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Dia Internacional do Café: quantas xícaras por dia fazem bem ao coração?

Estudo afirma que até 400 mg de cafeína por dia são seguros para a maioria dos adultos

Como Ser Saudável|Renata GarofanoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Consumo de até 400 mg de cafeína por dia é considerado seguro para a maioria dos adultos, equivalente a três a cinco xícaras de café de 240 ml.
  • Consumo moderado de café está associado a menor risco de problemas cardiovasculares, como doença arterial coronariana e AVC.
  • A quantidade de cafeína varia conforme o tipo de café, preparo e resposta individual, podendo causar palpitações ou ansiedade.
  • A adição de açúcar, xaropes e laticínios pode reduzir os benefícios do café puro, e é importante considerar todas as fontes de cafeína consumidas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mais do que um hábito matinal: estudos indicam que o consumo moderado de café pode estar associado a benefícios para a saúde cardiovascular. Microsoft CoPilot

Eu confesso: amo café. Não vivo sem. Tem gente que acorda e já pensa no celular, no banho ou no café da manhã. Eu penso na primeira xícara de café. E, se você também é desse time, provavelmente já se perguntou se esse hábito tão gostoso pode fazer mal ao coração.

A boa notícia é que, para a maioria dos adultos, o cafezinho não precisa ser tratado como vilão.

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Uma nova declaração científica da AHA (American Heart Association) revisou as evidências disponíveis sobre cafeína e saúde cardiovascular e aponta que o consumo de até 400 mg de cafeína por dia é considerado seguro para a maioria dos adultos. Na prática, isso equivale a cerca de três a cinco xícaras de café de 240 ml, dependendo do tipo de bebida e da forma como ela é preparada.

E tem mais: o consumo moderado de café aparece associado a menor risco de alguns problemas cardiovasculares, como doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, AVC e fibrilação atrial.

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Mas atenção: isso não significa que quanto mais café, melhor. Muito menos que quatro ou cinco xícaras sejam uma meta para proteger o coração.

A quantidade de cafeína varia conforme o tipo de café, o preparo e o tamanho da bebida. E a resposta também muda de uma pessoa para outra: para algumas, uma quantidade menor já pode provocar palpitação, ansiedade ou atrapalhar o sono.

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Então, no Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, fica a pergunta: afinal, quanto café dá para tomar sem colocar o coração em risco?

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Café faz bem para o coração?

Durante muito tempo, café e coração foram colocados em lados opostos. Quem tinha palpitação ou pressão alta, por exemplo, frequentemente ouvia que deveria passar longe da bebida.

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As evidências mais recentes mostram um cenário mais complexo. O documento da AHA reúne estudos sobre os possíveis efeitos da cafeína e do café em diferentes aspectos da saúde cardiovascular.

“Esse estudo é um documento elaborado pela American Heart Association que visa revisar e padronizar o conhecimento sobre os impactos da cafeína na saúde cardiovascular”, explica o cardiologista Cristiano Pisani, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas.

Segundo o médico, o consumo moderado, especialmente na forma de café, está associado a uma série de possíveis benefícios: “Em termos de benefícios, o consumo moderado (estudado principalmente no formato de café) está associado a um menor risco de fibrilação atrial, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).”

Vale fazer uma ressalva: associação não significa que o café, sozinho, seja responsável por prevenir essas doenças. Grande parte das pesquisas disponíveis é observacional, e outros componentes do café e hábitos de vida também podem influenciar os resultados.

Afinal, quantas xícaras de café por dia?

A declaração da AHA considera seguro, para a maioria dos adultos, o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a aproximadamente três a cinco xícaras de café de 240 ml.

Mas existe uma pegadinha: xícara não é uma medida precisa de cafeína. A concentração pode variar bastante conforme o grão, o tamanho da bebida e o método de preparo.

Por isso, o número não deve ser encarado como uma recomendação para chegar diariamente a quatro ou cinco cafés.

“Na prática, isso representa um consumo moderado, equivalente a até 400 mg de cafeína por dia (cerca de 3 a 5 xícaras), sendo considerado seguro para a maioria dos adultos. O risco aumenta quando associado a doses mais elevadas ou à condição clínica específica de cada paciente”, explica o doutor Pisani.

Coado, espresso, cápsula: existe diferença?

Existe e não é apenas uma questão de sabor.

O preparo interfere tanto na quantidade de cafeína quanto na presença de outras substâncias do café. Um exemplo é o cafestol, que pode aumentar o colesterol LDL e aparece em maior quantidade em cafés não filtrados, como espresso, prensa francesa, café turco e café fervido. Já o café preparado com filtro de papel e o café solúvel apresentam pouca ou nenhuma quantidade relevante da substância.

Por isso, não dá para colocar todas as formas de preparo exatamente no mesmo pacote quando o assunto é saúde cardiovascular.

E o açúcar? Pode mudar a história

Aqui entra um detalhe que muita gente esquece: o café não existe sozinho na xícara.

A declaração da AHA aponta que acrescentar açúcar, xaropes, leite ou creme pode reduzir os possíveis benefícios associados ao café puro, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para entender exatamente o efeito desses ingredientes.

