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Maysa, a campeã das gafes. Nelson Gonçalves em apuros

Ainda sem se adaptar à ideia de que sua imagem chegava aos lares brasileiros, os artistas se comportavam como se estivessem no rádio e enlouqueciam técnicos e produtores. 

Testemunha da História|por Gilson Silveira

Maysa se apresenta em um dos programas da TV Record
Maysa se apresenta em um dos programas da TV Record Maysa se apresenta em um dos programas da TV Record

Maysa, já famosa, era uma das campeãs de gafes. Ela saía do bar direto para os estúdios da TV Record e, quanto mais bebia, melhor cantava. Um dia exagerou e quase não conseguia ficar de pé, para desespero do produtor Eduardo Moreira.

Poucos minutos antes de ela se apresentar ao vivo, Moreira teve que apelar para o improviso. Amarrou a cantora numa cadeira, cobriu com um imenso xale espanhol e pôs o programa no ar.

Sentada, presa por cordas, Maysa cantou divinamente seus sambas-canções. De longe, a comportada Inezita Barroso, que estava na atração seguinte, não acreditava no que estava presenciando.

Mas Maysa não era a única a dar trabalho no Canal 7. Naquela época, os homens só podiam cantar vestidos a rigor, uma regra levada a sério por Paulo Machado de Carvalho. No programa Technicolor, musical da emissora que ia ao ar todos os sábados à noite, Nelson Gonçalves era um dos convidados para cantar seu grande sucesso A Volta do Boêmio e apareceu sem o traje obrigatório. Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, que cuidava da direção da atração naquela noite, chamou o cantor e ordenou: “O senhor não vai cantar aqui. Porque aqui é obrigatório traje de gala”.

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Nelson, como a maioria dos gagos, só não gaguejava quando cantava, porém, quando estava enfurecido: “Cococomo? Co...co...com que... que... que... quem o se... se... se... senhor pe... pe... pensa que tá... tá...taá...falando?”.

Logo recebeu a resposta: “Com o Tuta, diretor da TV Record.

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Nelson Gonçalves
Nelson Gonçalves Nelson Gonçalves

Metralha, como era apelidado por causa da gagueira, saiu do camarim, pegou o carro e foi do bairro do Aeroporto, na zona sul, para a sede da Rádio Record na rua Quintino Bocaiúva, centro de São Paulo. Ele queria falar com Paulinho de Carvalho, filho do fundador da TV Record, de quem era amigo havia muito tempo. Mais calmo, tinha conseguido controlar a gagueira: “Paulinho, um moleque atrevido me mandou embora da TV Record. Um baixinho de óculos”.

Fazendo de desentendido, Paulinho perguntou: “Lembra o nome dele? Por acaso é Tuta?”

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Certo de que tinha achado o petulante funcionário para denunciá-lo, foi rápido: “Isso mesmo! É esse o nome do desaforado!”.

E Paulinho acabou com a alegria do cantor e já foi rebatendo: “É o meu irmão!”.

Nelson voltou a gaguejar desesperado. “Desculpa. Tô f***, então”.

* com informações do livro “O Marechal da Vitória – Uma história de rádio, TV e futebol”, de Tom Cardoso e Roberto Rockmann, ed. A Girafa, 2005.

No próximo post: Caymmi sumiu!

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