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CFM atualiza regras da cirurgia bariátrica e amplia acesso ao tratamento

A mudança também ocorre para os adolescentes

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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cirurgia bariátrica. SaúdeLAB

Há pouco mais de dois meses, fiz minha cirurgia bariátrica. Foi uma decisão que tomei com muita seriedade — e hoje posso dizer com convicção o quanto essa ferramenta pode transformar a vida de quem sofre com a obesidade.

Durante os exames pré-operatórios, descobri que tinha comorbidades como apneia do sono e gordura no fígado, mesmo com os exames de sangue aparentemente normais. Isso me mostrou como a obesidade pode estar afetando nosso corpo de formas silenciosas, e como o processo de investigação para a cirurgia pode revelar problemas que a gente nem imaginava.


E é justamente pensando em oferecer mais qualidade de vida para pessoas como eu que o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma nova resolução, atualizando as regras para a cirurgia bariátrica e metabólica. As mudanças facilitam o acesso ao procedimento e garantem mais segurança para os pacientes.

A nova regra, chamada Resolução CFM nº 2.429/25, substitui as anteriores e unifica os critérios para adultos e adolescentes.


O que mudou na prática?

Agora, quem tem IMC entre 30 e 35, e apresenta doenças como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares graves, apneia do sono, gordura no fígado com fibrose, entre outras, passa a ser elegível para a cirurgia. Pacientes com IMC acima de 40, ou entre 35 e 40 com comorbidades, continua com indicação como antes.

Estudos mostram que 60% das crianças obesas têm chance de desenvolver obesidade mórbida na vida adulta. Por isso, em casos bem avaliados, a cirurgia bariátrica pode ser indicada para adolescentes. Segundo especialistas, esse tratamento não prejudica o crescimento nem o desenvolvimento da puberdade, o que reforça sua segurança nessa faixa etária.


As duas técnicas mais comuns de cirurgia bariátrica IA

Por isso, a cirurgia agora pode ser feita a partir dos 14 anos, em casos de obesidade grave com complicações de saúde, desde que com avaliação de equipe médica especializada e consentimento dos responsáveis. Adolescentes entre 16 e 18 anos que se encaixem nos critérios dos adultos também poderão passar pela cirurgia.

O processo também se tornou menos burocrático. Antes, havia uma série de exigências: idade entre 30 e 70 anos, até 10 anos como diabético e pelo menos dois anos de acompanhamento médico. Agora, essas restrições foram retiradas, o que facilita o acesso ao tratamento.


A nova resolução também define que a cirurgia deve ser feita em hospitais com estrutura completa: UTI, equipe multidisciplinar e equipamentos adequados, especialmente para pacientes com IMC acima de 60, que apresentam mais riscos durante o procedimento.

Além disso, o CFM passou a não recomendar alguns procedimentos que eram permitidos anteriormente, com base em estudos mais recentes — tudo para garantir mais segurança para quem precisa da cirurgia.

Se você, assim como eu, vive com obesidade e já tentou outros caminhos, saiba que a cirurgia não é “o caminho fácil” — é uma ferramenta poderosa, sim, mas exige preparo, acompanhamento e uma grande mudança de vida.

Para mim, tem sido um recomeço, e ver essas novas regras do CFM me dá esperança de que mais pessoas possam ter acesso a esse cuidado com mais agilidade e acolhimento.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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