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Câncer de mama e saúde óssea: o que o exercício pode fazer pelo seu corpo

A hormonioterapia pode acelerar a perda óssea. A ciência mostra onde o movimento faz diferença: músculos, equilíbrio, quedas e dor

Conversa de Mulher|Samantha RizziOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A hormonioterapia para câncer de mama pode enfraquecer os ossos, especialmente com o uso de inibidores de aromatase, aumentando o risco de fraturas.
  • Exercícios físicos, como treino de força e impacto, podem ajudar a manter a densidade óssea, melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas.
  • A prática de exercícios também ajuda a reduzir dores articulares e aumentar a massa muscular, contribuindo para uma melhor qualidade de vida durante o tratamento.
  • É importante que pacientes em tratamento de câncer de mama façam acompanhamento médico regular, incluindo exames de densitometria óssea e avaliação de níveis de vitamina D.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Movimento tem um papel importante no tratamento do câncer de mama Imagem gerada por IA via Microsoft Copilot

Durante o Outubro Rosa, a conversa costuma girar em torno do diagnóstico precoce. Mas, para milhares de brasileiras, o cuidado com o câncer de mama continua por muitos anos depois da cirurgia, da quimioterapia ou da radioterapia. Nesse período, uma dúvida aparece com frequência nos consultórios: o tratamento pode enfraquecer os ossos? E, se pode, o que fazer a respeito?

A resposta envolve boas notícias e alguns cuidados. E o movimento tem um papel importante, embora diferente do que muita gente imagina.

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Por que o tratamento pode afetar os ossos

O estrogênio ajuda a manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do osso, um tecido vivo que se renova o tempo todo. Muitos tumores de mama crescem estimulados por esse hormônio, e por isso parte das pacientes faz a chamada hormonioterapia por cinco anos ou mais.

Em mulheres após a menopausa, os medicamentos mais usados são os inibidores de aromatase, que reduzem ainda mais o estrogênio circulante.

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Esses remédios funcionam muito bem contra o câncer. Uma grande análise com dados de milhares de participantes, publicada na revista The Lancet, mostrou que eles reduzem em cerca de 30% o risco de o câncer voltar durante o período de uso, em comparação com o tamoxifeno, outro tipo de hormonioterapia.

A mesma análise registrou um efeito colateral: em cinco anos, 8,2% das mulheres que usaram inibidores de aromatase tiveram alguma fratura, contra 5,5% das que usaram tamoxifeno. Em outro estudo, foi identificado que a densidade óssea caiu em média cerca de 6% na coluna e 7% no quadril após cinco anos de anastrozol.

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Em mulheres mais jovens, a quimioterapia e os tratamentos que suprimem a função dos ovários podem antecipar a menopausa, o que também acelera a perda óssea. Nada disso é motivo para interromper o tratamento: o benefício contra o câncer é bem estabelecido. A questão é cuidar dos ossos ao longo do caminho.

O que as diretrizes recomendam

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e a Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) orientam que o risco de fratura seja avaliado em pacientes que vão receber tratamentos com impacto nos ossos.

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A diretriz da ASCO recomenda oferecer a densitometria óssea a quem tem fatores de risco, como estar na pós-menopausa ou usar terapias que reduzem o estrogênio, e repetir o exame a cada dois anos ou conforme a necessidade.

Também recomenda ingestão adequada de cálcio e vitamina D, de preferência pela alimentação, e medicamentos que protegem os ossos quando o risco é alto. Essas decisões cabem à equipe médica, caso a caso.

Ao lado disso, as diretrizes citam alimentação, hábitos saudáveis e exercício como parte do cuidado. É aqui que vale olhar com atenção para o que os estudos realmente mostram.

O que o exercício faz pelos ossos, sem exageros

Quando o assunto é densidade óssea, os resultados são mais modestos do que se costuma divulgar. Duas revisões que reuniram ensaios clínicos com sobreviventes de câncer, a maioria com câncer de mama, não encontraram, em média, ganho significativo de densidade nos programas de exercício.

