Confira 8 países da América do Sul que brasileiros podem conhecer sem passaporte
Argentina, Chile e Peru são alguns dos destinos da lista; facilidade não vale para quem pretende trabalhar, estudar ou morar no exterior
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Fazer a primeira viagem internacional não significa necessariamente enfrentar um longo processo para obter visto ou até mesmo apresentar um passaporte na imigração.
Para os brasileiros, alguns dos destinos mais interessantes para começar a explorar o exterior estão justamente na América do Sul, onde Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai possuem mecanismos que facilitam a entrada de turistas brasileiros com documento de identidade.
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Segundo orientação da Polícia Federal, brasileiros que viajam a turismo para países abrangidos pelos acordos regionais podem, em determinadas condições, utilizar a cédula de identidade em substituição ao passaporte.
O documento precisa estar em boas condições de conservação e permitir a identificação plena do viajante.
A facilidade transforma a América do Sul em uma das regiões mais acessíveis para quem pretende realizar a primeira viagem internacional. Mas existe uma diferença importante: não precisar de passaporte em uma viagem turística não significa viajar sem documentação nem ter autorização automática para trabalhar, estudar ou morar no país de destino.
RG, CIN ou passaporte: qual documento o brasileiro pode usar?
A expressão “viajar apenas com RG” é comum nas redes sociais, mas a regra exige alguns cuidados. A Polícia Federal informa que, para viagens de turismo aos países contemplados pelos acordos, a cédula de identidade pode substituir o passaporte, desde que esteja em condições adequadas para identificar o titular.
Documentos como CNH, carteira da OAB, CRM e certidões não substituem o documento de viagem para ingresso nesses países.
Também existe uma questão relacionada à antiguidade da identidade. Algumas orientações mencionam documentos emitidos há menos de dez anos, enquanto a própria Polícia Federal esclarece, em material mais detalhado, que o documento de identidade não possui prazo de validade definido por lei.
Na prática, porém, documentos muito antigos podem causar dificuldades com companhias aéreas ou autoridades justamente porque a fotografia pode não permitir a identificação adequada.
Por isso, para evitar problemas no embarque, a recomendação mais segura é viajar com documento de identidade recente, em bom estado e com fotografia que permita reconhecer claramente o titular. Quem possui a Carteira de Identidade Nacional (CIN) também deve conferir previamente as condições de aceitação junto às autoridades do país de destino e à companhia aérea.
Argentina: cultura, gastronomia e neve
A Argentina é uma das escolhas mais tradicionais dos brasileiros que desejam fazer uma primeira viagem internacional. Buenos Aires combina gastronomia, arquitetura, futebol, cultura e intensa vida urbana, enquanto destinos como Bariloche e outras regiões próximas à Cordilheira dos Andes atraem visitantes durante a temporada de neve.
A proximidade com o Brasil e a facilidade documental tornam o país uma alternativa especialmente interessante para quem quer começar a conhecer o exterior sem enfrentar procedimentos migratórios complexos.
Chile: Cordilheira dos Andes e paisagens impressionantes
Poucas horas de voo separam São Paulo de Santiago, e a chegada ao Chile já coloca o viajante diante de uma das paisagens mais marcantes da América do Sul: a Cordilheira dos Andes.
Durante o inverno, estações de esqui e áreas montanhosas próximas à capital chilena atraem milhares de brasileiros interessados em neve. É importante, porém, não tratar a ocorrência de neve como garantida apenas porque a viagem acontece entre julho e setembro. As condições dependem da altitude, da região e do comportamento climático de cada temporada.
Outro cuidado envolve o atendimento médico. Em orientação publicada em junho de 2026, o Consulado-Geral do Brasil em Santiago recomendou fortemente que turistas contratem seguro-viagem com cobertura para despesas médicas, hospitalares e remoção de emergência, já que o atendimento pode representar custos elevados para estrangeiros.
Peru: Machu Picchu e uma viagem pela história
O Peru oferece uma combinação de história, arqueologia, natureza e gastronomia que faz do país um dos destinos mais interessantes da América do Sul.
Lima, Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu estão entre os principais atrativos. Para quem realiza a primeira viagem internacional, o país proporciona uma experiência cultural bastante diferente sem a necessidade de atravessar o Atlântico.
Colômbia: cidades vibrantes e Caribe
A Colômbia permite combinar experiências bastante diferentes dentro de uma mesma viagem. Bogotá reúne museus, gastronomia e história, enquanto Medellín se consolidou como importante destino turístico. Já Cartagena combina patrimônio histórico com o litoral do Caribe.
Quem viajar utilizando conexões em um terceiro país, porém, precisa conferir também as regras migratórias e de trânsito do local de conexão. Mesmo que o destino final permita a entrada facilitada do brasileiro, o país utilizado durante a conexão pode ter exigências próprias.
Uruguai: uma primeira viagem perto de casa
Montevidéu, Punta del Este e Colônia do Sacramento estão entre os destinos mais conhecidos do Uruguai.
A proximidade geográfica com o Brasil permite diferentes possibilidades de roteiro, inclusive por via terrestre, especialmente para quem parte da Região Sul. Para muitos brasileiros, pode ser uma das maneiras mais simples de viver pela primeira vez a experiência de atravessar uma fronteira internacional.
