Análise: Contra o preconceito ou puro oportunismo?
Muito se tem falado sobre preconceito, mas, infelizmente, boa parte dos discursos são puro oportunismo
Patricia Lages|Do R7

Hoje em dia parece que, à medida que os meios de comunicação crescem, a forma de se comunicar fica cada vez mais difícil. Isso porque qualquer coisa que se diga, ainda que com boa intenção, pode ser distorcida e classificada como preconceituosa.
No meu trabalho como educadora financeira, levo as pessoas a abrirem a mente em relação à prosperidade e ao crescimento financeiro. Mas, para alguns, considerar a riqueza algo positivo pode ser visto como preconceito contra os pobres.
Ah! Referir-se aos pobres como pobres também não pode. São “pessoas menos favorecidas” — como se isso bastasse para resolver a questão da pobreza.
A verdade é que é muito mais fácil contornar os problemas do que resolvê-los. E essa “patrulha do idioma” faz exatamente isso: maquiar questões como se isso fosse solução para tudo.
Por isso, quem está entrando nessa onda de achar que tudo é sinal de preconceito, cuidado! Enquanto as pessoas investem tempo e energia discutindo e se ofendendo mutuamente nas redes sociais, não percebem que muitos espertalhões estão posando de “defensores das minorias” para ganhar a simpatia da maioria.
Esse parece ser o rumo da campanha eleitoral deste ano: pouquíssimas propostas de governo, mas muita discussão sobre preconceito, intolerância e diversidade. Mas o que você espera de candidatos a cargos públicos em um país onde falta até o básico? Que apresentem um bom plano de governo, com propostas para melhorar a segurança, a saúde, os transportes e a educação ou que prometam acabar com o preconceito e a intolerância? Essas são realmente questões políticas ou não passam de puro oportunismo?
Desconfie de quem se promove como defensor das minorias e analise, acima de tudo, quem são as minorias nesse país. Afinal de contas, a maioria dos brasileiros é pobre, a maioria das pessoas economicamente ativas está endividada, a maioria dos alunos do ensino público não está preparada adequadamente para o mercado de trabalho.
Nossas necessidades são inúmeras, mas parece que estamos nos esquecendo disso e focando em discursos de ódio de esquerda contra direita e de direita contra esquerda. É momento de analisarmos as candidaturas com a mente aberta, pois se elegermos maus governantes, seremos todos prejudicados: negros, brancos, LGBTs, pobres, ricos, empregados ou desempregados.
Quando nos unimos, nos tornamos maioria e, se realmente usarmos bem a única arma que temos, o nosso voto, teremos uma boa chance de mudar a triste realidade que estamos vivendo.














