O Barão original resgata toda sua trajetória
Encontro reúne Frejat, Guto, Dé e Maurício, com repertório que passa por todas as fases do grupo

Uns chamam de saudosismo, outros de caça-níquel, mas o que não há como negar é como os encontros (ou reencontros) que estão acontecendo no rock brasileiro nos levam a um tempo que não volta mais. E isso é maravilhoso.
Na última sexta-feira (14), estive em Campinas no show “Encontro do Barão Vermelho”, promovido pela Oceania. Casa lotada! Show com início pontual às 10 horas, como divulgado.
Roberto Frejat, Dé Palmeira, Maurício Barros e Guto Goffi surgem no palco após um vídeo com imagens das diferentes fases da banda. Os quatro integrantes originais não se reuniam desde 1988, quando Maurício saiu da banda.
Diferente dos Titãs, por exemplo, que priorizou o repertório com músicas até a saída de Arnaldo Antunes (o primeiro a sair da banda), o Barão passou por todas as fases, independentemente da formação.
Foram quase duas horas e meia de show. Tudo começou com “Maior Abandonado”, somente os quatro no palco. Em seguida, entram no palco o guitarrista Fernando Magalhães, que entrou na banda depois da saída de Cazuza, três instrumentos de sopro, uma backing vocal, um violão/guitarra comandados pelo Rafael, filho do Frejat, e uma percussão, sob a responsabilidade do Cesar Brunet, irmão do Peninha, que tocou no Barão.
Em seguida vieram clássicos como “Pedra, Flor, Espinho”, “Política Voz”, “Tão Longe de Tudo”, “Bete Balanço”, “Meus Bons Amigos”, “Ponto Fraco” e a versão de Raul Seixas “Tente Outra Vez”.

Frejat anuncia que irão tocar uma música que pouco entrou no repertório pela “bronca” que tinham dela. Ele refere-se a “Eu Queria Ter Uma Bomba”, canção que foi gravada pelo Barão ainda com o Cazuza e que, quando foi anunciada a saída do cantor em 1985, foi colocada como sendo da carreira solo dele.
Vieram outras: “O Tempo Não Para”, “Quem Me Olha Só”, “Down em Mim”, “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” (com vídeo de Cazuza dividindo o vocal com Frejat), “Codinome Beija-Flor”, “Por Você” e uma sequência de versões que foram sucesso na voz do Barão — “Amor, Meu Grande Amor”, “Vem Quente que Eu Estou Fervendo” e “Malandragem Dá Um Tempo” (no “Álbum”, de 1996).
“Torre de Babel”, “Declare Guerra”, “Cuidado” e “Não Me Acabo”, uma sequência para os fãs da banda (talvez não tão conhecida para quem não é fã). A versão de “Quando o Sol Bater na Janela do seu Quarto” da Legião e “Puro Êxtase” fecharam a primeira parte do show.
Com violão e percussão, os quatro Barões voltam para o primeiro disco, cantando “Bilhetinho Azul”. “O Poeta Está Vivo”, “Porque a Gente é Assim” e “Pro Dia Nascer Feliz” levam o público à loucura. Fim.
O show conta com uma estrutura visual atrativa, com imagens dos quatro a todo momento e vídeos antigos. Um repertório muito bem escolhido, com prioridade para as versões originais, dando mais saudosismo. Valeu, Barão!

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