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Musical sobre Marcelo Rubens Paiva é criticado por escalação sem atores PcDs; entenda

Inspirado em ‘Feliz Ano Velho’, livro autobiográfico do escritor, espetáculo estreia em setembro, em São Paulo

R7 Teatro|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O musical "Feliz Ano Velho", inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, enfrenta críticas por não escalar atores cadeirantes para o papel principal.
  • Os atores Hugo Bonemer e Bruno Garcia foram escolhidos para interpretar Marcelo em diferentes fases da vida, gerando debate sobre representatividade.
  • O diretor Gustavo Barchilon justificou a escolha com a estrutura narrativa que inclui flashbacks e destacou a participação de um ator com deficiência no elenco.
  • O ator cadeirante Tato Amorim criticou a falta de oportunidades para artistas PCDs, enquanto Hugo Bonemer reconheceu a seriedade da crítica e buscou diálogo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

‘Feliz Ano Velho – O Musical’ é inspirado no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva Reprodução/Instagram/@felizanovelhomusical

O musical Feliz Ano Velho, inspirado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, ainda nem estreou, mas já provoca um debate sobre representatividade nos palcos.

A montagem, que chega ao Teatro Frei Caneca, em São Paulo, no dia 19 de setembro, escalou Hugo Bonemer e Bruno Garcia, ambos não cadeirantes, para interpretar o escritor em diferentes momentos da vida.


A escolha gerou críticas de artistas com deficiência nas redes sociais, que questionaram a ausência de um ator cadeirante no papel de Marcelo e a falta de oportunidades para profissionais PCDs no mercado artístico.

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Diretor explica escolha do elenco

Diante da repercussão, o diretor e idealizador do musical, Gustavo Barchilon, explicou a decisão de escalar atores não cadeirantes para interpretar Marcelo Rubens Paiva.


Segundo ele, a dramaturgia acompanha diferentes momentos da vida do escritor, incluindo o período anterior ao acidente que o deixou tetraplégico. A montagem utiliza flashbacks e um jogo de memória para transitar entre os tempos da história.

Barchilon explicou que Bruno Garcia interpreta Marcelo mais velho e também o pai do escritor, justamente dentro dessa estrutura narrativa.


O diretor também destacou a participação de Luciano, ator com deficiência que integra o elenco e interpreta um médico. Para Barchilon, a presença do artista é importante justamente porque sua deficiência não determina a construção do personagem.

“Ele interpreta um médico, desconstruindo esse tipo de estereótipo e ocupando o palco simplesmente como o grande ator que é”, afirmou.


Tato Amorim questiona falta de oportunidades

A explicação não encerrou o debate. O ator cadeirante Tato Amorim se manifestou nas redes sociais e criticou a recorrência de produções que deixam artistas com deficiência fora de papéis que poderiam ampliar sua presença nos palcos.

“Eu estou muito cansado. Já não aguento mais me deparar com retrocesso que a cada dia que passa parece que é a mesma coisa”, escreveu.

Tato também questionou os argumentos que poderiam justificar a ausência de atores com deficiência na montagem.

“Falta de verba? Falta de artistas com deficiência no mercado? O que acontece é que a gente não tem oportunidade, os testes não chegam, os convites não aparecem”, afirmou.

A discussão levantada pelo ator vai além da montagem de “Feliz Ano Velho” e toca em uma questão recorrente no mercado cultural: a representatividade de pessoas com deficiência em personagens que também têm deficiência.

Hugo Bonemer responde ao ator

A publicação de Tato também recebeu uma resposta de Hugo Bonemer, que interpreta Marcelo no musical. O ator afirmou que considera a crítica séria e que não pretendia tratá-la como algo sem importância.

“Querido Tato, a crítica é séria e eu não vou tratar como bobagem”, escreveu Bonemer.

Na sequência, o ator reforçou que a construção do personagem dentro do espetáculo envolve os períodos anterior e posterior ao acidente que deixou Marcelo tetraplégico.

“O Marcelo, no espetáculo, é vivido antes e depois do acidente que o deixou tetraplégico, e essa construção também é parte do que estamos discutindo internamente”, afirmou.

Bonemer ainda disse que enviou uma mensagem privada a Tato para que os dois pudessem conversar sobre o assunto.

A história de Feliz Ano Velho

Publicado originalmente em 1982, Feliz Ano Velho é o relato autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva sobre o acidente que sofreu aos 20 anos, durante um mergulho, e as consequências da lesão que o deixou tetraplégico.

A obra se tornou um marco da literatura brasileira contemporânea e já ganhou diferentes adaptações para o teatro. Agora, a história chega aos palcos em formato de musical.

A nova montagem tem direção de Gustavo Barchilon e reúne nomes como Heloisa Périssé, Bruno Garcia e Hugo Bonemer no elenco.

Feliz Ano Velho – O Musical estreia em 19 de setembro, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo, e fica em cartaz até 22 de novembro.

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