Cozinha pantaneira é destaque em evento que reúne chefs de todo o Brasil em MS
Com influências indígenas, paraguaias, bolivianas, japonesas e libanesas, a cozinha sul-mato-grossense reúne tradições

A culinária de Mato Grosso do Sul carrega marcas de diferentes povos, fronteiras e territórios. Ingredientes como mandioca, milho e carne de sol dividem espaço com receitas e técnicas influenciadas por países vizinhos e por comunidades que ajudaram a formar a identidade do Estado.
É essa diversidade que estará no centro do Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul, que será realizado pela primeira vez em Campo Grande, nos dias 14 e 15 de agosto.
Para o chef e pesquisador Paulo Machado, um dos responsáveis pela realização do evento, a gastronomia pode ser uma forma de apresentar ao restante do país uma região que, segundo ele, ainda é pouco conhecida pelos brasileiros.
“O Brasil ainda precisa conhecer o Brasil, e a gastronomia é um dos caminhos mais poderosos para essa descoberta”, afirma Machado.
A programação reúne chefs de diferentes regiões do país e profissionais ligados à cozinha sul-mato-grossense. A proposta, porém, vai além da apresentação de pratos: coloca em discussão a formação cultural da culinária local e a relação entre comida, território e memória.
Na aula que vai ministrar durante o evento, Paulo Machado pretende apresentar o bori-bori, preparação de origem paraguaia que também passou a fazer parte do repertório alimentar de Mato Grosso do Sul. A receita é um exemplo de como as fronteiras não impedem a circulação de ingredientes, técnicas e costumes.
“A nossa cozinha é resultado do encontro entre povos e territórios”, explica o chef. Segundo ele, influências do Paraguai e da Bolívia se somam a referências japonesas, libanesas e de outros grupos que contribuíram para a formação cultural do Estado.
Essa mistura também aparece nos ingredientes presentes no cotidiano sul-mato-grossense. Mandioca, milho e carne de sol estão entre os produtos que, associados à biodiversidade regional, ajudam a contar a história da alimentação no território.

A estreia do Mesa Ao Vivo em Mato Grosso do Sul ocorre em um momento em que a gastronomia também passou a ser tratada como uma ferramenta de valorização cultural e de atração turística. Durante os dois dias de programação, o público terá acesso a aulas, palestras, debates, experiências gastronômicas e atividades com produtores.
Entre os convidados estão nomes conhecidos da gastronomia brasileira, como Rodrigo Oliveira, Jefferson Rueda, Ivan Ralston, Mara Salles, Ian Baiocchi e Flávia Quaresma, além de chefs e cozinheiros ligados à produção regional.

A programação também inclui o festival Farofa do Brasil, com pequenos produtores, uma feira de vinhos nacionais e experiências relacionadas ao churrasco. Antes da abertura oficial, no dia 13 de agosto, haverá ainda uma noite de pizzas preparadas por chefs convidados.
Para Paulo Machado, reunir profissionais de diferentes partes do país em torno da culinária sul-mato-grossense ajuda a ampliar o debate sobre o que define a identidade gastronômica brasileira.
“Cultura também é gastronomia, e conhecer o Mato Grosso do Sul é conhecer um Brasil surpreendente”, diz.
O Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul será realizado no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande. A entrada é gratuita, mas as aulas e palestras exigem inscrição prévia e estão sujeitas à disponibilidade de vagas.
Mais informações: https://www.prazeresdamesa.com.br/mesa-mato-grosso-do-sul/
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