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Por que uma música nova pode parecer uma velha conhecida?

22 artistas mostram como referências conhecidas podem ganhar outros caminhos

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ouvir música é um processo de aprendizado, onde mesmo sem formação musical, ouvintes desenvolvem sensibilidade para padrões musicais familiares.
  • A familiaridade com uma música inédita não se deve ao reconhecimento direto, mas sim à exposição prévia a certas relações entre sons.
  • Estudos mostram que o prazer musical está na relação entre expectativa e surpresa, não apenas na confirmação de previsões.
  • As faixas selecionadas ilustram como referências conhecidas podem ser transformadas, criando novas experiências musicais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Anos de escuta criam expectativas sobre ritmos, timbres, harmonias e estruturas, mesmo diante de uma música ouvida pela primeira vez Inteligência Artificial/GPT image 2.5

Você coloca uma música para tocar pela primeira vez. Antes de o refrão chegar, talvez já espere que a melodia volte, que determinado acorde encontre uma resolução ou que a bateria cresça junto com a voz. Às vezes a previsão se confirma. Em outras, a música muda de direção. Mesmo sem conhecer aquela composição, parte da linguagem usada nela já pode ser familiar.

Isso acontece porque ouvir música também é uma forma de aprendizado. Não é necessário estudar teoria musical para perceber relações que se repetem entre acordes, melodias, ritmos e estruturas.

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Pesquisas em cognição musical mostram que ouvintes sem formação específica desenvolvem, pela exposição cotidiana, sensibilidade às regularidades do sistema musical ao qual estão acostumados. Esse conhecimento é implícito: a pessoa pode não saber explicar por que espera determinado acorde ou resolução, mas ainda assim cria expectativas sobre o que provavelmente virá depois.

É uma diferença importante. A familiaridade aqui não significa conhecer aquela música e nem simplesmente preferir o gênero ao qual ela pertence. Significa já ter ouvido música suficiente para reconhecer certas relações entre sons.

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Uma faixa pode ser completamente inédita e, mesmo assim, apresentar uma progressão, uma levada, uma estrutura, um timbre ou uma maneira de cantar que encontra referências acumuladas pelo ouvinte ao longo dos anos.

A graça começa justamente quando a composição mexe com essas previsões. Em um estudo publicado na Current Biology em 2019, pesquisadores analisaram cerca de 80 mil acordes de músicas das paradas da Billboard e investigaram a relação entre expectativa e prazer.

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As avaliações mais altas apareceram quando um contexto relativamente previsível recebia um acorde surpreendente e também quando, diante de maior incerteza, surgia um acorde esperado. Em outras palavras, o prazer não dependia simplesmente de acertar ou frustrar a previsão, mas da relação entre aquilo que o ouvinte esperava e aquilo que a música efetivamente entregava.

É a partir dessa experiência que reuni os 22 fonogramas desta lista. Algumas faixas despertam associações com bandas ou décadas específicas. Em outras, o reconhecimento aparece numa levada, num timbre, numa combinação de instrumentos ou numa maneira de cantar.

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Essas referências ajudam a localizar musicalmente cada trabalho, mas o interesse está principalmente no que acontece depois: a mudança de clima, a interpretação vocal, a entrada inesperada de outro instrumento ou alguma combinação capaz de levar aquela linguagem conhecida para outro lugar.

1. MILAN - Mannequins

Rock alternativo / República Tcheca

A guitarra de abertura tem uma textura que apresenta muito bem o rock de Milan. Há traços de rock industrial e daquele encontro entre rock alternativo e nu metal do início dos anos 2000, com referências que lembram Evanescence e Papa Roach. A interpretação de Elsbeth Rehder, a EHLE, acrescenta algo de indie pop a essa base mais pesada, e essa combinação é o ponto mais interessante da faixa.

A produção equilibra os instrumentos e preserva a agradabilidade da voz, enquanto a letra questiona a troca dos sonhos pelas aparências de sucesso. No clipe, a coreografia amplia essa aproximação entre peso e linguagem pop.

