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Pai de cachorro

Crueldade contra animais não é entretenimento

Campanha global e pressão por leis mais rigorosas movimentam a proteção dos animais

Pai de Cachorro|Celso ZucatelliOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater uma lei contra conteúdos que exploram a violência contra animais na internet.
  • A campanha "Animal Safety", liderada pela Ampara Animal, busca responsabilizar plataformas digitais pela circulação de material relacionado a maus-tratos.
  • O Projeto de Lei 1043/2026 visa punir tanto os autores de crueldade quanto as plataformas que permitem a divulgação desse tipo de conteúdo.
  • Existe uma mobilização global para pressionar por mudanças, incluindo uma petição com meta de um milhão de assinaturas e a colaboração de influenciadores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Como a internet amplifica a violência contra os animais e a luta por mudanças urgentes Reprodução/Magnific

Hoje, às 10h da manhã, a Câmara dos Deputados faz audiência pública para debater lei de combate ao conteúdo que explora violência na internet.

A sensação é de déjà vu — mas isso muito piorado. E eu explico o motivo. Se os casos de maus-tratos contra animais já chocavam quando apareciam em reportagens isoladas, hoje eles circulam livremente nas redes sociais, muitas vezes apresentados como “entretenimento”.


Isso mesmo que você leu: gente que maltrata, tortura e mata animais inofensivos como “produção de conteúdo”. Parece inacreditável, mas está acontecendo.

É claro que, quando imaginamos crianças e jovens gravando isso ou assistindo a estes vídeos revoltantes, temos que alertar pais e responsáveis, como sempre, sobre a necessidade URGENTE de saber o que nossos filhos fazem no ambiente digital. Mas só isso não é suficiente.


Contra essa banalização e até uso da violência como entretenimento, surge a campanha global “Animal Safety”.

A iniciativa é liderada no Brasil pela Ampara Animal, maior organização de proteção animal do país, que decidiu, além de denunciar, pedir a responsabilização de plataformas digitais e leis claras contra crimes que envolvam crueldade animal no ambiente online.


Quando a crueldade vira conteúdo

Não é exagero dizer que existe um ecossistema digital que recompensa a violência. Vídeos com sofrimento animal — muitos deles explícitos — acabam impulsionados por algoritmos, gerando visualizações, compartilhamentos e, em alguns casos, até monetização.

É aí que mora o problema.


A internet, que deveria ser um espaço de informação e conexão, também virou palco para práticas que antes ficavam escondidas. E o mais preocupante: com audiência.

“A crueldade não pode continuar sendo tratada como conteúdo”, defende a campanha. E, olhando o cenário atual, fica difícil discordar.

Pressão por leis mais duras

Um dos pilares do movimento é o avanço legislativo. A Ampara colabora com a criação do Projeto de Lei 1043/2026, que pretende responsabilizar não apenas quem pratica os maus-tratos, mas também quem permite que esse tipo de material circule.

O texto já foi entregue a um deputado federal que atua na defesa dos direitos dos animais. A expectativa é que o tema avance no Congresso com apoio técnico e pressão popular. Por isso, precisamos ajudar compartilhando.

E aqui vale uma reflexão importante: enquanto leis avançam lentamente, o conteúdo violento continua sendo publicado em tempo real.

O papel das plataformas (que ninguém quer assumir)

Outro ponto sensível da campanha é a cobrança direta sobre empresas de tecnologia. Redes sociais e plataformas de vídeo ainda enfrentam dificuldades — ou falta de interesse — em conter esse tipo de material de forma eficaz.

A coalizão com a Social Media Animal Cruelty Coalition reforça esse argumento com dados preocupantes: só em 2024, mais de 83 mil links com conteúdo de crueldade animal foram identificados online.

Não estamos falando de casos isolados. Estamos falando de escala.

Violência organizada no ambiente digital

Talvez o ponto mais perturbador seja revelado por investigações conduzidas pela delegada Lisandrea Salvariego, da Polícia Civil de São Paulo.

O que ela encontrou não são apenas vídeos chocantes, mas verdadeiras comunidades organizadas. Grupos com hierarquias, desafios e até sistemas de recompensa baseados em violência — inclusive contra animais.

Sim, existe uma lógica por trás disso. E ela cresce à medida que encontra espaço livre na internet.

Mobilização global e pressão popular

A campanha “Animal Safety” também aposta na força coletiva. Uma petição internacional já está no ar na Change.org, com a meta ambiciosa de alcançar um milhão de assinaturas.

Além disso, a criação de um hub digital e o envolvimento de influenciadores e artistas fazem parte da estratégia para ampliar o alcance da causa.

Porque, no fim das contas, a mudança não vem só de leis — vem de pressão social.

O limite precisa existir

A internet não é — ou não deveria ser — um território sem regras. E, quando se trata de violência contra animais, a omissão também é uma forma de participação.

A campanha levanta um debate urgente: até quando vamos aceitar que sofrimento vire conteúdo?

Talvez a resposta esteja justamente no que a “Animal Safety” propõe — transformar indignação em ação.

Porque ignorar já não é mais uma opção.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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