Ruggeri revela a elegância e a longevidade do Prosecco de Valdobbiadene
Quatorze anos depois da colheita, aquele vinho mostrava quanto ainda temos a descobrir sobre a capacidade de envelhecimento dos grandes espumantes
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Um Prosecco da safra 2012, servido em 2026, poderia despertar dúvidas sobre o que ainda teria a oferecer. Na taça, porém, o Vecchie Viti da Ruggeri estava absolutamente vivo. A fruta continuava presente, o frescor chamava a atenção e as bolhas permaneciam finas e constantes.
Quatorze anos depois da colheita, aquele vinho mostrava quanto ainda temos a descobrir sobre a capacidade de envelhecimento dos grandes espumantes de Valdobbiadene.
Foi uma das experiências que mais me impressionaram na masterclass da Ruggeri da qual participei em 19 de outubro, na sede do Gambero Rosso, em Roma. Entre os vinhos degustados, o novo Revén 2025 e o Giustino B. 2016 também se destacaram.
Em diferentes momentos de evolução, os três apresentaram uma combinação de elegância, acidez, fruta e delicadeza das bolhas que merece atenção para além do público que já aprecia Prosecco.
A degustação colocou em discussão uma ideia ainda bastante difundida: a de que o método Charmat produziria apenas espumantes simples, destinados ao consumo imediato.
A qualidade daqueles vinhos demonstrava que esse método pode alcançar um nível de excelência comparável ao de grandes espumantes elaborados pelo método clássico, embora com identidade e expressão próprias.

Para entender o que havia naquelas taças, vale começar pelo lugar de onde vieram as uvas.
Prosecco é uma denominação de origem, e a Glera é sua principal variedade. Dentro desse universo, o Prosecco DOC abrange uma extensa área de nove províncias do Vêneto e do Friuli-Venezia Giulia, no nordeste da Itália.
Já o Conegliano Valdobbiadene Prosecco Superiore DOCG nasce em uma área histórica delimitada de 15 municípios, nas colinas da província de Treviso. Valdobbiadene, portanto, acrescenta ao nome uma origem muito mais precisa, associada a regras de produção mais restritivas.

Nessas encostas, a inclinação dos terrenos torna o cultivo trabalhoso e exige intensa participação humana. Exposição solar, altitude e diferenças entre os pequenos locais de cultivo contribuem para a diversidade dos vinhos.
A denominação ajuda o consumidor a identificar essa procedência; a qualidade de cada garrafa depende também das escolhas do produtor, da condução dos vinhedos à elaboração.
Foi nesse território que Giustino Bisol fundou a Ruggeri, em 1950. Ao longo das décadas, a vinícola construiu uma relação próxima com os viticultores locais e hoje trabalha com mais de uma centena de fornecedores de uvas, alguns ligados à casa há três gerações.
Essa continuidade permite conhecer as parcelas e acompanhar a matéria-prima de maneira muito próxima. Em 2017, a empresa passou a integrar o grupo alemão Rotkäppchen-Mumm, preservando sua ligação com Valdobbiadene.
O tempo ocupa um lugar importante na filosofia da casa, inclusive em uma categoria frequentemente associada à juventude.
No método Charmat, também chamado Martinotti, o vinho-base passa por uma segunda fermentação em tanques fechados, resistentes à pressão, conhecidos como autoclaves.
As leveduras transformam o açúcar em álcool e gás carbônico; retido no recipiente, esse gás se dissolve no vinho e dá origem à efervescência. Depois, o espumante é filtrado e engarrafado sob pressão. No método clássico, essa segunda fermentação acontece dentro da própria garrafa.
O uso da autoclave favorece a expressão floral e frutada da Glera, mas não determina, por si só, simplicidade ou pouca longevidade. A seleção das uvas, a qualidade do vinho-base, a condução da fermentação e o período de contato com as leveduras fazem diferença.
Na Ruggeri, o trabalho com maturações prolongadas faz parte de uma busca por espumantes com textura, profundidade e capacidade de evoluir.
O Revén 2025 apresenta uma nova expressão dessa proposta. Seu nome vem acompanhado da expressão italiana da colline impervie, referência às encostas íngremes de onde se originam suas uvas. O projeto reúne dez parcelas de alta colina em uma única cuvée, buscando valorizar a contribuição de cada uma.
