‘A Hora da Estrela’ é o filme mais visto da Tela Brasil, plataforma de streaming do governo
Clarice Lispector imaginou o fim do romance em uma corrida de táxi
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
É impressionante a força que essa nordestina de Alagoas tem! Mirrada, simplória, ingênua e agora no TOP 5 da Tela Brasil, a plataforma de streaming gratuita do Ministério da Cultura com 100% de filmes nacionais. 🎬
Alguns premiados. Como é o caso de A Hora da Estrela, filme de Suzana Amaral, de 1985, uma adaptação do último livro escrito por Clarice Lispector. O filme foi o mais visto da plataforma.
A paraibana Marcélia Cartaxo estreou no cinema no papel de Macabéa e levou o Urso de Prata no Festival de Berlim de Melhor Atriz em 1986. A primeira brasileira a receber o prêmio. Clarice, como sempre, conduzindo as estrelas.
“Eu estava fresquinha assim como Macabéa”, disse Marcélia.
A nordestina de Clarice surgiu… da própria Clarice. “Eu tinha que botar pra fora um dia o Nordeste que eu vivi”, disse a escritora numa descontraída entrevista aos amigos e escritores Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant’anna no Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro, em 1976.
Em outubro daquele ano, ela finalizava o romance, o último que escreveu. A Hora da Estrela foi publicado pela primeira vez em 1977, ano da morte da escritora. 📖
Clarice não viu o filme. Também não podia imaginar que 49 anos depois a nordestina “tá on”, mais viva do que nunca.
Quase meio século se passou e o romance A Hora da Estrela é um dos mais vendidos na categoria ficção nas livrarias e plataformas do país. Como explicar esse interesse que não acaba?
Simples. Logo no começo do livro, o prenúncio: “que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”.

O narrador Rodrigo S.M. oscila entre a repugnância e a empatia e retrata uma Macabéa que é puro clichê: a nordestina pobre e excluída tenta uma vida mais digna no sudeste do país.
Mora numa pensão, trabalha como datilógrafa, é traída pela colega do trabalho e rejeitada pelo homem que gosta. No fim, morre atropelada por um carro “importado”.
Clarice imaginou o “grand finale” quando foi à cartomante: “Ela me disse várias coisas boas que iam me acontecer e imaginei quando tomei o táxi de volta, seria muito engraçado se um táxi me pegasse, me atropelasse e eu morresse depois de ter ouvido todas essas coisas boas, daí foi nascendo a trama da história”, revelou ao jornalista Júlio Lerner, na antológica entrevista à TV Cultura.
A escritora morou no Recife dos 5 aos 15 anos e viu de perto a pobreza que retratou na obra. “É a história de uma inocência pisada, uma miséria anônima”, disse.
A ignorância da jovem Macabéa provoca indiferença no patrão do escritório onde ela trabalha, nas colegas que dividem o quarto da pensão, no namorado Olímpico de Jesus vociferante: “Você, Macabéa, é um cabelo na sopa, não dá vontade de comer.”
Invisibilidade social e preconceito - é a mulher migrante numa cidade toda contra ela. Décadas depois de ser publicada, a obra não podia ser mais atual. Tá on mesmo.
No relançamento do filme em 4k, a atriz Marcélia Cartaxo renasceu: “Tô muito feliz de poder me ver novinha de novo…”
O maior sonho de Macabéa? Ser artista de cinema. Ter A Hora da Estrela. ⭐
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