Paraguai: muito além das compras
O Paraguai costuma ser associado pelos brasileiros a Ciudad del Este e ao turismo de compras, mas o país também oferece atrações históricas, culturais e naturais.
Mesmo em uma viagem curta, é importante lembrar que a passagem pela fronteira representa uma entrada internacional. Por isso, o viajante deve estar com a documentação adequada e observar os procedimentos migratórios exigidos.
Bolívia: Salar de Uyuni e paisagens únicas
A Bolívia oferece algumas das paisagens mais diferentes do continente. O Salar de Uyuni, uma gigantesca planície de sal, tornou-se uma das imagens mais conhecidas do turismo boliviano.
La Paz, o Lago Titicaca e as paisagens do altiplano também fazem parte dos principais roteiros. Como alguns desses destinos estão localizados em grandes altitudes, o planejamento da viagem deve levar em consideração os efeitos que a altitude pode provocar no organismo.
Equador: Andes, Pacífico e Galápagos
Apesar de possuir um território relativamente pequeno, o Equador reúne experiências bastante variadas. Quito, vulcões, paisagens andinas, litoral do Pacífico e as famosas Ilhas Galápagos estão entre as possibilidades para o viajante.
Outro aspecto que chama atenção é a utilização do dólar dos Estados Unidos como moeda oficial, característica que deve ser considerada na organização do orçamento da viagem.
Turismo não significa autorização para trabalhar ou morar
Esse é um dos pontos mais importantes para quem pretende aproveitar a facilidade documental oferecida na América do Sul.
A possibilidade de utilizar um documento de identidade em substituição ao passaporte está relacionada, principalmente, à viagem turística. Quando o objetivo é trabalhar, estudar, morar, realizar determinado tratamento de saúde ou exercer outra atividade que não seja turismo, as regras podem mudar e o passaporte pode voltar a ser exigido, além de eventual visto ou autorização migratória específica.
Por isso, não se deve interpretar uma facilidade de entrada turística como se ela significasse que o brasileiro pode simplesmente se estabelecer no país.
É possível morar em outro país sul-americano?
Sim, mas nesse caso entra em cena outro mecanismo migratório.
A Polícia Federal mantém documentação relacionada ao Acordo de Residência do Mercosul, que envolve Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. O acordo estabelece mecanismos específicos para residência entre cidadãos dos países participantes, mas isso não deve ser confundido com a entrada como turista.
Quem pretende morar, trabalhar ou estudar em outro país precisa verificar previamente a categoria migratória adequada e cumprir as exigências estabelecidas pelas autoridades locais.
Mesmo sem obrigação, vale a pena ter passaporte?
Para quem pretende viajar com frequência, o passaporte continua sendo uma opção vantajosa.
O documento amplia as possibilidades de viagem e pode ser necessário quando o roteiro envolve países fora dos acordos regionais. Ele também pode facilitar determinadas conexões internacionais e evitar que o viajante precise adaptar todo o itinerário às regras de circulação com documento de identidade.
As conexões merecem atenção especial. Uma viagem para um destino sul-americano pode envolver trânsito por outro país, e as exigências migratórias desse território devem ser verificadas separadamente.
Famílias com crianças precisam de atenção especial
Quem viaja com crianças e adolescentes deve verificar não apenas o documento de identidade ou passaporte, mas também as regras relacionadas à autorização de viagem internacional para menores.
O Consulado-Geral do Brasil em Santiago, por exemplo, mantém orientações específicas para menores e recomenda que os responsáveis verifiquem antecipadamente os requisitos aplicáveis junto às autoridades migratórias chilenas.
Essa conferência é especialmente importante quando o menor viaja desacompanhado, acompanhado por apenas um dos responsáveis ou na companhia de terceiros.
O que conferir antes de comprar a passagem?
As facilidades existentes na América do Sul tornam esses países excelentes opções para a primeira viagem internacional de um brasileiro, mas as regras devem ser verificadas antes da compra da passagem e novamente próximo ao embarque.
O viajante deve conferir qual documento é aceito, o estado de conservação da identidade, as regras de entrada, eventuais exigências sanitárias, a documentação necessária para menores, as regras das conexões, o prazo autorizado de permanência e qualquer exigência adicional relacionada à finalidade da viagem.
Também é importante lembrar que a companhia aérea realiza sua própria conferência documental antes do embarque e que as regras migratórias podem ser alteradas pelas autoridades.
América do Sul pode ser a porta de entrada para o mundo
A primeira viagem internacional não precisa começar do outro lado do planeta.
Neve na Cordilheira dos Andes, Machu Picchu, praias do Caribe, Salar de Uyuni, grandes capitais, gastronomia e cidades históricas estão a poucas horas do Brasil. A possibilidade de viajar a turismo para diversos países sul-americanos utilizando um documento de identidade aceito torna a região ainda mais atraente para quem deseja conhecer o exterior pela primeira vez.
Mas a facilidade não elimina as regras. Documento de identidade não significa ausência de controle migratório, assim como entrada sem visto para turismo não representa autorização para trabalhar ou morar.
Para quem está planejando a primeira experiência internacional, entender exatamente qual documento é aceito e qual finalidade de viagem está autorizada é o primeiro passo para embarcar com tranquilidade e aproveitar tudo o que a América do Sul tem a oferecer.
Para brasileiros, a região pode ser muito mais do que uma viagem de estreia: pode ser a porta de entrada para conhecer o mundo.
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