Humberto Gessinger pluga instrumentos e prepara nova turnê
‘Retrato3X4′ inicia em novembro, com quarteto no palco e releitura de álbum de 1996

Humberto Gessinger não para! Mal saiu dos palcos com a turnê Acústicos Engenheiros do Hawaii, que percorreu e lotou vários espaços em todo o Brasil no ano passado e neste ano, e que encerra no dia 30 de Agosto, em Porto Alegre, uma nova tour já está planejada para começar em novembro.
Com o nome Retrato3X4, Gessinger subirá no palco no formato quarteto, tocando canções de toda a sua carreira (solo e Engenheiros do Hawaii), com ênfase no álbum Humberto Gessinger Trio (HG3), lançado em 1996, portanto há 30 anos.
O Enigmas do Rock conversou com Gessinger, que falou sobre a turnê que está acabando e revelou (quase) todos os detalhes do novo projeto

Enigmas do Rock - Com quase dois anos da tour Acústicos Engenheiros do Hawaii e ingressos esgotados em grande parte dos shows, você esperava essa recepção por parte do público?
Humberto Gessinger - Não esperava. A princípio seria só um ano, mas acrescentei quatro meses porque o público pediu e porque é um show muito bom de fazer. Acho que conseguimos transcender o lance comemorativo e fazer as músicas ficarem interessantes mesmo para quem não conhecesse os acústicos EngHaw.
No decorrer da tour entraram músicas novas (Paraibah, Sem Piada Nem Textão e Janeiro 26), pra regar a planta e manter as folhas verdes, pois um artista longevo sempre corre o risco de perder a conexão com o tempo em que vive e virar cover de si mesmo. Além de tudo isso, sem querer me gabar e com perdão da palavra, a banda que montei é muito foda! Ela nasceu de forma natural, a partir da união do trio acústico (Paulinho Goulart e Nando Peters) com o power trio (Rafa Bisogno e Felipe Rotta). Um quinteto incrível.

Enigmas do Rock - Quando conversamos da última vez, você falou da vontade de fazer algo do HG3, mas que ainda era um projeto. Com o fim desta tour em agosto, teremos esse projeto concretizado?
Humberto Gessinger - Sim. Depois do encerramento da tour “Revendo o que nunca foi visto”, vou dar um tempo e retornarei à estrada em novembro com um quarteto. Será um show que passeia por toda minha carreira, mas dá ênfase especial ao HG3, tocando 7 músicas do disco.
A tour vai se chamar Retrato 3x4, pois é uma fotografia em movimento, também é o nome de uma canção e sinaliza a transição trio>quarteto. A releitura do repertório do HG3 por um quarteto é a razão mais forte deste show. O aniversário de 30 anos é só um detalhe, assim como eram os 20 anos do acústico. Talvez por ter nascido na véspera do Natal, nunca dei muita importância a aniversários.
Quando lancei o HG3, em 96, o sistema deixou bem claro que não queria que eu parasse de usar o nome da banda. O disco foi lançado sem nenhum esforço para que chegasse às pessoas. Tudo bem, entendo o ponto de vista do sistema e não me queixo. Bola pra frente. Como diz a canção: “eles têm razão, mas a razão é só o que eles têm”. O disco e eu seguimos nosso caminho esperando o tempo certo para tudo. HG3, HG30, HG3x4, HG3>4.
Enigmas do Rock - Será mantido o formato acústico?
Humberto Gessinger - Não. Volto ao baixo e teclados ao lado de dois guitarristas e um baterista. Mas, paralelamente, também quero fazer shows com um trio acústico em lugares mais intimistas. Sempre é bom tocar minha violinha caipira ao lado de contrabaixo e acordeon (“o outro lado é o mesmo lado disfarçado de contradição”). Quando começarem os ensaios, em setembro, eu conto quem estará comigo nesses projetos.

Enigmas do Rock - Também havia lá atrás a vontade de um novo álbum de estúdio. Como anda este projeto?
Humberto Gessinger - Tenho várias parcerias recentes que dariam um bom disco. Eu estava trabalhando nisso quando comecei a ouvir com atenção o HG3, lembrando as linhas de baixo, pensando nas possibilidades de duas guitarras e mais vocais... aí todos os outros planos ficaram para depois.
Enigmas do Rock - Com o netinho, pretende pegar mais “leve” nas turnês e passar um pouco mais de tempo em Estocolmo?
Humberto Gessinger - Pretendo passar um mês por ano na Suécia. E o pessoal sempre vem passar o fim de ano aqui. Mas, sem dúvida, preciso racionalizar mais as turnês. A logística fica bem difícil pra quem mora no Rio Grande do Sul e é um artista nacional. Viajamos sempre um dia antes dos shows para evitar os riscos de atrasos de voo. A semana em casa fica curta e a vida corrida. Mas o prazer de compartilhar minha música com pessoas que se interessam por ela compensa tudo.

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