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Abelhas chocam cientistas ao resolver teste de inteligência comparado ao de chimpanzés

Pesquisa revela que insetos usaram uma bola como escada para alcançar recompensa em experimento considerado complexo

Bichos|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Abelhas mamangavas surpreenderam cientistas ao resolver problemas complexos em um experimento inspirado em testes com chimpanzés.
  • O estudo, liderado por Olli Loukola, mostrou que as abelhas usaram uma bola como banquinho para alcançar uma recompensa.
  • Quase três quartos das abelhas conseguiram resolver o problema na primeira tentativa, superando as expectativas dos pesquisadores.
  • Os resultados indicam que insetos com cérebros pequenos podem demonstrar capacidades cognitivas complexas, sugerindo que há muito a aprender sobre seu comportamento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

No estudo, as abelhas descobriram como alcançar uma recompensa fora de seu alcance Mikko Törmänen/University of Oulu

Abelhas mamangavas surpreenderam cientistas ao demonstrar capacidade de resolver problemas complexos de forma espontânea, em um experimento inspirado em testes clássicos já realizados com chimpanzés, aves e elefantes. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, e publicado na revista científica Science.

A pesquisa foi liderada pelo ecólogo comportamental Olli Loukola, que queria descobrir se insetos com cérebros extremamente pequenos também seriam capazes de encontrar soluções criativas para alcançar uma recompensa fora do alcance imediato.


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O experimento teve como inspiração um teste criado há mais de um século pelo psicólogo alemão Wolfgang Köhler. Na experiência original, um chimpanzé precisava empilhar caixas para alcançar uma banana suspensa no alto. O sucesso do animal foi interpretado como prova de solução espontânea de problemas, sem treinamento prévio.

Décadas depois, versões semelhantes do teste foram aplicadas em aves e elefantes, que também conseguiram resolver o desafio. Loukola decidiu adaptar a experiência para as abelhas, mas precisou modificar o cenário porque os insetos conseguem voar.


Os pesquisadores primeiro ensinaram as abelhas a associar um pequeno círculo azul a uma recompensa doce. Segundo Loukola, os insetos aprendem rapidamente essa relação e passam a procurar qualquer objeto azul em busca de alimento.

Depois disso, os cientistas posicionaram apenas o círculo azul no teto de uma pequena estrutura em formato de disco. O espaço era propositalmente apertado: alto demais para que as abelhas alcançassem o teto em pé, mas estreito o suficiente para impedir o voo.


Dentro do compartimento havia apenas uma pequena bola de isopor. As gravações mostraram que as abelhas começaram a empurrar e rolar a bola pelo espaço interno.

Em muitos casos, os insetos moveram a esfera exatamente para baixo do círculo azul. Em seguida, subiram na bola, usando o objeto como uma espécie de banquinho para tocar o teto e alcançar a recompensa.


Segundo os pesquisadores, quase três quartos das abelhas conseguiram resolver o problema já na primeira versão do teste. O resultado surpreendeu a equipe, que não esperava uma taxa de sucesso tão alta.

Loukola afirmou que planejou o experimento para ser realmente desafiador, exigindo que os insetos entendessem a tarefa para concluí-la corretamente.

Mesmo assim, os cientistas consideraram a possibilidade de que as abelhas apenas estivessem brincando com a bola por acaso, sem intenção real de alcançar o alvo. Para testar essa hipótese, uma nova etapa foi criada.

Na segunda versão do experimento, barreiras foram instaladas dentro do compartimento para esconder parcialmente o círculo azul. A bola também passou a ficar em outro ponto da estrutura, distante da recompensa.

Ainda assim, cerca de 80% das novas abelhas testadas conseguiram mover a bola até o local correto e utilizá-la para alcançar o objetivo.

Para Loukola, os resultados indicam que os insetos demonstraram capacidade de resolver problemas de forma espontânea, algo considerado raro em animais com cérebros tão pequenos, do tamanho aproximado de uma semente de gergelim.

Loukola afirma que as descobertas reforçam a ideia de que ainda há muito a aprender sobre o comportamento desses insetos. Ele pretende investigar no futuro pequenos movimentos corporais e gestos que possam indicar o momento exato em que as abelhas encontram a solução para um problema.

O pesquisador também cogita a possibilidade de, um dia, conseguir registrar imagens da atividade cerebral das abelhas enquanto elas resolvem desafios semelhantes aos do estudo atual.

Para ele, os limites cognitivos das abelhas ainda estão longe de serem totalmente compreendidos.

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