Botox demais: abrir mão dos mais velhos pode paralisar jornalismo
Ao demitir e escantear jornalistas veteranos, Globo arrisca matéria prima essencial para a informação com credibilidade: a experiência
Keila Jimenez|Do R7 e Keila Jimenez

A palavra da ordem no jornalismo da Globo é renovação! Seja ela planejada ou não.
Nos últimos meses, a emissora viu alguns de seus melhores repórteres e apresentadores deixarem o canal. Uns saíram por vontade própria, outros, envolvidos em polêmicas. Mas, no que diz respeito ao time veterano, o escanteamento é evidente.
Ok! Envelhecer na TV é cruel. Cruel em HD, 3D, 4K, com rugas e cabelos brancos em alta definição. Mais cruel ainda com as mulheres, que são muito mais cobradas que os homens nesses padrões.
Passar a casa dos 50 na bancada é nadar contra a corrente, dizem as âncoras.
Aos 51 anos, Sandra Annemberg era uma rara exceção na emissora. Era.
A jornalista deixou o comando do 'Jornal Hoje' rumo ao 'Globo Repórter'. Foi um susto para muitos...
Apesar de garantir estar 'feliz' com a nova empreitada, Sandra não esperava. Não agora, com saída do companheiro de 'JH' Donny de Nuccio, em meio a polêmicas. Foi substituída de supetão por Maju Coutinho, 40 anos.
Sandra vai para um 'Globo Repórter' líder de audiência, mas que passa longe do prestígio de anos atrás e é conhecido na Globo como um lugar para 'encostar' jornalistas renomados da velha guarda. Lá estava Sérgio Chappellin, que está deixando a emissora.
Sandra não teve outra opção. Ou migrava para o 'GR' para dividir holofotes com Glória Maria, ou deixava a casa.
Outros não tiveram a mesma sorte. Jornalistas mais antigos e com salários altos, como, Marcio Canuto, Fernando Rocha, Ernesto Lacombe, Abel Neto e Maurício Kubrusly, acabaram dispensados, assim como Carla Vilhena e Tonico Ferreira. Outros, como Tino Marcos e Marcos Uchôa, saíram em período sabático, já de olho no que querem fazer da vida ao se aproximarem da marca do pênalti na emissora .
Na TV, a busca por algo que renove a programação e a audiência é constante e passa consequentemente pela descoberta de novos rostos, novos talentos... Mas essa não deveria ser a premissa maior quando o assunto é informação, notícias.
Estofo e referência são bússolas no jornalismo.
Trocar a todo custo experiência por novidade pode ser uma overdose de Botox na credibilidade. Em vez de rejuvenescer, paralisa.














