‘Se Eu Fosse Você 3' repete fórmula, mas não alcança força dos primeiros filmes
Quase 20 anos depois, franquia volta com Cleo Pires e Rafael Infante no centro da troca de corpos
Cine R7|Do R7
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Será que um raio pode cair três vezes na mesma família? Quase 20 anos depois do segundo filme, Se Eu Fosse Você 3 marca o retorno de uma das comédias mais populares e divertidas do cinema nacional.
Dirigida por Anita Barbosa, a produção estreia nos cinemas nesta quinta-feira (8) e traz novamente Cláudio e Helena, vividos por Tony Ramos e Glória Pires. Desta vez, porém, a troca de corpos acontece em uma nova geração, com Bia (Cleo Pires), filha do casal, e seu companheiro, Aquiles (Rafael Infante).
O longa já começa apostando na nostalgia. A abertura no espaço e a 9ª Sinfonia de Beethoven, presentes nos filmes anteriores, dão ao público um gostinho familiar antes mesmo de a nova história começar. É uma maneira eficiente de retomar a identidade da franquia e preparar o espectador para o que vem pela frente.
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A partir daí, Se Eu Fosse Você 3 deixa Cláudio e Helena um pouco mais de lado para acompanhar Bia e Aquiles. Enquanto os pais estão viajando pela China, o casal enfrenta problemas no relacionamento.
Ela é chef de cozinha e está focada no sucesso profissional, enquanto ele trabalha com esportes radicais e sonha em ser pai. São desejos diferentes que ajudam a estabelecer o conflito desta nova história e dão à troca de corpos uma função que vai além da comédia.
Ao viverem a rotina um do outro, Bia e Aquiles são obrigados a lidar com conflitos que antes pareciam pertencer apenas ao parceiro. A dinâmica recupera uma das ideias centrais da franquia: a tentativa de exercitar a empatia ao ocupar o lugar do outro, sem transformar essa mensagem em um panfleto.
A proposta continua simples e funciona como ponto de partida para situações divertidas, ainda que não consiga alcançar a mesma força dos filmes anteriores. A nova dupla não produz o mesmo efeito cômico de Tony Ramos e Glória Pires, que continuam insubstituíveis dentro da franquia.
Nos primeiros filmes, havia um estranhamento maior em ver os atores assumindo os trejeitos um do outro. Tony, cuja imagem o público associa imediatamente a um símbolo de masculinidade, interpretando Helena, era uma fonte natural de humor, assim como Glória assumindo Cláudio.
Por isso, quando surgem nesta nova história, mesmo aparecendo pouco, os dois geram uma sensação de reencontro, deixando ainda mais clara a força que têm dentro da fórmula.

O fato de outras pessoas saberem da troca de corpos também reduz a graça. Nos filmes anteriores, esconder o que estava acontecendo era parte importante da confusão e criava situações cômicas por si só.
Apesar disso, Rafael Infante tem bom timing cômico e funciona bem como Aquiles, especialmente nas situações provocadas pela inversão. O ator consegue construir um personagem impulsivo e mais expansivo, enquanto Cleo Pires encontra um registro diferente ao interpretar o companheiro depois da troca.
Como Bia, a atriz apresenta uma personagem mais determinada e concentrada na carreira, que se distancia da Helena dos primeiros filmes e ajuda a dar identidade própria a esta nova fase da franquia. Quando passa a viver no corpo do companheiro, Cleo explora justamente o contraste entre essa personalidade e o jeito de Aquiles, criando alguns dos momentos mais interessantes da dupla.
O filme poderia, porém, aproveitar melhor os dois protagonistas, com maior espaço para explorar as possibilidades que a inversão oferece. Anita Barbosa, que foi assistente de direção dos dois primeiros filmes, conhece bem o universo que está conduzindo, mas sua direção aposta mais na eficiência do que na invenção.
A história avança sem grandes sobressaltos, as situações são bem conduzidas e os atores têm espaço para explorar a troca de corpos. No humor, porém, a condução é menos ousada.
Se Eu Fosse Você 3 poderia se permitir mais momentos de exagero, daquele pastelão que fazia parte do charme dos filmes anteriores e ajudava a transformar o fato de um homem e uma mulher estarem presos no corpo um do outro em uma sucessão de cenas absurdas.
No entanto, o elenco de apoio traz alguns dos bons momentos da produção. Valentina Daniel se destaca nesse núcleo. Neta de Daniel Filho, diretor dos dois primeiros filmes e que agora retorna como supervisor, ela interpreta a filha de Bia e enteada de Aquiles. Cativante, a personagem ajuda a ampliar a dinâmica familiar e mostra que a franquia consegue criar novos vínculos sem depender apenas da nostalgia.
Já Rosi Campos funciona especialmente bem como a vizinha fofoqueira. A atriz traz um humor mais próximo daquele espírito popular que marcou a franquia e ganha boas cenas sempre que aparece.
No fim, Se Eu Fosse Você 3 é divertido e leve, além de conseguir apresentar uma história nova sem abandonar a fórmula que tornou a franquia conhecida. Mas não chega aos pés dos anteriores. Falta um pouco daquele humor mais escrachado e da sensação de que qualquer coisa poderia acontecer depois que o raio atingisse novamente a família.
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