Jornalistas e apresentadores não podem chorar, nem se despedir
As recentes mudanças no jornalismo da Globo têm algo em comum: apresentadores que somem do dia para a noite, sem a chance de dizer 'adeus'
Keila Jimenez|Do R7 e Keila Jimenez

As recentes mudanças no jornalismo da Globo, com contratos não renovados, trocas de função e profissionais estocados na geladeira têm algo em comum: nada de choro, nem vela. Ou melhor. Nada de choro, nem de despedidas.
Em um ano, a Globo perdeu mais de doze de seus maiores nomes do jornalismo, que não tiveram contratos renovados.
Com exceção de Fernanda Gentil, que deixou o "Esporte Espetacular" em dezembro, nenhum dos apresentadores ou jornalistas da emissora puderam dizer 'adeus', ou um 'até breve' para o seu público.
Entendo que despedidas tornam as mudanças em uma empresa ainda mais complicadas. Pior ainda na TV, onde o espectador está sempre como Leandro e Leonardo: não aprendeu a dizer adeus. O medo do 'desabafo' sincero dos que partem é grande.
Agora, me explica que tática é essa a de deixar o público se sentir 'abandonado' ou 'enganado' ao simplesmente ligar a TV e ver que o apresentador sumiu?
Após 34 anos de Globo, Carla Vilhena deixou o canal sem poder se despedir. Ficou arrasada.
Com Tonico Ferreira, Abel Neto foi o mesmo. Milena Machado simplesmente sumiu do comando do 'Auto Esporte'.
Em janeiro, após 22 anos de Globo, Sérgio Aguiar deixou o 'Em Pauta', da GloboNews, de surpresa. Tinha dito um 'até amanhã', no programa do dia anterior.
Fernando Rocha chegou a gravar a chamada do 'Bem Estar' no dia em que desapareceu da atração. Na sequência, Mariana Ferrão foi trocada por Michelle Loreto, do dia para noite, como um truque do Mister M.
Em março, Cris Dias deixou o "Globo Esporte" sem poder dizer 'adeus'.
Nesta semana, foi de cortar o coração da cena de Ivan Moré, comandante do 'Globo Esporte' nos últimos quatro anos, fazendo uma chamada do programa com os olhos vermelhos e inchados.
Ivan, que é uma figura muito querida dentro e fora da Globo, fora avisado horas antes pela direção que seria afastado da atração que tanto ama.
Assim como foi com os outros jornalistas, a ordem era seguir adiante, como se nada tivesse acontecido.
Mas maquiagem alguma seria capaz de ocultar a tristeza nos olhos do apresentador nesta semana. Torço para que ele consiga se despedir no ar, ao deixar de vez o programa honrosamente, ainda neste mês.
O espectador merece ser respeitado.
Despedidas doem, sempre. 'Desaparecimentos' na TV são constrangedores e doem muito mais.














