Análise: Tecnologia usada sem inteligência vira “idiotização”
A tecnologia está a serviço da humanidade, mas quando usada sem inteligência, pode idiotizar as pessoas
Patricia Lages|Patricia Lages

Quem diria que caminhar pelas ruas se tornaria uma tarefa tão difícil! Além dos motoristas que não respeitam os pedestres, das calçadas ruins em muitas cidades, da má sinalização e da violência, agora temos de nos desviar das pessoas que andam (ou vagueiam) olhando para a tela do celular.
Quase atropelei um rapaz que estava andando na calçada, mas que, sem a menor cerimônia, resolveu atravessar a avenida bem na frente do meu carro em movimento, enquanto teclava no celular.
Consegui frear a tempo e buzinei para que ele prestasse atenção nas demais faixas que havia pela frente. A reação do pedestre foi, no mínimo, inesperada. Depois de gesticular com toda energia e descarregar uma leva de insultos, pois eu o havia “assustado à toa”, continuou atravessando com a cara no celular.
Em outra ocasião, numa avenida movimentada de São Paulo, vejo uma criança de não mais de seis anos de idade puxando uma adulta pela blusa. O gesto evitou que ela atravessasse o sinal vermelho e fosse atropelada enquanto olhava a tela do celular e ria feito um zumbi. Obviamente ela nem sequer percebeu que uma criança de seis anos teve mais percepção do entorno do que ela que, supostamente, deveria cuidar da criança.
Isso sem falar nos “desafios” das redes sociais sem o menor sentido, como a mais nova bobagem que viralizou há alguns dias, onde pais atiram uma fatia de queijo no rosto dos filhos bebês. Ninguém sabe o sentido disso (até porque, qual seria?), mas o efeito manada — mais presente do que nunca — leva as pessoas a fazerem coisas totalmente idiotas.
Há muita gente idiotizada, achando que o Google substitui o cérebro. Há quem se mantenha conectado 24 X 7, comentando, postando e tuitando mil coisas, ainda que não tenha nada de útil a dizer. E há os que usam os teclados de seus computadores como juízes da vida alheia, mas que não têm capacidade sequer de tomar decisões simples do dia a dia.
Fazer uso da tecnologia à nossa disposição é excelente, mas quando fazemos alguma coisa com o cérebro desligado nos tornamos perfeitos idiotas.
Responder a perguntas simples já nos livrariam da idiotização, como: “por que estou fazendo isso?”, “por que eu copiaria esse modismo?”, “qual o sentido de postar/comentar/tuitar isso?”.
Há uma frase de autoria desconhecida muito oportuna para fechar a coluna de hoje: “Chegará o dia em que a tecnologia ultrapassará a humanidade e o mundo só terá uma geração de idiotas.”
Patricia Lages
É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e Record TV e é facilitadora da RME para o programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.














