Como preservar o pensamento crítico na era da inteligência artificial?
Popularização da IA no mundo aumenta preocupação com possíveis prejuízos à memória e ao raciocínio

“Crie um infográfico estático, formato 1920 x 1080, em cores sóbrias, com as pontuações médias alcançadas pelos estudantes brasileiros no Pisa 2025, em comparação com as pontuações médias da OCDE. Inclua o destaque ‘Principal retrato do Pisa 2025’ com a comparação do resultado médio dos brasileiros em matemática com a média da OCDE. Cite a fonte no rodapé.” Este foi o comando que dei a uma ferramenta de inteligência artificial para criar a imagem que ilustra este artigo e que você confere abaixo.
Sim, eu uso IA todos os dias de forma bem definida: para agilizar tarefas operacionais que me tomariam muito tempo e não exigem meu julgamento. O tempo ganho é utilizado no que cabe somente a mim fazer: analisar dados e fatos para formular hipóteses e interpretar evidências com base no meu conhecimento, na minha experiência e no meu pensamento crítico. Ou seja, a IA não pensa, não analisa e não escreve por mim (como destaco ao final das análises publicadas aqui).
O artigo “Como continuar inteligente na era da IA: a ciência do pensamento crítico” (em tradução livre), assinado por Helen Pearson e publicado na revista Nature, chama a atenção para a crescente preocupação com possíveis prejuízos à memória e ao raciocínio decorrentes do uso da IA.
Pearson inicia citando a experiência do pesquisador chinês Lixiang Yan, da Universidade de Tsinghua, em Pequim, ao constatar que um agente de IA podia realizar todas as tarefas do curso online que ele ministrava, sem que o aluno precisasse se engajar intelectualmente, ou seja, sem realmente ter aprendido o conteúdo. Também consta no artigo uma pesquisa feita em 2025 com mais de mil professores universitários dos Estados Unidos, apontando que 90% deles acreditam que o uso de IA generativa reduzirá as habilidades de pensamento crítico dos estudantes. Mas o que é uma preocupação mundial pode ter um impacto ainda maior no Brasil.
Recentemente foram divulgados os resultados do PISA 2025, (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), com participação de 91 países e economias, acendendo um alerta em relação ao desempenho dos estudantes brasileiros, como mostra o infográfico.

Desde a criação do exame, no ano 2000, o Brasil vem pontuando abaixo da média da OCDE em todas as edições e em todas as áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. Mas, enquanto sete de cada dez estudantes brasileiros não chegaram nem sequer ao nível 2 (básico) de proficiência em matemática, e mais da metade (51%) ficou igualmente abaixo em leitura, o Ministério da Educação destacou que o Brasil está entre os países que mais avançaram em proficiência nos últimos 20 anos, reduzindo a diferença de pontuação em relação à média da OCDE, o que, de fato, aconteceu.
Porém, quando uma nação comemora resultados ruins apenas porque no passado eles foram ainda piores, no fundo, não há o que comemorar. Mas chegar a essa conclusão requer justamente o que preocupa os especialistas: o enfraquecimento do pensamento crítico. É ele que vai fazer o leitor ir além da manchete e das narrativas, e interpretar por si mesmo o que acontece ao seu redor. E isso depende do desenvolvimento da inteligência humana, que jamais deve ser delegado a uma ferramenta de IA ou a quem quer que seja.
Nota: Texto de autoria humana, integralmente elaborado e redigido pela autora, com revisão assistida por IA.
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