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Patricia Lages

Análise: O alto preço de agir sem pensar

A ânsia por fazer tem deixado o pensar de lado e a conta dos prejuízos da falta de raciocínio é sempre muito alta

Patricia Lages|Do R7

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É preciso educar os funcionários para que trabalhem cada vez melhor
É preciso educar os funcionários para que trabalhem cada vez melhor

Dia desses li uma frase que ficou marcada na minha mente por ser a mais pura representação da realidade: “As empresas sobrevivem aos funcionários.”

E é exatamente isso. As empresas que desenvolvem a arte de sobreviver aos funcionários são as que conseguem permanecer com as portas abertas. Obviamente há empresas onde os piores inimigos são os próprios donos, mas na maioria dos casos, a frase acima é o perfeito reflexo da verdade.


O “mostrar que fez” ou o “deixa eu me livrar logo disso” são muito mais praticados do que o “vamos pensar sobre como fazer isso da melhor forma.” O pensar tem ficado de lado, mas nem por isso deixa de mandar a fatura — alta — no final dos processos.

Participo de muitos eventos e sempre fico perplexa quando recebo as artes para divulgação nas redes sociais. Isso porque raramente elas mencionam a cidade onde o evento será realizado, se é pago ou gratuito, onde fazer a inscrição e para quem é direcionado. O espaço onde deveriam estar informações claras e objetivas é utilizado para “encher linguiça” e poder eliminar da agenda, o mais rápido possível, a tarefa “criar a arte para divulgação.”


Depois que a falta de raciocínio manda a conta, as pessoas se dispõem a pensar nas desculpas pelos péssimos resultados. Apesar da estratégia ser ruim, ela é amplamente praticada. E isso, infelizmente, não se restringe ao segmento de eventos.

Os maus exemplos estão em todos os lugares: bebedouros caríssimos nas salas de espera de empresas e centros médicos, mas que estão eternamente sem copos; equipamentos tecnológicos de ponta, mas que ninguém se dispõe a aprender a usar; recepções lindamente decoradas, mas que contam com um atendente sisudo e mal-humorado; e por aí vai. As pessoas estão fazendo coisas, mas ninguém está pensando nas coisas que estão sendo feitas.


Um dos maiores cúmulos que presenciei foi a sala de treinamento de uma empresa que dispunha de 24 tomadas, uma para cada aluno. A questão é que todas foram instaladas em um ângulo que nenhum tipo de plugue se encaixava. Apesar do grande número de tomadas, nenhuma delas pode ser usada porque alguém resolveu instalá-las de uma forma, digamos, inusitada.

Fazer sem pensar chega a ser pior do que não fazer. Por isso, invista em pensar primeiro, em se colocar no lugar das pessoas que quer alcançar e não tenha pressa para realizar algo não importando se vai ser útil ou não. Sei que há clientes e superiores que pressionam para que haja rapidez, eu também tenho clientes e sinto a pressão na pele, mas devemos educar as pessoas quanto aos prazos para manter a qualidade do trabalho e evitar ter de refazer o que quer que seja. O mundo está competitivo demais para nos darmos ao luxo de fazer coisas inúteis.


Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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