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Patricia Lages

Análise: Tempos difíceis até para o Dia dos Pais

Escolas repensam as comemorações do Dia dos Pais em razão dos diferentes tipos de modelos familiares. É um desafio saber o que fazer

Patricia Lages|Patricia Lages

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O papel do pai precisa ser valorizado pelas mulheres
O papel do pai precisa ser valorizado pelas mulheres

Um artigo do site Nova Escola de 2011 já chamava a atenção dos professores sobre as diversas possibilidades de famílias de seus alunos e a necessidade de repensar a forma de se comemorar o Dia dos Pais.

“Como participa a criança que não tem contato com o pai? Deve-se sempre levar em conta que a família considerada tradicional, formada por pai, mãe e filhos, dificilmente é a realidade na casa de todos os alunos. São muitas as possibilidades de estrutura familiar: monoparental feminina (mãe solteira, separada ou viúva), crianças que moram em abrigos, com avós, são filhas de casais homossexuais etc. Se o professor fizer um levantamento sobre como é a vida de cada aluno, certamente perceberá que pode excluir ou constranger alguém ao propor uma grande homenagem — o que talvez seja motivo para repensá-la.”


Sabemos que essa realidade tem aumentado ao longo dos anos e que, cada vez menos as crianças vêm de uma família formada por pai e mãe casados e que moram na mesma casa. Porém, o que gostaria de propor hoje é a análise de um movimento que também tem crescido: as críticas à chamada família tradicional.

Principalmente em movimentos que apoiam o feminismo moderno — aquele que não é apenas a favor da mulher, mas contra o homem — vemos críticas duras às famílias compostas por pai, mãe e filhos.


Que há outros modelos familiares hoje em dia é um fato. Que não devemos criticar ou constranger os filhos dessas famílias é um dever de todos. Porém, isso não significa diminuir a importância da família ou virar o jogo, ou seja, passar a constranger e criticar o que se denomina hoje como família tradicional.

É certo que a maioria dos alunos hoje vem de diversos modelos de famílias, mas será que isso significa desmerecer a família? Será que o caminho é ignorar que a presença do pai é tão importante quanto a presença da mãe? Será que tornar os pais como simples peças opcionais resolverá a questão do que fazer diante dos novos modelos familiares?


Muito se fala sobre a legalização ou proibição do aborto, mas muitos se esquecem de que pais abortam seus filhos todos os dias ao abandonarem as mães assim que tomam conhecimento de uma gravidez indesejada. E o que têm feito as mulheres diante disso? Gritado aos quatro ventos que pais não são necessários, que elas podem criar seus filhos sozinhas e que têm capacidade de fazer isso melhor do que se tivessem uma família tradicional. Os erros recaem sobre o modelo tradicional de família e não sobre as más escolhas e negligência dos pais.

Venho de uma família cujo pai nunca exerceu os deveres de pai. Minha mãe criou a mim e à minha irmã sozinha. Trabalhando, educando, pagando as contas e resolvendo absolutamente tudo por conta própria. Não foi romântico, não foi fácil, não foi moderno. Foi difícil, sacrificante e muito doloroso não ter tido a figura de um pai. Mas não faltou quem tentasse remendar a história da nossa vida diminuindo a importância de se ter um pai.

Que neste dia dos pais, nós, mulheres, saibamos reconhecer a importância que os pais têm e que não dispensemos os homens de cumprir o seu papel diante de seus filhos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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