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Patricia Lages

Vídeos curtos, típicos de redes sociais, desligam áreas do cérebro relacionadas ao autocontrole

Pesquisa mostra que assistir vídeos curtos reduz atenção, autocontrole e tomada de decisões

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo da Universidade de Zhejiang revela que vídeos curtos reduzem a atividade cerebral ligada ao autocontrole e à atenção.
  • Participantes que assistiram a vídeos curtos "curtidos" mostraram maior redução em áreas cerebrais importantes para decisões e comportamento consciente.
  • Metade dos brasileiros passa mais de três horas diárias assistindo a esses vídeos, levantando preocupações sobre efeitos prolongados no cérebro.
  • A pesquisa sugere que o hábito de consumir vídeos curtos pode não ser tão inofensivo quanto parece, afetando a capacidade de decidir parar.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Pesquisa aponta que metade dos brasileiros estudados passa mais de 21 horas por semana assistindo vídeos curtos Imagem gerada por IA via ChatGPT

Um estudo publicado na revista científica NeuroImage, conduzido por pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, mostra que perder a noção do tempo assistindo a vídeos curtos tem explicação.

A atividade cerebral observada durante a exposição a esses conteúdos ajuda a entender por que é tão difícil largar o celular depois de entrar no looping da rolagem.


Os cientistas reuniram 56 jovens adultos, com idade média de 23 anos, e os colocaram para assistir a vídeos curtos enquanto passavam por exames de ressonância magnética funcional.

Os vídeos que os participantes assistiam até o fim foram classificados como “curtidos”, enquanto os que eram abandonados antes da metade foram classificados como “não curtidos”.


Os vídeos “curtidos” provocaram uma redução mais intensa da atividade em duas regiões do cérebro. Uma delas ligada ao monitoramento de decisões, ao esforço e ao autocontrole, e a outra relacionada à atenção, ao planejamento e ao controle consciente do comportamento.

Os pesquisadores interpretam os resultados como sinal de que esses vídeos podem colocar o cérebro em um estado mais automático e imersivo, como se ele reduzisse temporariamente o controle consciente do comportamento.


Efeitos dos vídeos curtos no Brasil

Uma pesquisa divulgada pela Kwai for Business revela que metade dos brasileiros participantes passa mais de três horas por dia consumindo vídeos curtos nas redes sociais.

Isso representa perder quase um dia inteiro por semana consumindo esse conteúdo. Se, ao assistir a esses conteúdos, ocorrem reduções em atividades cerebrais tão importantes, resta saber o que a exposição repetida a esse estado por períodos tão longos, como no Brasil, pode já estar causando ao cérebro.


O estudo de Zhejiang não afirma que esse hábito provoque danos permanentes, mas também não responde o que acontece quando a exposição deixa de ser pontual e passa a ocupar tanto tempo, como acontece no Brasil.

Ainda assim, a descoberta coloca em xeque a ideia de que passar horas nesse tipo de conteúdo é apenas uma forma inofensiva de passar o tempo. Talvez a decisão consciente de fechar o aplicativo precise ser tomada antes que se perca não apenas tempo, mas também a capacidade de decidir quando parar.

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