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Ancelotti não comemorou a virada do Brasil — e o motivo disso é surpreendente

A calma do treinador italiano em meio à euforia mostra um novo padrão de liderança (que pode ser muito bom)

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Ancelotti pode parecer frio, mas passa muita segurança aos seus jogadores Reuters/Annegret Hilse - 29.06.2026

Um estádio inteiro perdeu a cabeça. Um único homem não. Brasil empata. Estádio explode. Banco de reservas pula. Comissão técnica se abraça. E o italiano? De pé, parado, com a mesma cara de quem espera o café ficar pronto.

Veio a virada de Martinelli nos acréscimos. O país inteiro perdeu a cabeça. Ele esboçou pouquíssimos gestos — e, em um deles, fez aquele movimento com a mão pedindo calma. O mesmo gesto que já tinha repetido outras vezes ao longo da Copa.


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A internet chamou de “farmar aura”. Alguns chamaram de frieza europeia, de falta de paixão. Eu vejo outra coisa: comunicação e líder de alto nível.

Porque comunicação não é só o que você diz. É o que você transmite quando nem todo mundo está olhando.


E repare no detalhe: no momento em que todos pediam euforia, ele pediu calma ao estilo Lenine. Repetidamente. Não é medo ou superstição — é uma mensagem. Ele está, o tempo todo, dizendo ao time a mesma coisa: “Não percam a cabeça, eu não vou perder a minha.”

Um time que sai perdendo precisa de muita coisa. Mas a primeira é não entrar em pânico. E o pânico, ou a calma, começa em quem comanda. Se o líder treme, o time treme junto.


Por isso, o discurso de intervalo, que os jogadores depois descreveram como “lavagem cerebral”, funcionou: vinha de alguém que o time já via como inabalável — e que reforçava essa mensagem até com a mão, gol após gol.

Eis a lição que levo pro meu trabalho e que vale pra qualquer um que lidera, apresenta ou fala em público: Sua mensagem mais forte raramente sai da sua boca. Sai da sua postura sob pressão.


A plateia decide se confia em você nos segundos em que algo dá errado — não nos minutos em que tudo corre bem. Quem mantém a serenidade quando o placar está contra ganha autoridade que nenhum discurso compra. E quem repete o mesmo gesto, a mesma mensagem, sem se contradizer na emoção, constrói algo raro: consistência.

Ancelotti não precisou gritar pra mostrar que estava no controle. Mostrou, ficando de pé, parado, pedindo calma com a mão enquanto o mundo pulava.

E você: prefere o líder que comemora explosivamente junto ou o que mantém a calma pra todo mundo se apoiar nele? No momento, eu tô preferindo o segundo.

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