Elaborado predominantemente com Glera, é um Valdobbiadene Prosecco Superiore DOCG Brut, com aproximadamente 7 gramas de açúcar por litro. A segunda fermentação ocorre lentamente, em pequenas autoclaves, com permanência sobre as leveduras de pelo menos seis meses antes do engarrafamento.
Com aromas de flores brancas, maçã verde, pera e nuances de ervas mediterrâneas, acompanhadas de frescor, textura envolvente e um final longo e sápido. É um vinho que ajuda a perceber como a delicadeza aromática do Prosecco pode conviver com presença e profundidade de boca.
Já o Vecchie Viti 2012 trouxe a dimensão do tempo de maneira particularmente convincente. O rótulo nasce de um projeto dedicado à seleção de uvas de videiras muito antigas, com idades entre 80 e 100 anos. Essas plantas integram um patrimônio vitícola que a Ruggeri procura preservar.
Na garrafa que provei, a idade não havia apagado a fruta nem comprometido a vivacidade. Havia frescor, continuidade das bolhas e uma delicadeza que tornava cada gole prazeroso. Mais do que a surpresa de encontrar um Prosecco de uma safra tão antiga, impressionava a qualidade com que ele havia chegado até ali.
A complexidade do Vecchie Viti também já chamou a atenção da crítica internacional. Ao avaliar a safra 2016 para a revista Decanter, Amy Wislocki destacou a concentração e a estrutura do vinho, atribuindo-lhe 92 pontos. A observação ajuda a situar o perfil desse rótulo, embora a experiência com o 2012 tenha revelado uma etapa de evolução muito mais longa.
Outro momento marcante foi o Giustino B. 2016, Extra Dry, rótulo que homenageia o fundador da vinícola. Com cerca de 17 gramas de açúcar por litro, poderia levar quem se orienta apenas pelo número a esperar uma sensação doce excessiva. Na taça, encontrei um espumante muito equilibrado: a acidez contrabalançava o dulçor e mantinha o vinho fresco e fácil de beber.
Dez anos depois da colheita, harmonizou muito bem com a sobremesa servida naquela ocasião. Também o imaginaria como aperitivo, acompanhado de pequenos bocados salgados. A experiência mostrou como a percepção de doçura depende do conjunto do vinho, especialmente de sua relação com a acidez.
Aqui cabe esclarecer uma confusão frequente dos rótulos: Extra Dry tem mais açúcar que Brut, e Dry tem mais açúcar que Extra Dry. Na classificação utilizada por esses espumantes italianos, Brut tem menos de 12 gramas por litro; Extra Dry, de 12 a 17; e Dry, de 17 a 32. A tradução literal dos nomes pode induzir ao erro. São indicações de estilo, não uma escala de qualidade.
Um Extra Dry pode ser elegante e vibrante, assim como um vinho com menos açúcar pode parecer desequilibrado se lhe faltar harmonia. No Giustino B. 2016, o dulçor estava integrado à fruta, à acidez e à textura. Não pesava no paladar.
Isso significa que qualquer Prosecco pode ser guardado por dez ou 14 anos? A experiência com esses rótulos não autoriza essa generalização. Grande parte da produção é pensada para ser apreciada jovem, quando o frescor aromático está em evidência.
Para evoluir bem, um espumante precisa partir de uvas sadias, colhidas com equilíbrio entre maturação e acidez, e de um vinho-base com consistência. Precisão na elaboração, controle da exposição ao oxigênio, qualidade do fechamento e boas condições de armazenamento também são decisivos.
O contato com as leveduras pode contribuir para a textura e a complexidade, mas nenhum fator isolado garante longevidade. Tampouco a idade das videiras, sozinha, assegura que o vinho envelhecerá bem.
Há ainda uma distinção importante: os 14 anos do Vecchie Viti 2012 são contados desde a safra, não representam necessariamente 14 anos completos em garrafa. A evolução depois do engarrafamento também é diferente da maturação sobre as leveduras durante a elaboração. O que pude comprovar na degustação foi a excelente condição daquela garrafa, tantos anos depois da colheita.
Saí da masterclass com a lembrança muito nítida do frescor do Vecchie Viti e do equilíbrio do Giustino B. A Ruggeri apresentou vinhos que ampliam a conversa sobre Prosecco: de onde vêm suas uvas, como são trabalhadas e até onde podem chegar. Aos 14 anos, aquele 2012 ainda tinha fruta, bolhas e muito prazer a oferecer.
✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp













