Logo R7.com
RecordPlus

Mortes do escritor Euclides da Cunha e do filho foram uma tragédia em dois atos

Veja como uma relação tumultuada levou a uma das tragédias mais impactantes da literatura brasileira

Histórias e Lembranças do Rio de Janeiro|Leonardo CohenOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Euclides da Cunha Filho, filho do famoso escritor, tentou matar Dilermando de Assis, mas acabou sendo morto em legítima defesa.
  • Anna de Assis, mãe de Euclides Filho, era casada com Dilermando, após um escandaloso caso amoroso que começou enquanto ela ainda estava com Euclides da Cunha.
  • Euclides da Cunha foi morto por Dilermando em 1909, após invadir a casa do rival armado, em um episódio conhecido como "A Tragédia da Piedade".
  • Após a separação de Anna e Dilermando devido a outra traição, ambos viveram em conflito até suas mortes em 1951.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Euclides da Cunha e seu filho viveram momentos de romance e vingança Reprodução/O Paiz

Dilermando consegue sair do cartório e desaba no meio da rua. O jovem aproxima-se para dar o tiro de misericórdia. Um funcionário do local tenta arrancar a arma do atirador e, durante a luta corporal, Dilermando puxa o próprio revólver e dispara, atingindo a mão do aspirante.

Em seguida, dispara mais duas vezes — o último tiro atinge a cabeça do rapaz, que cai no chão. Ambos são levados às pressas para o hospital (onde hoje funciona o Hospital Municipal Souza Aguiar). Dilermando sobrevive milagrosamente, mas o atirador não resiste.


Veja Também

O morto

Quem era o jovem que pretendia matar Dilermando de Assis? Para a surpresa de muitos, o agressor chamava-se Euclides da Cunha Filho, de 21 anos, conhecido pela família pelo apelido de Quidinho.

Sua mãe, Anna de Assis, era casada com Dilermando e quase enlouqueceu ao saber da tragédia. Naquele momento, Anna estava acamada, recuperando-se do parto de mais um filho com Dilermando.


Por que Quidinho tentou matar o padrasto?

Traição e amor: onde tudo começou

Antes de assinar Anna de Assis, ela era conhecida como Anna da Cunha. Essa mulher de fibra foi casada com o renomado escritor Euclides da Cunha, nacionalmente famoso após o lançamento de sua obra-prima, Os Sertões, em 1902.

No livro, Euclides descreve os desdobramentos da Guerra de Canudos, ocorrida no interior da Bahia, conflito que cobriu como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo.


Euclides era reconhecido por muitos como um homem inteligente e culto, porém de temperamento difícil e pouco sentimental. Anna sofria com suas rotinas severas e constantes viagens a trabalho.

Sozinha e criando três filhos, acabou apaixonando-se perdidamente por Dilermando de Assis — ele com 17 anos, e ela com 33. Os dois se conheceram em uma pensão no bairro do Flamengo, em 1905.


O caso virou um escândalo. Euclides da Cunha descobriu o relacionamento quando nasceu o primeiro filho de Anna e Dilermando. A partir daí, a convivência tornou-se insustentável. As brigas eram constantes e, por isso, Anna muitas vezes buscava refúgio na casa do amante.

A Tragédia da Piedade

Jornais da época deram bastante espaço para o crime Reprodução

No dia 15 de agosto de 1909, Euclides invadiu a casa de Dilermando, localizada na Estrada Real de Santa Cruz (atual Avenida Dom Hélder Câmara, no bairro da Piedade). Armado, o escritor entrou atirando e atingiu com dois disparos Dinorah, irmão de Dilermando, além de acertar quatro tiros no próprio rival.

Dilermando, então, pegou seu revólver e reagiu. Três disparos certeiros mataram o famoso escritor. Os jornais da época batizaram o episódio de “A Tragédia da Piedade”.

Dinorah, que era jogador do Botafogo, entrou em profunda depressão ao perder os movimentos das pernas em decorrência de uma bala que ficou alojada em sua coluna. Anos mais tarde, em um momento de desespero, lançou-se no Rio Guaíba, em Porto Alegre, morrendo afogado em 1921.

Já Dilermando foi absolvido nos dois julgamentos, pois a Justiça considerou que ele agiu em legítima defesa em ambos os casos. Ele e Anna viveram juntos por muitos anos e tiveram outros filhos.

Essa impressionante história de amor, traição e morte chegou ao fim quando Anna descobriu uma amante de Dilermando. O casal separou-se e passou a viver em constante conflito — brigas que só cessaram com a morte de ambos, em 1951. Uma paixão avassaladora que terminou marcada por tiros e tragédias.

Livros sobre o tema

  • Anna de Assis: a História de um Amor Trágico; de Jeferson de Andrade
  • Matar Para Não Morrer: a Morte de Euclides da Cunha e a Noite Sem Fim de Dilermando de Assis, de Mary Del Priore
Search Box

Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.