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Aprendiz de cozinheira

Cristiana Petriz leva método à gestão da vinícola La Grande Bellezza

Da consultoria em doenças raras à produção autoral em Pinto Bandeira (RS), executiva constrói uma vinícola boutique ao lado do marido, Rossano Biazus

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

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Cristiana Petriz, CEO da vinícola gaúcha La Grande Bellezza
Cristiana Petriz, CEO da vinícola gaúcha La Grande Bellezza Divulgação

Cristiana Petriz chegou ao vinho por um caminho pouco comum. Antes de assumir a linha de frente da La Grande Bellezza, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, construiu uma carreira longa na saúde, com atuação em doenças raras, biotecnologia e consultoria para empresas internacionais interessadas em trazer pesquisas clínicas ao Brasil.

A experiência deixou marcas no modo como ela conduz o negócio. Método, organização, escuta, visão sistêmica e disciplina operacional aparecem hoje na gestão da vinícola. “Eu ainda trabalho com doenças raras. Acho que é uma missão”, diz Cristiana. A ligação com Pinto Bandeira começou pelo afeto. “Quando Rossano me levou pela primeira vez a Pinto Bandeira, foi uma coisa de energia muito forte. Eu falei: um dia ainda vou morar nesse lugar.”


A propriedade foi comprada em 2016, inicialmente com outro plano. A ideia era criar uma pousada boutique, voltada à hospitalidade e à experiência. O rumo mudou quando o casal decidiu plantar as primeiras videiras, em 2017, com mudas trazidas da Itália. Rossano, apaixonado por vinhos brasileiros e descendente de italianos do Rio Grande do Sul, não quis vender as uvas para terceiros. Preferiu construir os próprios rótulos.

A decisão transformou o projeto. A pousada saiu do centro da estratégia e deu lugar a uma vinícola de produção autoral. A primeira safra veio em 2020. Desde então, a La Grande Bellezza passou a se posicionar como uma operação de escala limitada, com identidade própria, presença dos donos e foco em qualidade.


Na divisão interna do negócio, Cristiana e Rossano ocupam papéis complementares. Ele conduz o estilo dos vinhos e as decisões ligadas ao produto. “Rossano é a cabeça do vinho. Ele escolheu um estilo mais Saint-Émilion, mais francês, sem excesso de concentração, um vinho mais ‘o que a uva dá’”, explica a executiva.

Cristiana responde pela gestão, pela presença institucional, pelo relacionamento com mercado e pela articulação entre operação, marca e experiência. “Eu toco tudo. Inclusive, eu sou a CEO da empresa”, afirma. A formação corporativa, somada à experiência em marketing e saúde, ajuda a organizar as várias frentes do negócio. Ela acompanha a administração, a comunicação, a relação com clientes, a estratégia comercial e as degustações.


A vinícola tem cerca de 6,5 hectares, dos quais 5,5 hectares são de parreirais. A produção anual fica entre 24 mil e 26 mil garrafas, dependendo da safra. Cerca de 95% das uvas vêm de parreirais próprios, o que reforça o controle de origem e a proposta de uma operação construída mais em torno de identidade e consistência do que de volume.

O universo simbólico da marca também foi desenhado com precisão. O nome La Grande Bellezza remete ao filme de Paolo Sorrentino e traduz a intenção de associar vinho a arte, mesa, encontro, território e experiência. A vinícola trabalha com degustações, rótulos autorais e uma linguagem que mistura cinema, cultura visual e valorização do feminino.


Essa dimensão aparece de forma clara na linha Madame, criada com obras da artista Lu Morelli. Os rótulos aproximam vinho, pintura e mulheres. “A gente não quer trazer o vinho daquela forma rígida, mecânica, técnica. A gente traz a arte, a terra, o terroir, as pedras, a visão e o amor”, diz Cristiana. Para ela, o vinho deve ser entendido dentro de uma cultura de encontro e moderação. “O vinho é um catalisador de momentos de grande beleza.”

Entre os rótulos, Madame Rara é o ponto mais forte de conexão entre a trajetória profissional de Cristiana e a vinícola. O vinho nasceu como homenagem à atuação dela em doenças raras e ao trabalho com pacientes de anemia falciforme. A escolha levou para dentro da marca uma memória profissional ligada à ciência, ao cuidado e à pesquisa clínica.

Ao transformar esse repertório em vinho, Cristiana amplia a narrativa da La Grande Bellezza. A marca deixa de se apoiar apenas em estética, paisagem ou prestígio e passa a carregar uma história mais singular. O vinho Madame Rara resume essa ponte entre saúde, causa, arte e produção autoral.

A presença da La Grande Bellezza em restaurantes como o Dom e em espaços do hotel Rosewood, além de circuitos institucionais e experiências de reconhecimento fora do país, mostra que o projeto encontrou espaço em um mercado competitivo. A trajetória ainda é de construção gradual, sem a lógica de grandes investidores ou expansão acelerada. “A gente tem que acreditar nos nossos valores, no potencial e fazer esse trabalho de formiguinha”, afirma Cristiana.

Para mulheres que querem empreender em alimentos, bebidas ou gastronomia, ela defende uma combinação de paixão, estudo e domínio do negócio. “Quando você tem conhecimento, segurança, paixão e determinação, você tem condições de tocar qualquer negócio.”

Na La Grande Bellezza, Cristiana Petriz constrói uma forma própria de autoridade feminina no vinho. Ela não abandonou a saúde para entrar em outro setor. Levou para a vinícola a disciplina, o método e a visão de uma carreira inteira. Ao lado de Rossano, transformou esse repertório em uma marca que combina produto, experiência, território e história pessoal.

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