Duas ‘antiguidades’, juntas, agitam o mercado: o clube e o vinil
Reprensagens, volta ao catálogo e novos álbuns fazem a alegria dos fãs das velhas ‘bolachas’

Se você faz parte das gerações a partir “Z”, dificilmente saberá o que é um disco de vinil e a importância dele para história da música mundial. Eles haviam virado peças de museu. Primeiro foram substituídos pelos CDs. Depois vieram as músicas baixadas no computador e, atualmente, os streamings. Pode vir o que for, mas ninguém vai substituí-los e isso até as novas gerações estão concordando.
Os discos de vinil voltaram com tudo na década passada. E não é saudosismo, não! Novos artistas aderiram ao “produto”. A demanda cresceu tanto que o mercado “exigiu” a criação de clubes, em que os assinantes recebem periodicamente um “novo velho” vinil. E a tendência é crescer ainda mais.
O Enigmas do Rock conversou com Rafael Rocha, sócio-fundador do Noize Record Club. O Noize existe desde 2007, porém, em 2014 foi criado o clube de assinaturas de discos de vinil, o primeiro do Brasil e da América Latina. “Em 2006 comecei a comprar vinil e fui mais a fundo em 2010. Fazia festa na casa dos meus pais e tinha um lugar que ficava o vinil e as pessoas ficavam encantadas com o que a mídia física fazia: levantar, virar o lado, a arte gráfica.... E isso o vinil entrega como nenhuma outra mídia faz”, disse Rocha.
Ao longo deste tempo, os assinantes receberam clássicos de nomes como Belchior, Elza Soares, Otto, Vinícius de Mores e Baden Powell, Liniker e os Caramelows, Os Paralamas do Sucesso, Gal Costa, Marisa Monte, Raul Seixas, Jorge Mautner, Os Mulheres Negras, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Criolo, Xênia França, Duda Beat, Tim Maia, Emicida, Luedji Luna, 5 a Seco, Marina Sena, Marcelo D2, e tantos outros. E não é “só” o disco: junto vai uma revista com informações sobre o artista, sobre o álbum, sobre novas bandas etc.
A curadoria (ou a escolha de quem vai entrar no catálogo do clube) não é uma tarefa fácil. “Tem um grupo que faz a curadoria com reuniões. São diversas pessoas que trabalham dentro da redação, em outras esferas do clube, curadores de fora e esse grupo discute quais serão os títulos, fazer uma grade pensando no público e o que está acontecendo o mercado musical, uma série de fatores que faz essa curadoria acontecer”, explicou.

Mas não pense você que é escolher alguém e tudo está resolvido. Não! Como disse acima, tem muitos fatores envolvidos, desde autorização dos autores, conversa com editoras e gravadoras, entre tantas outras. Rocha contou que já aconteceram vários casos: desde recusas, gravadora dizendo que vai lançar.
Também tiveram casos dos artistas procurarem, que foi o que aconteceu com o álbum Os Afro-sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançado em 1966. “Em 2016, o álbum estava completando 50 anos e a família nos procurou para relançar este clássico que é uma pedra fundamental da nossa música. É importante falar sobre memória e colocar esses marcos enquanto veículo, enquanto clube de disco e fazer com que mais pessoas conheçam e escutem”.
O crescimento é tamanho que o Noize expandiu para a Argentina, abrindo um clube por lá. “A ideia é trabalhar o clube como no Brasil, com artistas locais daquele país e também estudar artistas da América Latina que têm sentido. Também acreditamos no intercâmbio, levar artistas pra lá e vice-versa, como já fizemos por aqui”, comentou.
Confira a entrevista completa abaixo.
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