Novo filme da franquia ‘Todo Mundo Em Pânico’ é nostálgico e autoconsciente, mas esbarra em piadas recicladas
Famosa paródia de filmes de terror retorna aos cinemas brasileiros
Cine R7|Giovane Felix

Todo Mundo Em Pânico nunca foi uma obra-prima do cinema e jamais teve a intenção de ser. A franquia nasceu de maneira despretensiosa nos anos 2000, surfando na onda do sucesso de Pânico ao transformar as cenas do filme e os clichês do terror em uma paródia escrachada e nada sutil.
E isso foi o suficiente para tornar o filme um fenômeno de público. Com um orçamento de “apenas” 19 milhões de dólares, o longa arrecadou cerca de 278 milhões em bilheteria ao redor do mundo.
Assim, vieram as continuações, e a produção se consolidou como um marco da cultura pop. Quem não se lembra da cena em que Brenda é atacada no cinema? Ou da luta da personagem contra Samara, de O Chamado, no terceiro filme?
No Brasil, o sucesso de Todo Mundo Em Pânico também se deve a outro fator: a dublagem. As vozes brasileiras foram essenciais para popularizar a série, ao adaptar piadas e referências para o português sem perder o humor original da obra.

Com o retorno da franquia Pânico aos cinemas, primeiro com Pânico (2022) e, logo em seguida, com Pânico VI (2023), bastaram alguns anos para que sua sátira não oficial também voltasse às telas.
Sendo assim, na última quinta-feira (4), estreou Todo Mundo Em Pânico, a nova sequência da série de paródias.
E a primeira sátira já está no título. Em 2022, o quinto filme de Pânico foi lançado sem o número que indicava sua posição na franquia. A decisão causou certo estranhamento e deixou parte dos fãs confusa. Agora, Todo Mundo Em Pânico, repete a mesma fórmula ao abandonar a numeração e evitar se apresentar como o sexto longa. Uma referência sutil, mas inteligente.
A sinopse é simples: anos após escaparem do assassino mascarado, Cindy, Brenda, Ray e Shorty voltam a se tornar alvos de um novo Ghostface e precisam se unir para derrotá-lo mais uma vez.

Todo Mundo Em Pânico (2026) é nostálgico. A produção dos irmãos Wayans, responsáveis por As Branquelas, traz de volta todos os elementos que fizeram dela um sucesso: o humor autoconsciente, as referências aos filmes de terror e a outros ícones da cultura pop, além das situações construídas a partir do exagero e do absurdo. Se tudo isso funciona? Bem, não da mesma forma.
As piadas autoconscientes, em sua maioria, continuam atuais e afiadas. Elas brincam com os bastidores das grandes produções, zombam dos próprios atores e usam e abusam da metalinguagem. O absurdo dá ao filme a liberdade de ultrapassar os limites do aceitável sem se tornar ofensivo ou de mau gosto.
Por outro lado, o humor de cunho sexual e as piadas envolvendo vícios já não tem o mesmo efeito. O mundo não é mais o mesmo de 20 anos atrás e, por isso, algumas delas envelheceram mal. O que antes parecia irreverente, hoje soa apenas datado.

Infelizmente, o filme também aproveita pouco as personagens que conquistaram os nossos corações. Em diversos momentos, elas parecem coadjuvantes da própria história, o que até pode ser interpretado como uma provocação à franquia Pânico, que fez exatamente isso em seu quinto filme. O problema é que nem toda escolha da obra original merece ser reproduzida pela paródia.
Além de dar espaço para novos rostos, a narrativa quer abraçar todas as referências possíveis, como se quisesse compensar os 20 anos em que a série esteve longe dos cinemas e recuperar todo esse período do terror em uma hora e meia.
Mesmo assim, a nova história é divertida, esperta e despretensiosa. Ela nos faz lembrar como este e outros besteiróis dos anos 2000 conseguiam nos tirar boas risadas. A intenção de reviver a franquia com novas continuações, no entanto, parece distante e, sinceramente, ainda bem. Nem toda visita ao passado precisa se transformar em algo permanente.














