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Patricia Lages

Análise: Não cresço e não deixo você crescer!

Além de o sucesso não ser incentivado e nem reconhecido pelo brasileiro, ainda existe a cultura de boicotar quem se destaca

Patricia Lages|Do R7

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Mesquinharia atinge quem tenta crescer e fazer diferente
Mesquinharia atinge quem tenta crescer e fazer diferente

Muitas vezes me solidarizo com autores que criam ficção porque está cada vez mais difícil competir com a realidade. Afinal, para ganhar dos vilões da vida real de hoje em dia é preciso bem mais do que criatividade...

A última que ouvi me causou um misto de indignação, inconformidade e muita raiva dessa cultura mesquinha que impera neste país. O caso é de mais um brasileiro que foi tentar a vida nos Estados Unidos. Como de costume, ao chegar lá, fez amizade com outros brasileiros que já viviam no país e que se sustentavam trabalhando como garçons, pedreiros, pintores, faxineiras, babás, lavadores de prato etc.


Ocorre que esse brasileiro — que tinha um centímetro a mais de visão que os outros — resolveu vender pão de queijo para um pequeno grupo de pessoas. Devido à boa aceitação do produto e ao aumento da demanda, ele resolveu ampliar o negócio e investiu em um carrinho personalizado. Nascia ali, um empreendedor.

Mas esse pequeno feito foi suficiente para despertar a inveja dos “amigos” que moravam lá havia mais tempo, trabalhavam muito mais e ainda por cima ganhavam muito menos. Apesar de que qualquer um deles poderia ter feito o mesmo, ninguém fez. E, em vez de seguirem o exemplo e buscarem uma ideia de negócio, eles tiveram outro insight: unirem-se para encontrar uma forma de não permitir que ninguém fosse mais bem-sucedido do que eles.


A mesquinhez dessa gente chegou ao ponto de terem coragem de denunciar o colega à imigração e ele acabou deportado, pois ainda não tinha conseguido a documentação necessária. Não importou que todos eles tenham chegado como ilegais aos Estados Unidos (e que alguns deles ainda estejam vivendo nessa condição). Não importou que eram conterrâneos. Não importou que todos haviam deixado seu país e familiares para tentar uma vida melhor. A única coisa que importou é que se eles não cresceram, ninguém mais pode crescer.

Quando esse tipo de coisa acontece, fica clara a falta de iniciativa, de vontade e de espírito empreendedor de quem não fez. A incompetência é exposta e ninguém quer isso, não é mesmo? Agora, expor mesquinharia e inveja, tudo bem!


O que falar sobre atitudes como essa? Como classificar pessoas que vivem posando de vítimas da sociedade e do governo, mas que, na primeira oportunidade, vitimizam quem tem coragem de fazer diferente, de arriscar e de crescer?

Este país jamais vai ser verdadeiramente grande enquanto as pessoas que nascem aqui continuarem pensando pequeno.


Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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