Crioablação: conheça o tratamento contra o câncer que congela tumores a -160 °C
Técnica usa frio extremo para destruir tumores e preservar tecidos saudáveis
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quando o assunto é câncer, a palavra “congelar” costuma lembrar qualquer coisa, menos um tratamento médico. Mas a crioablação usa justamente o frio intenso como aliado para destruir determinados tumores.
A técnica leva uma agulha até a região que precisa ser tratada e provoca temperaturas extremamente baixas, capazes de formar uma espécie de “bola de gelo” ao redor da lesão.
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Calma, não é colocar o paciente no freezer e esperar o resultado. O procedimento exige planejamento, equipamentos específicos e uma equipe especializada.
Em alguns países, como Israel, Estados Unidos, Japão e Itália, a técnica já é utilizada para o tratamento do câncer de mama. No Brasil, já foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para o tratamento do câncer de mama.
Como o frio consegue destruir um tumor?

Segundo o radiologista intervencionista Dr. Guilherme Martins, o processo vai muito além de simplesmente congelar uma massa tumoral. A queda de temperatura provoca a formação de cristais de gelo dentro e ao redor das células, causando danos às suas estruturas.
Na fase de descongelamento, alterações nos pequenos vasos sanguíneos também prejudicam a circulação da região, contribuindo para a destruição do tecido tratado.
A temperatura na ponta da agulha pode chegar a cerca de -160 °C. É frio de verdade — mas, nesse caso, com uma finalidade muito específica.
O médico explica que o planejamento precisa considerar não apenas o tumor, mas também uma margem de segurança ao redor dele. O objetivo é tratar a lesão por completo e reduzir o risco de que células tumorais permaneçam nas bordas da área congelada.
Serve para qualquer tipo de câncer?
Não. E essa é uma informação importante para evitar falsas expectativas. A crioablação pode ser indicada para determinados tumores renais, pulmonares, ósseos e de tecidos moles, além de situações específicas envolvendo outros órgãos.
O tamanho faz diferença: lesões menores, de até 3 a 4 centímetros, tendem a apresentar melhores resultados em pacientes adequadamente selecionados. No caso de tumores de mama, o médico explica que a técnica vem ganhando espaço em lesões pequenas, geralmente abaixo de 2 centímetros, desde que o contexto clínico seja apropriado.
Nos rins, a crioablação já é uma modalidade consolidada para tumores pequenos em pacientes selecionados. No pulmão, pode ser usada em determinadas metástases. Já nos ossos, além do tratamento da lesão, pode ajudar no controle da dor.
Existe ainda a crioneurólise, que utiliza o frio de forma controlada para atingir fibras nervosas responsáveis pela transmissão da dor. A proposta, nesse caso, é aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida de pacientes selecionados.
A escolha depende de uma avaliação individualizada. Tipo, tamanho e localização do tumor, condições clínicas e proximidade de estruturas importantes entram nessa conta. Em algumas situações, cirurgia, radioterapia ou outros tratamentos podem ser opções mais adequadas.
A vantagem é preservar os tecidos ao redor
Uma das características da crioablação é permitir que o médico acompanhe a formação da chamada bola de gelo por exames de imagem, como tomografia e ultrassonografia. Assim, é possível observar a expansão do congelamento e sua relação com estruturas próximas.
Se o gelo estiver chegando perto de uma região que precisa ser protegida, o médico pode interromper ou modificar o procedimento e adotar medidas para reduzir o risco de lesões.
Essa precisão pode ajudar a preservar mais tecido saudável, algo especialmente importante em órgãos como rins, fígado e pulmões. Em determinados casos, conservar a função do órgão também pode facilitar a realização de tratamentos futuros.
Mas atenção: preservar os tecidos não significa ausência de riscos. Como qualquer procedimento médico, a crioablação pode provocar complicações. Entre elas está o sangramento, além da possibilidade de lesões em estruturas próximas, como nervos, vias biliares ou ureter, dependendo da região tratada.
Por isso, pacientes com alterações de coagulação ou risco elevado de sangramento precisam de avaliação cuidadosa. A técnica não é indicada automaticamente para todo mundo que recebe um diagnóstico de tumor.
E como saber se o tumor foi destruído?
A avaliação começa durante o procedimento. A equipe acompanha a formação da bola de gelo para verificar se ela cobriu a lesão e a margem de segurança planejada. Ao final, exames de imagem com contraste podem ajudar a identificar áreas que eventualmente não tenham sido tratadas de maneira adequada. Quando necessário, é possível reposicionar uma agulha e realizar um novo ciclo de congelamento ainda durante o procedimento.
Depois, o acompanhamento continua com exames de imagem. Isso é fundamental porque existe a possibilidade de o tumor persistir ou voltar, e o risco varia conforme suas características.
Segundo o Dr. Guilherme Martins, em casos selecionados, uma nova ablação pode ser considerada se houver recorrência. Ou seja, o retorno da doença não significa necessariamente que todas as possibilidades de tratamento se esgotaram.
O frio também pode despertar o sistema imunológico?
Essa é uma das linhas de pesquisa que despertam interesse. Cientistas investigam se a crioablação poderia estimular o sistema imunológico a reconhecer células tumorais e produzir uma resposta contra a doença em outras partes do organismo — fenômeno conhecido como efeito abscopal.
Mas é importante separar expectativa de realidade: esse possível efeito ainda está em investigação e não pode ser considerado um benefício garantido do tratamento.
A crioablação é uma alternativa importante em situações específicas, mas não é uma solução universal para o câncer. A indicação precisa ser feita por uma equipe médica, considerando as características do tumor e as condições de cada paciente.
E, enquanto a técnica não está disponível na rede pública, conforme as informações apuradas para esta reportagem, o acesso permanece restrito a hospitais particulares. Para quem está em tratamento, a melhor decisão é conversar com a equipe responsável sobre todas as opções disponíveis, seus benefícios, riscos e possibilidades de acesso.
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Beijos e até o próximo conteúdo!
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