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As maiores histórias de amor eternizadas em rótulos de vinho

Uma homenagem ao Dia dos Namorados

Contra Rótulo|Dado LancellottiOpens in new window

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Dia dos Namorados tem que ser celebrado com vinho Imagem gerada pelo Gemini Nano Banana

Hoje trago cinco histórias reais de amor, paixão, tragédia e devoção que deram origem aos vinhos mais românticos (e caros) do planeta. Muito além do brinde, um Contra Rótulo super especial!

O vinho e o amor compartilham o mesmo oxigênio. Ambos exigem tempo, paciência, resistem às mudanças do tempo e, quando atingem a maturidade, entregam uma complexidade inigualável.


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Neste 12 de junho, Dia dos Namorados, convido você a olhar para além do líquido na taça. Por trás de alguns dos rótulos mais reverenciados do mundo, existem promessas sussurradas, corações partidos e legados de casais reais que decidiram que a melhor forma de dizer “eu te amo” era moldando a própria terra.

✅ O casal mais poderoso da Borgonha: Volnay e o amor de Lalou Bize-Leroy

Madame Lalou Bize-Leroy, a grande dama da Borgonha Imagem gerada pelo Gemini Nano Banana

Na elite do vinho mundial, nenhum nome ecoa com tanta reverência e mistério quanto o de Lalou Bize-Leroy, a grande dama da Borgonha, e seu falecido marido, Marcel Bize.


Quando Lalou comprou os vinhedos que formariam o lendário Domaine Leroy, em 1988, muitos duvidaram de suas práticas biodinâmicas radicais. Marcel, no entanto, foi seu porto seguro, o homem que construía os alicerces para que ela pudesse revolucionar a vitivinicultura.

O Domaine Leroy Volnay 1er Cru é a definição líquida dessa parceria. Um vinho tinto de uva Pinot Noir que desafia as leis da natureza, intensamente perfumado, floral, com uma textura de seda que esconde uma força monumental.


Lalou tem hoje 94 anos e costuma dizer que conversa com as videiras. Após a morte de Marcel, em 2004, ela intensificou sua reclusão nos vinhedos. Cada garrafa de Volnay que sai de sua adega é tratada não como um produto comercial, mas como uma carta de amor enviada ao companheiro que partiu, traduzida em um dos vinhos mais caros e disputados no mercado e no mundo contemporâneo.

✅ O pacto de fogo no Douro: Dona Antónia Ferreira e o Porto da saudade

Dona Antónia Ferreira, a "Ferreirinha" Imagem gerada pelo Gemini Nano Banana

Se subirmos as encostas íngremes do Rio Douro, em Portugal, encontramos a história de Dona Antónia Adelaide Ferreira, a icônica “Ferreirinha”, considerada a maior lenda e uma verdadeira precursora do desenvolvimento do Vale do Douro e do Vinho do Porto.


No século 19, após ficar viúva muito jovem de um marido que esbanjava a fortuna da família, Antónia encontrou o amor verdadeiro em seu administrador, Francisco José da Silva Torres. Juntos, eles não apenas reconstruíram o império do Vinho do Porto, mas enfrentaram a terrível praga da filoxera que destruía a Europa.

O casal criou do zero a Quinta do Vesúvio, uma propriedade mística onde buscavam refúgio. Francisco faleceu antes de ver a consolidação total de alguns dos vinhedos, deixando Antónia com o coração partido, mas determinada.

Seu Porto Ferreira Vintage é um vinho símbolo dessa devoção e a expressão máxima da resiliência de Dona Ferreirinha. Feito apenas em anos de colheitas perfeitas, ele é um testemunho de um amor que sobreviveu à falência, à doença e ao tempo.

✅ O vinho que une corações no rótulo

Château Calor Ségur e seu rótulo de "coração" @contra_rotulo_Dado Lancellotti_Copyright

Se você procura um símbolo visual direto para este Dia dos Namorados, o ápice histórico pertence ao Château Calon-Ségur, em Bordeaux. No século 18, o Marquês Nicolas-Alexandre de Ségur era dono de nada menos que os icônicos e lendários Château Latour e Château Lafite (dois dos maiores vinhos do mundo).