2. 43DUO - Tardinha

Rock alternativo / Brasil

Tardinha tem uma assinatura artística muito clara. A aspereza da voz passa pelo punk e pelo hardcore, enquanto os instrumentos eletrônicos e acústicos exploram uma estética oitentista, experimental e cheia de humor. Gosto desse encontro entre uma canção festiva e um refrão mais velado, introspectivo, um pouco mais escuro.

A mixagem participa da personalidade do trabalho, com sujeira, timbres estourados e agudos de bordas aveludadas, num caos controlado que lembra mixagens em mesa Neve.

O videoclipe acompanha essa proposta com atuação, animação e fotografia de sabor Polaroid. O resultado tem diversão, densidade e escolhas muito particulares de som e imagem.

3. MANILA - Tou Mal

Indie pop / Portugal

A guitarra swingada de Tou Mal é um dos melhores convites da faixa. O timbre tem presença e combina com uma voz de corpo, brilho e textura aveludada, num encontro de indie pop, jazz e soul que funciona muito bem.

MANILA dá uma forma dançante a uma canção de caráter confessional, e essa convivência entre balanço e vulnerabilidade ajuda a definir sua personalidade.

Um dos destaques do arranjo é como guitarra e voz se completam dentro dessa proposta. No videoclipe, a estética caseira, como filmagens em VHS, prolonga a intimidade que a música apresenta, com uma linguagem coerente com o trabalho.

4. LOS HERMANOS DEL ALMA - Movimiento De Caderas - Original Mix

Música afro-cubana / Cuba

O ambiente caribenho e festivo de Movimiento De Caderas pode aproximar tanto ouvintes de salsa quanto de samba, bossa e até brega. Los Hermanos del Alma fazem essas referências latinas conviverem numa gravação dançante, com personalidade e boa definição dos vários instrumentos de percussão e cordas.

Um dos momentos mais agradáveis é a passagem solista de guitarra, com fraseado jazzístico e timbre aveludado. Ela acrescenta uma cor particular ao balanço coletivo e merece atenção no meio da festa.

O clipe combina imagens reais e animação, prolongando o ambiente festivo dessa conversa entre diferentes tradições musicais.

5. BAM RIGBY - Silhouette

Pop rock / Brasil

A introdução de Silhouette me lembra U2, e o jeito de cantar de Bam Rigby se aproxima em alguns momentos de Bono. A composição tem proporção de pop rock de arena e uma familiaridade imediata para quem gosta de Coldplay e Imagine Dragons.

Os backing vocals estão entre os detalhes mais bem resolvidos, explorando os lados da gravação e valorizando as harmonias. A quebra do arranjo, que conduz a uma nova seção, foi uma ótima escolha para renovar a atenção durante a escuta.

A mensagem de perseverança encontra uma forma expansiva nessa interpretação, com boas escolhas de bateria e de vozes de apoio que dão caráter à construção.

6. EVOLEMA - El Fin

Post-grunge / Chile

A guitarra com tremolo, o timbre e a atmosfera de El Fin me remetem a Silverchair e, em alguns momentos, a Days of the New. Evolema trabalha essa linguagem de post-grunge com um refrão memorável e uma história que dá dimensão pessoal à canção.

Escrita por Rolo em 2001, ela trata do medo de perder alguém e da possibilidade de o amor ultrapassar a morte. O clipe incorpora imagens reais da banda nos tempos de escola e homenageia Felipe Iturriaga, amigo e fundador que faleceu em 2014. A sonoridade reconhecível dos anos 1990 acompanha, assim, uma memória concreta de quem viveu essa história.

7. ARI FRASER - Own Me

Pop eletrônico / Estados Unidos

O violino muda o caráter de Own Me e cria uma combinação muito interessante, quase uma eurodance atravessada por uma canção de ambiente campestre. Os instrumentos acústicos convivem bem com a eletrônica, enquanto os graves dão força a uma faixa viva e movimentada.

Ari Fraser tem um timbre agradável e controle da interpretação, que cresce quando a melodia alcança notas mais altas. Esse percurso vocal é um dos melhores momentos da gravação.

