Análise: Sobre suicídios e os propósitos em nossas vidas
Celebridades com vidas invejáveis decidem não mais viver, nos deixando muitas perguntas sem respostas
Patricia Lages|Patrícia Lages

As mortes repentinas da estilista Kate Spade e do chef de cozinha, escritor e apresentador de TV Anthony Bourdain pegaram a todos de surpresa. Ela, uma americana de 55 anos, personalidade do mundo da moda, criadora de uma grife de sucesso mundial. Ele, também americano, um aventureiro de 61 anos que viajou pelo globo conhecendo as mais diversas culturas e provando as melhores iguarias gastronômicas.
Quem imaginaria que pessoas com posições tão glamourosas fossem capazes de colocar um ponto final às suas vidas tão invejáveis? Afinal de contas, as coisas que a maioria das pessoas do mundo todo buscam faziam parte integrante do dia a dia de ambos: dinheiro, viagens em primeira classe, boa comida, roupas de qualidade, muitos amigos — vários deles famosos —, serem convidados para as festas mais concorridas, enfim, celebridades com direito a um pacote completo de “benefícios”.
Mas além da pergunta que geralmente se faz — por quê? — ficam tantas outras rondando os pensamentos das pessoas mais próximas. Como eu pude não perceber que algo não estava bem? Por que não reconheci os sinais? Por que não prestei mais atenção? E a falta de respostas só faz aumentar a dor da perda.
O que Kate e Anthony tinham em comum além de tudo o que foi dito? Depressão. Considerada o mal do século XXI, juntamente com a síndrome do pânico, a depressão tem sido uma verdadeira epidemia que não escolhe classe social, nível cultural ou nacionalidade.
Obviamente não tenho conhecimento sobre a depressão em si, e pelo que temos visto, nem mesmo a própria medicina tem. Mas uma coisa é certa: se é glamour, fama e dinheiro que as pessoas têm buscado para se sentirem mais felizes e realizadas, o caminho não é esse.
Vivemos apressados, correndo de um lado para outro nos sentindo o tempo todo atrasados, sempre aquém do que esperam de nós e quase nunca sendo considerados bons o bastante. É hora de buscar equilíbrio, de trabalhar sem deixar de viver, de olhar sem deixar de ver, de escutar sem deixar de dar ouvidos, sem deixar que a proximidade da tecnologia nos distancie das pessoas que realmente importam.
Muito se fala hoje em dia de trabalho com propósito, porém, temos que ir mais além, pois a vida não é só trabalho. Temos que buscar uma existência com propósito e entendermos de uma vez por todas que o novo milionário não é aquele que acumula um milhão de reais, mas sim, aquele que faz a diferença na vida de um milhão de pessoas, sendo que a primeira delas, somos nós mesmos.
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