Casal usa parapente para ensinar pássaros raros a viajar até a Espanha para escapar do frio
Pesquisadores cruzam países europeus ao lado dos animais para recriar uma rota desaparecida há séculos
Bichos|Do R7
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Um casal de ambientalistas percorreu mais de 2,6 mil quilômetros de parapente para ensinar um grupo de aves ameaçadas de extinção a migrar até a Espanha. A cena impressionante, registrada pelo fotógrafo Gunnar Hartmann, venceu a edição de 2026 do concurso Scientist at Work, promovido pela revista científica Nature.
Helena Wehner e Johannes Fritz integram o Waldrappteam, grupo austríaco dedicado à recuperação do íbis-eremita-do-norte, uma das aves mais raras do mundo. A espécie desapareceu da Europa há mais de 400 anos e, com isso, perdeu seu instinto natural de migração.
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Para contornar o problema, os pesquisadores criam os filhotes e estabelecem com eles um forte vínculo desde as primeiras semanas de vida. As aves passam a reconhecer os cuidadores como figuras parentais e seguem suas orientações durante os deslocamentos.
A fotografia vencedora mostra 36 aves sobrevoando campos da Andaluzia, no sul da Espanha, durante a etapa final de uma jornada que durou 50 dias. Os filhotes nasceram em abril de 2024, na Áustria, e passaram por três meses de treinamento na Baviera, região da Alemanha, onde aprenderam a seguir uma aeronave ultraleve.
Segundo Hartmann, o vínculo criado entre os animais e seus cuidadores é tão forte que eles acompanham o grupo por milhares de quilômetros. O fotógrafo registrou a imagem em uma manhã fria de setembro, na província espanhola de Jaén, quando a equipe enfrentava dificuldades para manter as aves motivadas a continuar a viagem.
A expedição começou em agosto e terminou em outubro. Após a chegada, as aves foram mantidas temporariamente em um viveiro para se adaptarem ao novo ambiente antes da soltura. A expectativa é que, quando atingirem a maturidade sexual, retornem às áreas de reprodução para formar novas gerações.
Originalmente, os íbis-eremitas-do-norte migravam para a Itália, atravessando os Alpes austríacos. No entanto, os pesquisadores afirmam que as mudanças climáticas enfraqueceram as correntes térmicas necessárias para a travessia das montanhas, tornando a rota mais difícil. Por isso, a equipe passou a conduzir as aves até a Espanha.
O objetivo do projeto é que os animais libertados retornem sozinhos às áreas de reprodução a partir do terceiro ano de vida e, futuramente, liderem os deslocamentos das gerações seguintes, criando uma nova tradição migratória independente.
A tarefa, porém, está longe de ser simples. Em 2025, ventos fortes e chuva impediram que um grupo concluísse o trajeto até a Andaluzia. Algumas aves também ficaram feridas após colidirem com uma linha de transmissão de energia.
Neste ano, 32 novos filhotes já nasceram e devem iniciar o treinamento com aeronaves ultraleves em julho. Os pesquisadores esperam repetir o sucesso da experiência e ampliar a população selvagem da espécie na Europa.
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