A letra aborda a recuperação da autonomia depois de uma relação de controle emocional, e a união entre violino, base eletrônica e voz dá uma expressão particular ao assunto.

8. JOSÉ CÂNDIDO - Saudade

Folk e MPB / Brasil

A viola caipira funciona quase como um violão folk e dá muita personalidade a Saudade. José Cândido reúne esse toque rural a uma voz de timbre agradável e a uma percussão que me lembra o movimento das ondas do mar.

É uma canção orgânica, rústica, mas um gostoso exemplo de música Polaroid, estética que também aparece no clipe feito a partir de imagens impressas e trabalhadas à mão em slow motion. Vejo uma boa aproximação com ouvintes de Zé Geraldo, Lenine e Marcelo Jeneci.

O tratamento da saudade como uma presença que continua dentro de quem a sente ganha uma assinatura própria nessa relação entre viola, ritmo e imagem.

9. SIERRA LEVESQUE - Undermined

Pop rock / Canadá

Sierra Levesque traz atitude para um pop rock que encosta no metal e encontra espaço para um solo com bastante hard rock. As pausas inesperadas estão entre as melhores escolhas da gravação, interrompem o percurso e valorizam a maneira como a canção retoma seu impulso.

O timbre vocal tem personalidade, e a interpretação combina com uma letra de reação a mentiras e à experiência de ser subestimada. Há ousadia nesses recortes do arranjo.

As referências são reconhecíveis, mas a postura de Sierra e a forma de conduzir as entradas dão uma assinatura própria à faixa.

10. TEAM A!MS - Wait What With ZieZie & Ramz Feat. Liilz & Brodie

Hip-hop / Reino Unido

A personalidade de Wait What aparece principalmente nas vozes. A!MS, ZieZie, Ramz, Liilz e Brodie alternam flows que se complementam, com passagens rápidas e outras de cadência mais marcada. Essa troca muda a dinâmica da faixa e torna cada entrada interessante, preservando o swing do conjunto.

É uma boa demonstração de quanto a interpretação pode individualizar uma base reconhecível do rap. A atitude vocal e o encaixe das métricas são os pontos que mais me chamam a atenção.

O videoclipe em preto e branco acompanha esse trabalho com fotografia cinematográfica e uma apresentação visual que valoriza a presença dos artistas.

11. KEN OKADA GROUP FT. YOYOKA - Last Serenade

Jazz fusion / Estados Unidos

A levada de samba de YOYOKA dá impulso a um jazz fusion com forte presença latina. O saxofone de Ben Torres aparece com brilho, swing e um solo muito bem conduzido, enquanto a guitarra de Hristo Vitchev traz um timbre quente, levemente saturado, quase blues. A definição dos instrumentos e da profundidade da gravação são bem agradáveis, e permitem acompanhar essas personalidades em conjunto. Em certos momentos, a composição se aproxima do jazz cubano. “Last Serenade” reúne diferentes escolas musicais com fluidez e encontra uma identidade própria nessa conversa entre o balanço da bateria, o fraseado do sax e a temperatura da guitarra.

12. JI BLUE - 景色

Pop alternativo / Japão

A melodia tem carisma e o refrão é daqueles que se acomodam rapidamente no ouvido. JI BLUE trabalha um pop alternativo bastante dançante, com elementos de hip-hop, rock e dance pop, numa construção que combina bem com as imagens de futebol do videoclipe.

O que chama a atenção é a convivência entre o acabamento polido e as texturas mais sujas que aparecem em pontos da gravação. Esse contraste dá relevo ao arranjo e assinatura própria a proposta. As mudanças de ritmo do vídeo acompanham a movimentação da faixa, reforçando a sensação de uma canção feita para ser cantada em coro.

13. BLACK DOOR 74 - Emerald Lake

Folk / Estados Unidos

O violão limpo e suave acompanha uma melodia delicada, com aquela proximidade de uma canção tocada dentro de casa. Chamo essa impressão de música Polaroid: a textura de grãos da gravação dá um caráter artesanal a esse folk bastante sensível. É justamente essa combinação entre suavidade e aspereza que cria uma atmosfera própria.

