Bem-vindos ao marasmo da nossa vida, onde as pessoas estão cansadas de performar
No fundo, a maioria das pessoas só quer ser quem é, sem precisar transformar a própria vida em espetáculo
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Estou lendo um livro coreano chamado Bem-vindos à Livraria Hyunam-Dong. E talvez o mais curioso nele seja justamente aquilo que não acontece. Não há grandes conflitos, paixões arrebatadoras ou tragédias. Ninguém enriquece. Ninguém perde tudo. Algumas pessoas apenas vivem. Trabalham, tomam café, enfrentam o marasmo da rotina e encontram, naquela pequena livraria, um lugar de pausa e partilha.
Enquanto lia, pensei em como a cultura coreana invadiu o mundo nos últimos anos. E sabe por que acho que isso acontece? Porque as almas estão cansadas. Cansadas de performar.
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A performance é bonita para a personalidade. Impressiona, chama atenção, constrói máscaras interessantes pra gente publicar nas redes. Mas cansa.
Esses dias acabei me deparando com um vídeo de uma cantora muito performática no palco. Como aqueles poucos minutos de show me cansaram! A nossa própria performance nas redes sociais cansa. A obrigação de parecer feliz, produtivo, sofisticado, intenso o tempo inteiro cansa profundamente.
No fundo, acho que a maioria das pessoas só quer ser quem é. Com erros e acertos. Sem precisar transformar a própria vida em espetáculo e respirar aliviado por sentar na própria cadeira, mesmo sendo um banquinho de pé torto.
No fundo, a gente quer uma vida bonita. Ter um amor honesto, amigos que são pessoas de verdade, não influenciadores digitais. Ter conversas sinceras. Talvez algum desapego também. E aprender a repousar na paz dos “não-acontecimentos”.
E você pode estar se perguntando o que isso tem a ver com um blog de saúde e com a minha experiência como paciente oncológica. Ora, tem tudo a ver!
Uma doença grave, quando te coloca diante do limite da vida, abre os olhos como poucas coisas seriam capazes de abrir. Ela desmonta muitas ilusões e, aos poucos, reorganiza o valor das coisas.
Nunca esqueço de um dia completamente comum, andando pelo centro de Florianópolis, cidade onde vivi por três anos. De repente, caminhando pela calçada de paralelepípedos, indo a um lugar onde gostava de meditar, senti uma brisa fria e acolhedora tocar meu rosto. Meu coração esboçou um sorriso, que até refletiu nos meus lábios. Assim, sozinha. Foi um instante simples, quase invisível. Já faz mais de uma década, mas eu me lembro dele até hoje.
Por outro lado, às vezes abro a fatura do meu cartão e encontro parcelas de algo que comprei. E nem consigo lembrar o que era. Isso me instiga profundamente. As parcelas ficaram. A memória, não.
Porque, para a alma, aquilo nunca teve importância de verdade. O que realmente faz a vida valer a pena não é traído pela memória nunca!
Talvez seja por isso que, no meu aniversário (que foi domingo passado), eu não faça questão de receber presentes físicos. Gosto de ser presenteada com presença. Uma conversa boa, um telefonema. Um café com uma chuvinha boa lá fora… Uma brisa no rosto.
E acho que é exatamente por isso que a cultura coreana tenha conquistado tanta gente no mundo inteiro. Porque, em meio a tanto agito e necessidade de que coisas mirabolantes aconteçam, ela parece oferecer algo mais simples. Algo que não performa o tempo todo. Algo mais próximo do que nossa alma realmente precisa, e a gente nem se dá conta.
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