Blush que gruda no celular: maquiagem se consolida como acessório de moda
Nova marca chega ao mercado apostando em produtos para usar, exibir e até colecionar

Se antes a maquiagem era usada somente para realçar a beleza ou disfarçar incômodos e ficava escondida em nécessaires, hoje ela extrapola a função cosmética.
É nesse cenário que surge o conceito que ganhou força dentro da indústria da beleza nos últimos anos: o da wearable beauty, ou “beleza para vestir”, que viralizou com o boom dos glosses como chaveiro.
A ideia parte do princípio de que um cosmético não precisa ser apenas funcional; ele também pode ser acessório, item de estilo e objeto de desejo.
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A tendência aparece de forma explícita na estreia da MBOOM, criada pela empresária Flávia Montebeller. A label, antes conhecida somente como responsável pela criação de marcas como Fran by Franciny Ehlke, Karen Bacchini Beauty, PAM! by Pamela e Enredo by Brunna Gonçalves, agora apresenta um portfólio próprio de 12 produtos.
“A MBOOM nasceu com o compromisso de transformar a relação da consumidora com a maquiagem. Hoje, a performance continua sendo essencial, mas ela já não é suficiente sozinha. O produto precisa ter identidade, criar conversa, gerar desejo e fazer parte do estilo de vida de quem usa”, afirma Flávia.
O blush que vai no celular
O principal exemplo dessa proposta é o “Mag Soft”, um produto multifuncional para rosto e lábios que pode ser acoplado ao celular por meio de um sistema magnético (Magsafe).
A novidade é uma evolução do criado por Hailey Bieber com a “Lip Case”. Agora, além de estarmos falando de uma marca nacional, o produto é multifuncional, mais acessível e mais versátil.
Disponível em três cores, o item combina blush, lip tint e sombra em uma única fórmula com acabamento soft matte.
Quando maquiagem encontra o universo dos blind boxes
Outro movimento interessante dentro da categoria é a influência crescente dos colecionáveis.
Inspirada no sucesso global dos blind boxes (caixas-surpresa que escondem o item adquirido até o momento da abertura) visto com a febre dos Labubus, a marca criou a “Secret Boom Box”, apresentada como a primeira blind box de maquiagem desenvolvida no Brasil.
Disponível em quatro versões de produtos labiais (Lip Freeze, Lip Candy, Lip Hot e Lip Choco), a proposta é simples: transformar a compra em uma experiência de descoberta.

O formato, que já domina mercados como brinquedos, decoração e cultura pop, conversa diretamente com consumidores mais jovens, acostumados a valorizar surpresa, exclusividade e compartilhamento da experiência nas redes sociais.
Beleza, moda e pertencimento
Por trás dessas iniciativas existe uma mudança cultural importante: o crescimento da chamada economia da identidade.
Mais do que adquirir um produto, consumidores buscam sinalizar pertencimento a determinados universos estéticos, comportamentais ou culturais.
“A nova consumidora não busca apenas performance. Ela quer produtos que façam parte da sua rotina, mas também da sua identidade visual, do seu comportamento e da forma como ela se expressa no mundo digital e físico”, afirma Flávia Montebeller.

Esse movimento ajuda a entender por que tantas marcas de beleza passaram a investir em embalagens colecionáveis, personagens próprios e experiências que vão além do produto em si. A ideia é criar vínculos emocionais e transformar o ato de consumir em uma forma de expressão pessoal.
No caso da MBOOM, esse papel é ocupado pelo personagem M.Boomie, criado para funcionar como símbolo da comunidade construída em torno da marca e reforçar a conexão emocional com os produtos.
Embora fórmulas, texturas e desempenho continuem sendo fundamentais, a indústria parece caminhar para uma nova fase em que experiência, desejo e narrativa têm papel cada vez mais relevante.
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