A origem também merece atenção. Emerald Lake existia como uma canção escrita por um personagem de um conto de Rigo, colaborador do projeto, e ganhou uma gravação real. Literatura e música se encontram numa faixa que convida a uma escuta próxima, quase de um pequeno círculo de amigos.

14. MOON CONSTRUCTION KIT - Down The West Coast

Pop psicodélico / Suíça

Há um cheiro de Beatles, de Led Zeppelin em sua fase mais folk, de Joni Mitchell e Fleet Foxes nessa gravação de Moon Construction Kit. A sensação vintage vem acompanhada de uma construção que soa contemporânea, especialmente no tratamento da voz e nos espaços criados pela reverberação.

Há uma agradável textura rústica, como se a canção tivesse passado por uma fita magnética desgastada, algo que apreciadores de música valorizam muito. As harmonias vocais acrescentam um clima de inclinação psicodélica. As referências aparecem reunidas sob uma direção pessoal, com uma atmosfera vocal que dá unidade à composição e vontade de permanecer nela.

15. RÚNAR EFF - No Need To Run

Southern rock / Islândia

O riff de guitarra junto do violão já dá presença à abertura de No Need To Run. A faixa cresce quando a voz sobe e as guitarras ganham peso, levando aquele início mais folk para uma região entre o southern rock e o stoner.

A gaita acrescenta um charme blues que combina muito bem com o timbre encorpado e aveludado dos graves de Rúnar Eff. Nos agudos, ele assume uma textura de rock que chega a se aproximar do metal. Essa mudança de registro é um dos grandes atrativos da interpretação e dá personalidade ao percurso entre a familiaridade acústica e a pressão das guitarras.

16. ERIK SCHOUTEN - The Leaving

Americana / Estados Unidos

Violão e piano apresentam a intimidade de The Leaving, uma canção sobre a experiência dos pais quando os filhos crescem e seguem suas próprias vidas. Erik Schouten sustenta esse assunto com uma interpretação sensível, e a voz feminina que entra no refrão acrescenta delicadeza ao dueto.

O arranjo trabalha com suavidade uma construção rica em sensações. Aos poucos, aparecem guitarra e uma bateria suave, concentrada nos tons, quase tribal, revelando quantos detalhes cabem naquela aparente simplicidade.

A linguagem da Americana, com folk, pop e traços de gospel, encontra nesse crescimento cuidadoso uma forma muito bonita de acompanhar a despedida.

17. AMENAZAR - Here For You

Rock alternativo / Estados Unidos

A voz levemente rouca de Here For You circula entre folk rock, surf rock e post-grunge, com um sabor de fim dos anos 1990. As guitarras sujas, rasgadas e molhadas combinam muito bem com essa interpretação e ajudam a definir o caráter da banda.

Um dos melhores pontos está na maneira como os ritmos se desenvolvem ao longo da gravação, fazendo a canção evoluir com coesão. A letra trata da tentativa de permanecer próximo de alguém apesar da distância e das separações impostas pela vida. Amenazar encontra nessa combinação de timbres e mudanças rítmicas uma maneira própria de conduzir um assunto reconhecível.

18. WOLF RICHARDS - Lapa Sexta À Noite

Música eletrônica instrumental / Brasil

O looping de bossa nova no violão de nylon oferece um ponto de reconhecimento para uma faixa que logo amplia o caminho. Wolf Richards reúne eletrônica, guitarra, jazz, samba, trompete e um espírito de drum and bass numa miscelânea muito bem construída.

O acerto está na maneira como esses elementos convivem e formam uma personalidade difícil de colocar numa prateleira. A passagem de quebra do arranjo renova a atenção e é um dos melhores momentos da composição. A familiaridade do violão ganha outro contexto diante da pressão rítmica e dos cruzamentos instrumentais. É uma música ousada, com detalhes suficientes para recompensar várias audições.

