videoclipe.

O Enigmas do Rock conversou com Miklos sobre o novo álbum e sobre as escolhas das músicas.
Enigmas do Rock - Paulo, como surgiu a ideia de gravar um álbum de versões?
Paulo Miklos - Eu comecei fazendo playlists com minhas músicas preferidas. Depois me dei conta de como essas escolhas são pessoais e revelam muito sobre quem as faz. Então acabei reunindo aquelas que têm uma relação direta comigo.
Enigmas do Rock - As versões passeiam por várias décadas e estilos. Como foi o processo de escolha?
Paulo Miklos - Foi muito prazeroso todo o processo! Aos poucos fui relembrando acontecimentos da minha história e as trilhas sonoras ao longo de uma vida. Acho que ficou bem amplo o repertório, como você disse, entre décadas e estilos diferentes.
Enigmas do Rock - A lista deixou algumas de fora?
Paulo Miklos - Deixei canções de fora sim! Muitas que eu tenho vontade de cantar. Achar a minha interpretação. Mas, quem sabe, numa outra oportunidade eu possa realizar esse sonho.
Enigmas do Rock - Você entende que há algo que liga uma canção a outra?
Paulo Mikos - Está é a mágica que acontece! Como intérprete, eu coloco essas canções lado a lado, e elas se deslocam do lugar onde o ouvinte estava associando, a um estilo ou um artista. E as canções se revelam e se comunicam. Os arranjos do maestro Otávio de Morais e a produção do Rafael Ramos, ajudam a fazer a liga.
Enigmas do Rock - Do rock brasileiro dos anos 80, você escolheu ‘O Tempo Não Para’. Por que essa escolha, já que viveu essa década no meio musical?
Paulo Miklos - Eu sinto uma grande identificação com esta canção do Cazuza. É impressionante como ela é atual. O verso: “Suas ideias não correspondem aos fatos” parece ser escrito para o que vivemos hoje, com as fake news.
Enigmas do Rock - Pretende cair na estrada com esse álbum?
Paulo Miklos - Pretendo levar as novidades pelo Brasil a fora! São músicas que as pessoas reconhecem. Algumas são novidade para quem nunca ouviu. A receptividade do disco está muito boa!! E vai ser maravilhoso cantar esse repertório para o público.
Enigmas do Rock - Como vem sentindo a recepção?
Paulo Miklos - Está se espalhando a notícia do disco! Sinto pelas minhas redes sociais. Mesmo as polêmicas, como por exemplo, alguns que protestaram sobre a minha decisão de cantar Evidências. O debate entre os meus seguidores é muito legal. Duas coisas fundamentais, a ideia do lugar que eu ocupo na cabeça dos fãs e o choque causado por esse deslocamento. Isso eu considero a coisa mais interessante! As reações são ótimas!
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