Análise: A cantora Anitta não perde tempo nunca, e você?
Artista lança desenho animado infantil e clipe onde beija 28 pessoas entre homens e mulheres
Patricia Lages|Do R7

Turma da Anittinha é a nova série infantil de Anitta que vai ao ar pela TV paga. Segundo a cantora, “a educação é muito importante na vida das pessoas” e ela quer deixar sua contribuição.
"Procuro, muito sutilmente, passar princípios e valores no meu desenho", afirmou ao Estadão.
Já quando passa outros tipos de “valores”, Anitta deixa a sutileza de lado e mostra tudo muito às claras. Como no novo clipe “Não perco meu tempo”, onde ela beija 28 pessoas, homens e mulheres.
Ela afirma que fez questão de beijar todos os participantes “de verdade” e que só os conheceu no momento da gravação. A afirmação é politicamente correta, claro! Afinal, demonstra que a pop star beija todo tipo de pessoa, sem nenhum preconceito.
Mas, sobre a intenção do vídeo — que já conta com milhões de visualizações no YouTube — ela afirma que quer “desproblematizar” e que “as pessoas estão muito à flor da pele, ou você é X ou Y, não pode ter meio termo”.
Ainda sobre o clipe, Anitta afirmou: “por mais que eu esteja beijando diferentes tipos de pessoas, o assunto maior não foi isso.”
É, no mínimo, ingênuo acreditar nessas afirmações. Anitta já deu inúmeras demonstrações de que sabe muito bem como gerenciar sua carreira e que, para ultrapassar as milhões de visualizações de seus clipes anteriores, só com algo polêmico ou apelativo.
E se, ao citar que as pessoas “estão” muito X ou Y, ela se refere aos cromossomas que determinam o sexo das pessoas, cabe uma correção, afinal, educação é muito importante na vida das pessoas, não é mesmo?
Quem nasce com dois cromossomas X é mulher e quem nasce com um cromossoma X e um Y, é homem. É assim que se define o sexo dos seres humanos e, por mais que o mundo tenha mudado em milhares de coisas, isso jamais mudará.
O que precisamos entender é que, para além do gênero existe a opção sexual e essa escolha é livre. Mas, a história de negar que as pessoas nasçam homens e mulheres não passa de ideologia. E, diga-se de passagem, ideologia é ideia e não ciência.
As pessoas podem ter as ideias que quiserem, mas negar a própria ciência para impor o que pensam em nome de uma pseudo luta contra o preconceito é passar dos limites.
Assim como querer que se acredite que beijar 28 desconhecidos é um ato em prol da “desproblematização” dos relacionamentos é passar dos limites no quesito insulto à inteligência alheia.
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Patricia Lages
É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e RecordTV e é facilitadora do programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.














