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Patricia Lages

Move Brasil: crédito barato ou conta cara para o contribuinte?

Programa oferece juros abaixo do mercado para compra de veículos novos, mas levanta dúvidas sobre prioridades fiscais em ano eleitoral

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Move Brasil é um programa do governo que oferece financiamento com juros baixos para veículos novos, visando profissionais do transporte.
  • O programa levanta dúvidas sobre o impacto fiscal, já que a diferença entre os juros de mercado e os subsidiados pode recair sobre os cofres públicos.
  • Há preocupações sobre o custo para o contribuinte, principalmente em caso de alta inadimplência e a necessidade de acionar garantias.
  • O lançamento do programa em ano eleitoral gera debate sobre suas intenções políticas e o impacto econômico real.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo federal ainda não apresentou estimativa do impacto fiscal do Move Brasil Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Em um país onde comprar um carro novo se tornou praticamente inviável para boa parte da população, um financiamento com juros inferiores aos praticados pelos bancos parece uma excelente notícia.

Essa é exatamente a proposta do Move Brasil, programa lançado pelo governo federal para financiar caminhões, automóveis, motocicletas e bicicletas elétricas destinados a profissionais do transporte.


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Na modalidade voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, por exemplo, o programa oferece financiamento de até R$ 150 mil, com juros a partir de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% para homens, prazos de até seis anos e possibilidade de financiar 100% do veículo.

Para caminhoneiros, há linhas de financiamento com até dez anos de prazo. Segundo o governo, o objetivo é renovar a frota, reduzir emissões e estimular a indústria nacional.


Mas o que parece reunir apenas vantagens levanta uma questão: quem paga a diferença entre os juros de mercado e os juros subsidiados pelo governo?

O custo para os cofres públicos surge das garantias oferecidas pela União aos bancos e do eventual pagamento das perdas caso a inadimplência seja elevada. É justamente nesse ponto que aparece uma das maiores incógnitas do programa.


O governo ainda não apresentou uma estimativa consolidada do impacto fiscal esperado caso as garantias precisem ser acionadas em larga escala. Nesse cenário, uma eventual onda de inadimplência não recairá apenas sobre os bancos, já que parte da conta pode chegar ao bolso do contribuinte.

O Brasil convive hoje com uma das maiores taxas básicas de juros do mundo. Juros elevados refletem uma combinação de inflação, percepção de risco e situação fiscal.


Ainda assim, enquanto o Banco Central mantém uma política monetária restritiva, o governo cria linhas de crédito subsidiadas para segmentos específicos da economia.

A questão é que crédito subsidiado não elimina o custo do dinheiro, apenas o transfere. Ou seja, se o beneficiário paga menos juros, alguém tem de absorver essa diferença. E esse custo pode ser distribuído entre toda a sociedade por meio do orçamento público ou da ampliação da dívida.

Outro ponto que chama atenção é o momento escolhido para a expansão do programa: estamos em ano eleitoral.

Nos últimos meses, o governo lançou ou ampliou diversas iniciativas voltadas ao crédito e ao consumo, como novas modalidades do Desenrola, além do próprio Move Brasil.

Em conjunto, essas medidas inevitavelmente alimentam o debate sobre até que ponto programas de forte apelo popular podem produzir capital político, além dos efeitos econômicos que o governo declara buscar.

Um governo prudente concentraria esforços em equilibrar as contas públicas, criando as condições para que os juros caiam de forma sustentável e o crédito fique mais barato para todos, sem necessidade de programas especiais.

Mas o caminho da prudência costuma render menos resultados políticos no curto prazo e, por isso, parece estar sempre fora de cogitação.

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