“A adição de grandes quantidades de açúcar, xaropes aromatizados e laticínios eleva significativamente a ingestão calórica. Isso pode neutralizar (ou anular) os potenciais benefícios cardiovasculares associados ao café puro”, diz o especialista.

Isso não significa que uma pequena quantidade de leite transforme o café em uma bebida prejudicial. A questão está principalmente no conjunto da alimentação e na quantidade dos ingredientes adicionados.

Quem tem pressão alta precisa cortar o café?

Não necessariamente.

A cafeína pode provocar uma elevação temporária da pressão arterial, especialmente em pessoas mais sensíveis ou após doses elevadas. A AHA destaca que doses altas, como as encontradas em energéticos, podem aumentar significativamente a pressão, principalmente em quem já tem hipertensão.

Por isso, quem tem pressão alta deve observar a própria resposta e discutir o consumo com o médico: “Pessoas com hipertensão grave podem apresentar picos de pressão, pois a cafeína tem efeito vasoconstritor.”

E quem tem arritmia?

Essa é outra situação em que a resposta não é simplesmente “corte o café”.

A evidência mais recente não sustenta a ideia de que o consumo habitual de café, dentro de quantidades normais, aumente o risco de fibrilação atrial. Ao mesmo tempo, estudos apontam que a cafeína pode aumentar a frequência de algumas contrações ventriculares prematuras, conhecidas como extrassístoles.

“Em relação às arritmias, os efeitos variam: pacientes que sofrem de extrassístoles podem ter os sintomas agravados pelo consumo; por outro lado, para a fibrilação atrial, evidências recentes mostram que o consumo regular de café tem, na verdade, um efeito protetor e reduz a sua ocorrência”, detalha o cardiologista.

A fala do especialista está alinhada com os dados mais recentes, que apontam associação entre o consumo de café e menor risco de fibrilação atrial. Ainda assim, isso não transforma a bebida em tratamento e não significa que todas as pessoas com fibrilação atrial terão a mesma resposta.

Entre sabor, energia e bem-estar: o café segue conquistando espaço em uma rotina voltada à saúde. PEXELS/Magda Ehlers

Quando o café passa do ponto?

O problema aparece principalmente quando a ingestão de cafeína sobe demais, e não é apenas o café que precisa entrar nessa conta.

Energéticos, suplementos, pré-treinos e outros produtos também podem fornecer doses elevadas do estimulante. Em quantidades altas, a cafeína pode aumentar a pressão arterial e favorecer alterações do ritmo cardíaco.

Entre os sinais de que pode ser hora de reduzir estão:

  • irritabilidade;
  • insônia;
  • aumento da pressão arterial;
  • palpitações;
  • sensação de coração acelerado;
  • piora de extrassístoles.

“O excesso traz riscos. Isso pode ocorrer pelo consumo exagerado do próprio café ou pela ingestão de bebidas energéticas e suplementos com altas doses de cafeína”, alerta o cardiologista Cristiano Pisani.

Ou seja: não adianta contar apenas as xícaras de café. É preciso considerar todas as fontes de cafeína consumidas ao longo do dia.

E o pré-treino com cafeína?

Para quem treina, essa é uma atenção especial.

O pré-treino não deve ser comparado automaticamente a uma xícara de café. Esses produtos podem conter doses elevadas de cafeína e outros compostos estimulantes.

O cardiologista recomenda cautela: “O consumo de pré-treinos exige muita cautela. Como esses suplementos geralmente contêm altas doses de cafeína sintética e outros compostos, eles podem anular a redução natural da pressão arterial induzida pelo exercício e, segundo estudos, estão mais associados a danos e eventos cardiovasculares adversos do que o café.”

A própria AHA alerta que os resultados observados com o consumo moderado de café não devem ser automaticamente extrapolados para bebidas energéticas e produtos com altas doses de cafeína.

Por isso, quem usa pré-treino deve conferir a quantidade de cafeína do produto e somá-la às demais fontes consumidas durante o dia.

Café não substitui exercício nem alimentação saudável

O cafezinho pode fazer parte de uma rotina saudável, mas não é ele que sustenta a prevenção cardiovascular: “Embora o consumo moderado esteja associado à proteção cardiovascular em muitas situações, ele deve ser visto apenas como parte de um estilo de vida saudável. Cuidados primários, como atividade física, alimentação balanceada e acompanhamento médico, continuam sendo essenciais e insubstituíveis.”

Entre os hábitos mais importantes para a saúde do coração estão alimentação equilibrada, atividade física regular e abandono do cigarro.

Então, posso tomar meu café no Dia do Café?

Para a maioria dos adultos saudáveis, o café pode continuar fazendo parte da rotina.

A declaração da AHA aponta que até 400 mg de cafeína por dia são considerados seguros para a maioria dos adultos e que o consumo moderado de café está associado a benefícios cardiovasculares em alguns cenários.

Mas talvez a principal mensagem seja justamente esta: 400 mg é um limite de segurança, não uma meta diária.

Eu, pelo menos, vou continuar com meu cafezinho. E sem culpa. Mas também sem transformar a xícara em remédio ou achar que preciso beber mais para proteger o coração.

No fim das contas, o melhor cenário é aquele em que o café cabe na rotina sem exageros, ao lado de alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento da saúde.

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