Maíra Cardi relata reação ao PMMA 20 anos após aplicação; médica explica os riscos
Dermatologista esclarece como a substância age no organismo e por que os problemas podem demorar anos para aparecer
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Um vídeo publicado por Maíra Cardi nas redes sociais reacendeu o debate sobre os riscos do PMMA (polimetilmetacrilato), substância utilizada em procedimentos estéticos e que, nos últimos anos, passou a ser alvo de alertas por parte de especialistas.
Nas imagens, a influenciadora relata ter realizado aplicações no rosto há cerca de 20 anos e afirma ter sido induzida por uma dermatologista a acreditar que o procedimento era seguro. Agora, segundo ela, enfrenta complicações decorrentes do produto.
Segundo a Dra. Ligia Novais, dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e fundadora da Sablier Clinique, o PMMA ganhou espaço em alguns consultórios por oferecer uma solução considerada permanente e de baixo custo. No entanto, ela destaca que “o PMMA nunca foi indicado ou bem recomendado”.
A médica ainda explica que, diferentemente do ácido hialurônico, que está presente naturalmente no corpo e é absorvido pelo organismo ao longo do tempo, o PMMA é um material sintético e definitivo. Sua permanência no organismo está justamente entre os fatores que tornam as possíveis complicações mais preocupantes.
De acordo com a especialista, os riscos podem surgir tanto imediatamente após a aplicação quanto muitos anos depois. “Em casos de aplicação inadequada, o produto pode bloquear o fluxo sanguíneo e provocar necrose, quando há morte do tecido afetado. Já entre as complicações tardias estão processos inflamatórios crônicos, rejeições, infecções e a formação de nódulos endurecidos”.
A forma como o organismo reage ao PMMA ajuda a explicar esses efeitos. Após ser injetado, o material é reconhecido pelo sistema imunológico como um corpo estranho. Como não consegue eliminá-lo, o organismo cria uma espécie de barreira de tecido fibroso ao redor das partículas.
“A resposta do corpo é isolar esse plástico, criando uma parede muito espessa de tecido fibroso. Esse ‘casulo’ que se forma ao redor do produto é o que gera volume definitivo”, explica a dermatologista.
Apesar de ser vendido no passado como uma solução permanente, a remoção do PMMA é possível (em alguns casos), mas está longe de ser simples.
Segundo Ligia Novais, o material pode se infiltrar entre músculos, gordura, nervos e vasos sanguíneos, tornando qualquer tentativa de retirada um procedimento complexo. Em muitos casos, a remoção cirúrgica exige a retirada de tecidos afetados, o que pode causar cicatrizes profundas e aumentar o risco de lesões nervosas.
Dependendo da situação, tratamentos menos invasivos podem ser considerados antes da cirurgia: “É preciso raspar ou cortar o tecido afetado. Mas, a depender do caso, antes de optar pela cirurgia, pode-se tentar a remoção via laser, em que o calor do laser age para quebrar as traves de fibrose e tenta “derreter” ou liquefazer a emulsão onde o PMMA está preso para que ele possa então ser aspirado por pequenas incisões".
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Ainda assim, a especialista alerta que raramente é possível remover totalmente o produto.
No vídeo, Maíra Cardi mostra algumas protuberâncias no rosto e afirma que o produto estaria “tentando sair” da pele. De acordo com a dermatologista, o que ocorre, na verdade, é uma reação inflamatória intensa do organismo. “O organismo dela ativou um processo inflamatório intenso para tentar expulsá-lo. É um caso de rejeição, que pode acontecer de forma tardia”.
Como o PMMA não é absorvido, a inflamação pode aumentar o volume dos tecidos ao redor e empurrar a pele para fora, criando a impressão visual de que o produto está sendo expelido.
“A resposta do corpo é isolar esse plástico, criando uma parede muito espessa de tecido fibroso. Esse ‘casulo’ que se forma ao redor do produto é o que gera volume definitivo”, explica.
Outro aspecto que chama atenção no relato da influenciadora é o intervalo de aproximadamente duas décadas entre a aplicação e o surgimento dos problemas. Segundo Ligia, esse comportamento não é incomum. “As complicações desse procedimento costumam ser tardias, surgindo em 10, 15 ou até 20 anos após a sua realização.”
Ela explica que o sistema imunológico pode conviver com o material por muitos anos sem apresentar sinais aparentes de rejeição. No entanto, fatores como infecções, alterações na imunidade ou mesmo o envelhecimento natural da pele podem desencadear uma resposta inflamatória tardia.
“É imprevisível dizer qual organismo vai rejeitá-lo tardiamente e qual vai aceitá-lo para sempre, pois as reações estão ligadas a fatores naturais e únicos de cada corpo.”
Por isso, a médica reforça que o histórico de ausência de sintomas não garante que complicações nunca irão surgir e que a aplicação do produto não é recomendada.
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