19. CALEB WHEELER CURTIS - You Can’t Just Keep The Music

Jazz instrumental / Estados Unidos

Caleb Wheeler Curtis e o pianista Orrin Evans constroem um diálogo cheio de groove e swing, com Curtis no stritch, um saxofone alto de corpo reto. A gravação dispensa seção rítmica, e o movimento nasce da conversa entre os dois instrumentos.

Em alguns momentos, a composição vai às raízes do jazz; em outros, as quebras e a imprevisibilidade me fazem pensar em caminhos também explorados pela MPB. Há criatividade, domínio de composição e virtuosismo na forma de renovar esse encontro.

É o tipo de música que, diante de tanta canção fast-food, me dá a sensação de uma salada que chega para limpar o organismo.

20. ANDREAS PAOLO PERGER - Parky Knack

Jazz experimental / Áustria

Parky Knack começa com uma leitura quase pop e depois toma uma direção bem mais experimental. Essa mudança é o grande trunfo da peça de Andreas Paolo Perger, gravada no fim dos anos 1990.

A guitarra elétrica solo, sem efeitos, concentra o interesse na execução, na dinâmica e nas texturas que o músico extrai do instrumento. A passagem entre o início acessível e o desenvolvimento menos previsível revela controle e criatividade.

Vale acompanhar o momento em que a familiaridade inicial cede espaço à curiosidade. É uma boa oportunidade de conhecer um guitarrista cuja maneira de construir a peça convida o ouvinte a avançar além do caminho esperado.

21. CHARLES BECKER - Love Is Not So Far Away

Jazz pop / Estados Unidos

Charles Becker combina uma estrutura de piano bastante jazzística com melodia e timbres de acesso pop. Algumas frases me lembram o rock alternativo de Placebo, uma aproximação pouco óbvia que funciona muito bem dentro da composição.

O timbre vocal é outro destaque, ajustado ao groove e ao caráter da faixa. Na segunda seção, a canção muda de ambiente e me remete a Paul McCartney & Wings, com mais balanço e um toque de funk.

Gosto especialmente dessa transformação. Ela revela o cuidado com o desenvolvimento musical e dá personalidade a uma faixa capaz de conversar com públicos de referências distintas.

22. JISELLE & SUMMER CAKE - Circle In Me

R&B / Coreia do Sul

O baixo tem um fraseado muito agradável e estabelece a base de R&B e soul dessa colaboração entre Jiselle e SUMMER CAKE. As vozes apresentam delicadeza e ganham mais corpo no refrão, numa mudança que amplia a dinâmica da interpretação. É um pop contemporâneo com uma textura ligeiramente vintage, bem ajustada à tensão entre saudade e orgulho que atravessa a canção.

O encontro faz parte do projeto Girl’s Hood, criado a partir da aproximação entre as duas artistas. A familiaridade melódica facilita a entrada, enquanto o contraste entre a delicadeza vocal e o corpo do refrão dá um motivo concreto para permanecer na faixa.

Uma música inédita pode soar familiar quando encontra padrões que o ouvinte aprendeu a reconhecer ao longo de anos de escuta. Inteligência Artificial/GPT image 2.5

Quando uma música inédita parece uma velha conhecida, não significa necessariamente que já ouvimos algo igual. Podemos estar reconhecendo relações musicais que aprendemos depois de anos escutando outras canções. A gravação é nova, mas algo na sonoridade já faz parte da nossa memória de ouvinte.

É nesse terreno que as 22 faixas desta seleção se tornam interessantes. O U2 percebido na introdução de Bam Rigby, o cheiro de Beatles em Moon Construction Kit, a aproximação entre a viola caipira e o folk em José Cândido ou o encontro entre eletrônica e violino em Ari Fraser funcionam como pontos de referência. Cada gravação precisa, depois, sustentar seu próprio interesse nas escolhas que faz com esse material.

Por isso comparações do tipo “se você gosta de...” ainda podem ajudar na descoberta musical. Elas indicam ao ouvinte uma linguagem que ele provavelmente sabe reconhecer.

A parte realmente interessante começa quando damos play e descobrimos o que aquele artista fez de diferente dentro de um território que, por alguns segundos, parecia já termos percorrido.

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