Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages
‌

O que a sua imagem está falando sobre você no ambiente de trabalho?

No mundo corporativo, não basta ser competente, é preciso parecer competente

Patricia Lages|Patricia LagesOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Este artigo poderia ser mais um apanhado de regras sobre vestuário. Porém, como acredito que você já conhece a maioria delas, decidi contar minha própria (e nada agradável) experiência de ser uma coisa, mas ter uma imagem que comunicava outra.

Por vários anos, fui uma das três assistentes comerciais de uma empresa de comunicação. Juntas, atendíamos 30 representantes, mas a divisão óbvia, de dez para cada uma, nunca funcionou. Sozinha, eu dava assistência a 16 deles, enquanto as colegas atendiam oito e seis.

‌

Pode parecer (ou até ser) injusto, mas para mim era a chance de desenvolver habilidades e mostrar que dava conta de mais responsabilidades. Eu acreditava que minha produtividade bastaria para garantir uma promoção. Para minha surpresa, a primeira assistente a subir de cargo foi justamente a que tinha a pior performance.

A diferença era que, embora eu fosse competente, a outra “parecia” ser bem mais competente. Ela estava sempre impecável: maquiada, bem penteada e vestida como uma executiva, sem roupas caras nem exageros.

‌

Eu achava aquilo desnecessário para uma simples assistente e via nesse cuidado uma forma de “compensar a incompetência”. Já eu, competente de fato, não tinha tempo para isso: vestia a primeira roupa que via pela frente, mal penteava o cabelo e não passava nem batom.

Quando questionei meu superior sobre a promoção, ele respondeu à queima-roupa, bem ao estilo anos 90: “Eu nem sabia que você queria aquele cargo! Mas, para chegar lá, você não pode andar assim, parecendo um espantalho de milharal!”

‌

Hoje a resposta parece absurda, mas foi o que me fez ver que minha imagem falava muito mal sobre mim. Entendi que o visual da colega destoava do nosso, mas que, justamente por isso, ela conquistou um cargo mais adequado à imagem que transmitia. Meu chefe tinha razão: embora muito competente, eu parecia desleixada, sem a menor condição de representar a empresa.

Quando passei a cuidar mais da aparência, virei motivo de gozação no departamento, afinal, todos já estavam acostumados à Patricia, que parecia ter caído da cama. Mesmo assim, continuei e, pouco tempo depois, um cliente da empresa me convidou para representar seus negócios no Brasil. Ali começou uma carreira internacional que mudou minha história profissional.

‌

Por mais que possa parecer fútil, nossa imagem transmite códigos silenciosos que todos nós lemos e julgamos, consciente ou inconscientemente. Seja competente, mas também pareça competente.

✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.