Os autores apontam alguns motivos: estudos pequenos e curtos, programas que não foram desenhados especificamente para os ossos e o efeito intenso da falta de estrogênio.

Há, porém, um sinal importante. Programas que combinam treino de força com exercícios de impacto, como pequenos saltos, mostraram melhores resultados na coluna. Em um ensaio clínico norte-americano com 106 sobreviventes na pós-menopausa, um ano desse tipo de treino, três vezes por semana, manteve a densidade da coluna estável, enquanto o grupo que fez apenas alongamento perdeu cerca de 2%.

Os ossos também não são a história completa. A mesma revisão de 2025 observou que o exercício aumentou a massa magra e reduziu o percentual de gordura. E boa parte das fraturas acontece depois de uma queda.

Músculos fortes e bom equilíbrio diminuem o risco de cair: em pessoas mais velhas, programas de exercício com treino de equilíbrio e força reduzem o número de quedas em cerca de um quarto. Proteger o corpo de uma fratura, portanto, passa por dois caminhos: o osso e a queda.

Um bônus para as articulações

Dor e rigidez nas articulações são queixas comuns entre mulheres que usam inibidores de aromatase. No estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, 121 mulheres com essas dores foram divididas em dois grupos. As que fizeram 150 minutos semanais de exercício aeróbico e treino de força supervisionado duas vezes por semana tiveram redução de cerca de 29% na pior dor em um ano. No grupo que não mudou a rotina, a dor aumentou levemente. Sentir-se melhor pode ajudar a seguir o tratamento com mais conforto.

Movimento na prática durante e depois do tratamento

Exemplos que as evidências apoiam, sempre adaptados à fase do tratamento e à liberação da equipe:

  • Treino de força duas a três vezes por semana, com progressão gradual da carga, envolvendo pernas, quadris, costas e braços.
  • Exercícios de impacto leve, como subir degraus, pequenos saltos ou marcha vigorosa, quando liberados. Em quem já tem osteoporose ou fratura, o impacto deve ser individualizado.
  • Cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada, bicicleta ou dança, divididos ao longo da semana.
  • Treino de equilíbrio e de postura, que ajuda a prevenir quedas.

Recuperar a mobilidade do ombro e do braço depois da cirurgia antes de aumentar as cargas na parte superior do corpo.

E o braço? Musculação aumenta o risco de linfedema?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes. Um ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine acompanhou mulheres com linfedema após o câncer de mama em um programa de musculação lento, progressivo e supervisionado.

O treino não piorou o inchaço do braço, reduziu as crises de piora e aumentou a força. Ou seja, o fortalecimento não só é seguro, mas benéfico, e deve ser parte do tratamento de mulheres com linfedema. A recomendação é começar com orientação profissional e progredir aos poucos.

Quando conversar com a equipe de saúde

Vale perguntar ao médico, logo no início da hormonioterapia, se a densitometria está indicada e como estão os níveis de vitamina D. Dor nova nas costas, perda de altura ou uma fratura após uma queda pequena merecem avaliação.

A orientação de uma fisioterapeuta com experiência em oncologia ou de um profissional de educação física ajuda a montar um programa seguro, considerando cirurgia, radioterapia, linfedema e outras condições de saúde.

Cuidado que continua depois de outubro

A ASCO recomenda que o exercício aeróbico e o treino de força façam parte da rotina de quem está em tratamento contra o câncer. Para os ossos, o movimento não substitui o acompanhamento médico, mas soma: fortalece os músculos que sustentam o esqueleto, melhora o equilíbrio, alivia dores e devolve confiança ao corpo. O Outubro Rosa termina, mas cuidar da saúde depois do câncer de mama é um compromisso de todos os meses.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação individual por profissionais de saúde. Nenhum tratamento deve ser interrompido ou alterado sem orientação da equipe que acompanha o caso.

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