Logo R7.com
RecordPlus
Keila Jimenez - Blogs

'Longe de encerrar minha jornada!', diz Fernanda Young em último post

Atriz, escritora e autora provocou, irritou, divertiu e encantou criando um novo jeito de fazer humor na TV, os o inesquecível "Os Normais"

Keila Jimenez|Do R7 e Keila Jimenez

  • Google News
Fernanda Young morreu aos 49 anos
Fernanda Young morreu aos 49 anos

Polêmica, escrachada, irritante, mutante, amada, odiada, ousada, irônica, abusada...

Descrever Fernanda Young não era fácil, e ela adorava isso. Mas ao olhar para sua vasta trajetória na TV é fácil enxergar talento, inovação, provocação e coragem.


Amigos e familiares se despedem de Fernanda Young em velório

Ao lado do marido Alexandre Machado ela mudou o jeito de fazer humor na TV.


Começou em 1995 com a missão nada fácil de transformar em série na Globo "A Comédia Vida Privada", baseada na obra de Luis Fernando Veríssimo.

Fazer rir sem ser óbvio não é fácil. Ainda mais quando a piada é o cotidiano, o dia a dia de todos nós, normais.


Os Normais

E foi justamente essa 'normalidade' que caminhava para o nonsense que alçou Fernanda e Alexandre para voos mais altos na TV. Com Vani (Fernanda Torrer) e Rui (Luiz Fernandoi Guimarães), Fernanda nos apresentava o seu lado 'surtado e agridoce na série "Os Normais".


Ela não gostava de assumir, mas a Vani era uma espécie de alter ego de Fernanda.

A ideia da série era brincar com as pequenas loucuras que cometemos diariamente. Os diálogos entre Rui e Vani, repletos de metalinguagens, sempre retratavam situações típicas da vida a dois, porém com uma lente de aumento, potencializando a comicidade da situação.

Os personagens causavam em espaços restritos, já completamente à vontade um com o outro, com crises inteiras iniciadas com a discussão sobre pelo encravado, ou fio dental na pia do banheiro, por exemplo. Mais 'Seinfield' do que isso impossível,

Foram três anos de sucesso nas noites de sexta-feira na Globo. Corajosamente, Os Normais foi encerrada no auge.

Vieram ainda outros seriados como "Minha Nada Mole Vida", "Os Aspones", "Como Aproveitar o Fim do Mundo", "O Dentista Mascarado", "Odeio as Segundas", "Separação", "Vade Retro" e quadros como "Super Sincero", do 'Fantástico'.

A última produção na TV foi a minissérie "Shippados", estrelada por Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch .

Saia Justa

Como apresentadora Fernanda fez parte do time arrebatador do primeiro "Saia Justa", do GNT. Foi a primeira formação dos debates de Luluzinhas na TV paga, com um elenco ainda composto por Mônica Waldvogel, a atriz Marisa Orth e a cantora Rita Lee.

De longe, o melhor time do programa. Fernanda causava. Toda semana soltava uma frase polêmica para repercutir nos demais dias. Ficou por lá de 2002 a 2004. Mais adiante, fez um talk show divertido no mesmo canal, o "Irritando Fernanda Young", com gente famosa como Fernanda Montenegro esbanjando mal humor ao lado da hostess da atração.

"Acho sim, que, às vezes, dou trabalho. Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser ter que pagar o preço da manutenção, mude para um Passat", brincava Fernanda.

Aos 49 anos, Fernanda estava pronta para estrear um novo trabalho no teatro. E já negociava uma nova produção para a Globo. Amava o que fazia. Tinha poucos amigos íntimos, pois não 'mendigava afeto', como ela dizia.

Era uma operária no ritmo de produção, mas uma abelha rainha no nível de exigência.

"O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente", dizia ela.

Repetiu essa frase para mim em uma das entrevistas que fiz com ela. Na época, questionei se ela trabalhava somente com os 'amigos', atores e diretores de uma determinada 'panelinha'. Ela deu risada, balançou a cabeça confirmando que gostava de trabalhar cercada de amigos, que eram poucos, segundo a própria.

"Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar os seus segredos", argumentava ela.

Biografia

Tempos atrás desistiu de escrever uma autobiografia. A decisão foi em respeito aos seus quatro filhos, explicou ela. 

O livro, que se chamaria" Acho que foi assim", era um projeto antigo de Fernanda, mas ela achou que contar a vida para os filhos era algo tão importante, que deveria ser feito de uma forma tão honesta e cuidadosa, que seria uma indelicadeza publicar tudo isso.

Em sua última postagem nas redes sociais, Fernanda reclamava da política e mostrava mais do que nunca que não estava disposta a se acomodar.

"A nossa cultura material e imaterial, a nossa língua, a nossa fauna, flora, sendo esganiçada, sacaneada, por ogros maléficos. Estamos virando uma gente porcaria, afinal 'piorar é mais fácil'! E fica tão claro o oportunismo das ratazanas sorrateiras, que veem na 'loucura do criador', achando-nos dispersos, irresponsáveis, ricos, nesgas para sermos passados para trás. Comigo, não! Não! Sei reconhecer um lápis meu em meio a um milhão! Não estive 'calada nos últimos 14 anos', não aceito desaforo! Sou uma mulher de 50 anos que sonhou alto e realizou muito. E estou longe de encerrar a minha jornada nessa orbe! Aos que se interessam: bom proveito. Para os outros: estou pouco me lixando", postou.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.