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Dá para rir da morte? Atriz revela como transformou um trauma em humor no palco

Ao R7 Teatro, Bárbara Salomé conta como usa a palhaçaria para falar sobre o luto em ‘Não Aprendi Dizer Adeus’

R7 Teatro|Do R7

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Bárbara Salomé é Leila Simplesmente Leila em ‘Não Aprendi Dizer Adeus’ Divulgação/Caio Oviedo

Falar sobre a morte já não é exatamente um assunto confortável. Agora, imagine colocar uma palhaça no palco para tentar fugir dela e fazer o público rir no caminho?

É justamente esse o jogo de Não Aprendi Dizer Adeus, peça protagonizada por Bárbara Salomé que retorna a São Paulo com apresentações gratuitas em agosto e setembro.


E não pense que a proposta é simplesmente fazer piada com um tema pesado! Por trás da personagem Leila Simplesmente Leila existe uma investigação pessoal da atriz sobre perda, luto e, principalmente, sobre a dificuldade que temos de aceitar aquilo que não podemos controlar.

Em entrevista ao R7 Teatro, Bárbara conta que tinha apenas 5 anos quando perdeu a irmã mais nova. A experiência marcou sua vida e acabou atravessando também sua trajetória artística.


Anos depois, ela encontrou na palhaçaria uma maneira de olhar para esse trauma de outro lugar.

“Ainda sou bastante apegada e tenho muita dificuldade em dizer adeus, mas hoje eu tenho uma relação melhor com a vida”, afirma a atriz.


Para ela, a morte deixou uma espécie de cicatriz que durante muito tempo fez com que a própria felicidade parecesse perigosa.

“A morte aconteceu de maneira trágica e repentina em minha vida. Deixou cicatrizes e uma memória de que estar feliz era um risco. Ainda guardo essa memória, mas encaro esse perigo de frente para estar inteira no viver.”


A palhaçaria, então, virou uma forma de encarar esse medo de frente. E é aí que entra Leila.

‘A Leila é uma versão hiperbólica minha’

Quem assiste ao espetáculo pode até pensar que Leila é uma personagem completamente diferente de Bárbara. Mas, segundo a atriz, é justamente o contrário: “Tudo o que existe na Leila é da Bárbara e vice-versa.”

A diferença está no exagero. Na palhaçaria, aquilo que normalmente tentamos esconder ganha espaço, volume e liberdade.

O palhaço não é um personagem, é a gente numa lente de aumento e numa vibração que a gente não tem coragem de sustentar no dia a dia”, afirma.

E parece que Leila leva essa liberdade bem a sério. Bárbara admite que a palhaça é mais ousada do que ela própria.

“Eu acho a Leila mais audaciosa, apimentada e mais sagaz do que eu. Sem a Leila, eu teria menos saúde mental porque ela é meu espaço de delírio e criação.”

No palco, essa versão sem freios da atriz tenta, de todas as maneiras, escapar da morte. O problema é que, obviamente, não existe muita negociação possível com ela. E talvez seja justamente aí que esteja a graça.

Quando o público também entra na história

Uma das características mais interessantes de Não Aprendi Dizer Adeus é que a experiência não termina quando as luzes se apagam.

Bárbara conta que costuma conversar com o público depois das apresentações e já ouviu histórias que mostram como cada pessoa pode se relacionar de uma maneira completamente diferente com a morte.

Uma família, por exemplo, decidiu assistir à peça depois de perder duas pessoas queridas no mesmo ano. Em outro caso, uma jovem que sofria de tanatofobia, o medo intenso da morte, resolveu enfrentar o assunto justamente porque acreditou que poderia fazer isso acompanhada por uma palhaça.

Mas uma das histórias que mais marcou a atriz envolve uma espectadora que havia enfrentado um câncer no cérebro, perdido parte do crânio e, depois de assistir ao espetáculo, decidiu começar a fazer palhaçaria.

Eu adoro conversar com as pessoas pós-espetáculo porque sinto que elas precisam compartilhar suas histórias comigo”, diz Bárbara.

É esse encontro que faz com que Não Aprendi Dizer Adeus seja diferente a cada sessão. A morte é a mesma para todo mundo, mas a maneira de lidar com ela definitivamente não é.

Serviço

Não Aprendi Dizer Adeus

Temporada: agosto e setembro de 2026

Ingressos: gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada sessão nas bilheterias dos teatros

Duração: 50 minutos

Classificação: 16 anos

Teatro Cacilda Becker

  • 14 e 15 de agosto, às 20h / 16 de agosto, às 19h
  • Rua Tito, 295, Lapa
  • Dia 15 com audiodescrição e dia 16 com Libras

Teatro Paulo Eiró

  • 28 e 29 de agosto, às 20h / 30 de agosto, às 19h
  • Avenida Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro

IBT — Instituto Brasileiro de Teatro

  • 10, 11 e 12 de setembro, às 20h
  • Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 277

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