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Tempinho Juntos: Dicas de Ingrid Alfaya - R7

Manual para Enzos e Valentinas: por que ser acolhido pelos pais incomoda tanto?

Brincadeira com nomes e seus estereótipos caiu no gosto da internet, mas mexe com os sentimentos de crianças reais

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Nomes viraram expressão para descrever crianças ricas, em geral, de forma pejorativa Imagem gerada por Inteligência Artificial/ChatGPT

Estes dias, um dos comentários no meu post “E se o Brasil perder?”, que falava sobre como ajudar as crianças com a frustração dos resultados na Copa do Mundo, me pegou demais.

“Manual de Enzos e Valentina nº 67″, escreveu o homem, que aproveitou para reclamar da “geração de fracotes que está se criando”. O comentário também teve sua legião de apoiadores e curtidas.


Mas por que será que pais que acolhem e se preocupam com os sentimentos dos filhos incomodam tanto?

Primeiro, que se preocupar com o desenvolvimento emocional de uma criança é tão importante quanto se preocupar com sua integridade física. É nesta fase que moldamos a forma como ela irá lidar com emoções e situações difíceis pelo resto da vida.


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Acolhimento x permissividade

Acolhimento é muito diferente de permissividade. E isso tem que ficar muito claro para os pais que praticam e para as pessoas que julgam.

À primeira vista, os dois parecem iguais porque evitam o discurso de violência e agressividade, mas na prática são muito diferentes e eu vou desenhar aqui embaixo.


Acolhimento x Permissividade
Acolhimento Permissividade
✔️ Reconhece e valida o sentimento. ❌ Evita qualquer desconforto ou frustração.
✔️ Mantém limites claros. ❌ Abre mão dos limites.
✔️ Ensina a lidar com as emoções. ❌ Elimina qualquer emoção mais difícil.
✔️ Demonstra empatia e firmeza ao mesmo tempo. ❌ Prioriza a paz imediata, mesmo que prejudique o aprendizado.

Já falamos aqui que dizer “não” com explicação constrói compreensão. O “não” com carinho e limites consistentes constrói a confiança das crianças.

Toda criança precisa ouvir “não”, ter limites claros e ser tratada com tônus para se sentir segura.


Enzos e Valentinas

Atualmente, os nomes “Enzo e Valentina” são amplamente usados para descrever crianças “mimadas e que são extremamente protegidas pelos pais”.

A brincadeira que mexe com esse estereótipo de infância caiu no gosto da internet e virou expressão para descrever crianças ricas, em geral, de forma pejorativa.

Algo que é muito engraçado quando não é com a gente ou com nosso filho, mas que mexe com os sentimentos de crianças reais.

Por isso, na próxima vez que for usar essa expressão, pense no desenvolvimento emocional alheio. Uma brincadeirinha que parece inocente pode ter um custo alto para alguém.

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