No entanto, ele declarou seu amor eterno à sua vinícola de menor prestígio com a frase histórica: “Eu faço vinho em Lafite e Latour, mas meu coração está em Calon”. Desde então, até os dias de hoje, o rótulo do Calon-Ségur traz um enorme coração desenhado ao redor do nome do vinho — um Cabernet Sauvignon robusto e longevo que se tornou o presente definitivo dos namorados em todo o mundo.

✅O casamento entre o vinho e a arte contemporânea

Castello di Ama L'Apparita é o legado de um grande amor @contra_rotulo_Dado Lancellotti_Copyright

Eis uma trajetória em que o amor transformou não apenas um casal, mas toda uma região vinícola. Essa é a história de Lorenza Sebasti e Marco Pallanti e seu Castello di Ama.

Ela, filha de um dos fundadores romanos que compraram a propriedade abandonada nos anos 1970. Ele, um jovem e brilhante agrônomo e enólogo treinado em Bordeaux.

Quando Lorenza assumiu como CEO e Marco como diretor técnico, a conexão foi instantânea. Eles se casaram, tiveram três filhos e reconstruíram o coração de Gaiole in Chianti. Juntos, Lorenza e Marco desafiaram as convenções da época.

Eles não apenas colocaram o Castello di Ama no topo absoluto do Chianti Classico (com vinhos icônicos como o espetacular L’Apparita), mas fundiram suas paixões, criando o projeto "Castello di Ama per l’Arte Contemporanea“.

Trata-se de um legado de amor em que transformaram a vinícola em um museu a céu aberto, convidando alguns dos maiores artistas do mundo (como Anish Kapoor e Louise Bourgeois) para viver com eles na propriedade e criar obras de arte inspiradas no terroir.

Mesmo após decidirem seguir caminhos separados na vida pessoal anos mais tarde, o respeito, a cumplicidade profissional e o amor pela terra que construíram juntos continuam intactos, sendo ambos os grandes guardiões do local.

Em Ama (cujo nome ironicamente significa ‘amar’ em italiano), Lorenza e Marco provaram que o grande vinho, assim como o amor e a arte, é uma obra aberta que necessita de tempo, sensibilidade e cumplicidade para atingir a perfeição.

✅ E no Brasil, o amor que deu origem à Filosofia Purista

A Família Carraro Reprodução Site Lidiocarraro.com

O casal Lidio Carraro e Isabel Carraro protagoniza uma das mais belas e autênticas demonstrações de amor à família e à terra no Rio Grande do Sul. Lidio representa a terceira geração de viticultores da família no Vale dos Vinhedos.

Ao lado de sua esposa, Isabel, ele cultivava uvas que eram vendidas para grandes empresas. O casal compartilhava o sonho de um dia engarrafar a própria história, mas queriam fazer isso de uma forma completamente diferente de tudo o que existia.

Isabel, com sua sensibilidade e formação, foi a grande mentora psicológica e matriarcal por trás da criação da vinícola boutique Lidio Carraro. Juntos, o casal desenvolveu a “Filosofia Purista”: fazer vinhos de altíssima qualidade sem nenhum uso de madeira (barricas de carvalho), permitindo que a uva expresse o amor pelo solo de forma nua e crua.

O projeto foi uma construção de vida a dois, que posteriormente envolveu os filhos (Patrícia, Juliano e Giovanni). Enquanto Lidio cuidava do campo com o conhecimento ancestral, Isabel estruturava a alma do negócio.

Eles enfrentaram o ceticismo do mercado, que não acreditava em grandes vinhos tintos sem carvalho, amparados exclusivamente na confiança mútua. O resultado? Foram os vinhos oficiais da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil.

Neste 12 de junho, ao derrubar uma garrafa, lembre-se de que o que está na sua taça levou anos para ser construído. Assim como as grandes histórias de amor.

Saúde 🍷!

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