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Patricia Lages
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Análise: Seus direitos ou suas ilusões?

CLT foi instituída com o objetivo legítimo de garantir condições mínimas de trabalho, mas hoje, é apenas isso que tem conseguido: o mínimo

Patricia Lages|Do R7

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Carteira de trabalho
Carteira de trabalho Pedro Ventura/GDF/Divulgação/Agência Brasília

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi criada em 1943 com o intuído de regulamentar as relações trabalhistas. A ideia de implementar uma legislação para salvaguardar os direitos do trabalhador foi até positiva, porém, atualmente, ela mais atrapalha do que ajuda.

Em um país onde quase 97% das empresas são micro e pequenas (MPEs), e respondem por 54% dos empregos formais, está longe de ser justo que tanto as micro quando as multinacionais tenham de cumprir as mesmas regras. O impacto da CLT nas MPEs é totalmente diferente do que ocorre em uma empresa de grande porte. E, como sempre, os mais prejudicados pelo peso de um sem-fim de regras são justamente os que deveriam ser beneficiados.

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Se uma microempresa tem condições de contratar um único funcionário, vai pensar duas vezes antes de registrar uma mulher que pretende ter filhos, pois arcar com uma licença maternidade pode inviabilizar o negócio. Já para uma grande corporação, o impacto do benefício é infinitamente menor.

Aliás, diga-se de passagem, muitas empresas grandes têm oferecido cada vez mais benefícios a seus colaboradores, porém, com salários menores. Isso porque esses “penduricalhos” – além de custarem muito menos do que salários e ônus – ainda podem ser renegociados ou até suspensos. Ou seja, os grandes conseguem driblar a rigidez da CLT, enquanto os pequenos mal conseguem cumpri-la.

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Mas, fora isso, existe o fato de que alguns “direitos”, como 13º salário, abono de férias e FGTS não passam de ilusões. A questão é muito simples: se uma empresa pode pagar R$ 36 mil por ano para um funcionário, não vai dividir o valor por doze meses e pagar um salário de R$ 3 mil. O cálculo irá incluir todos os “benefícios” anuais – e os possíveis gastos com uma ação trabalhista – e só então será calculado o salário mensal.

E por conta da incidência de ônus de mais de 100%, o governo fica com metade do que a empresa poderia pagar ao colaborador. Resumindo: a empresa gasta R$ 3 mil por mês, mas para o bolso do funcionário irão menos de R$ 1.200. Sem falar que, sobre o salário, mais impostos serão descontados diretamente do empregado. Nesse mar de leis e tributos o primeiro que se afoga é o próprio trabalhador, afinal de contas, quando uma empresa quebra, ele perde a única renda e toda a cadeia produtiva fica comprometida.

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É fácil entender o porquê de o governo se meter tanto na iniciativa privada. Os "direitos" dos trabalhadores garantem receita a um Estado que, em quase tudo, é ineficiente, caro e não devolve aos cidadãos nem uma fração do que é pago em impostos. Enquanto as pessoas não entenderem que o problema deste país não são os "empresários malvadões", mas sim, um sistema que beneficia a si próprio, não sairemos do lugar.

Para que o cruzeiro seja bem-sucedido e todos cheguem sãos e salvos ao seu destino é preciso compreender que patrões e funcionários estão no mesmo navio e que quem está fazendo furos no casco – para vender o conserto – é o governo. Neste momento de crise é necessário que haja união entre os aliados corretos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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