O perigo das redes sociais: pagamento de acordo bilionário pela dona do Facebook e Instagram seria uma confissão?
Sem admitir suas falhas, empresa afirma que se empenha em proteger as crianças em suas plataformas
A Meta concordou em pagar um valor máximo de US$ 16,68 bilhões (cerca de R$ 85,8 bilhões) para resolver ações movidas por 29 Estados norte-americanos. O anúncio do acordo foi feito nesta quarta-feira (27) e gerou um onda de comentários: seria esse acordo uma confissão de que as redes sociais foram pensadas para criar dependência?
Os processos americanos alegavam que a empresa projetou Instagram e Facebook para criar dependência em crianças, enganou consumidores quanto à segurança dessas plataformas e coletou indevidamente dados pessoais de crianças que as utilizavam. A empresa nega qualquer falha, mas topou pagar o acordo para encerrar a disputa e focar no futuro.
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O mercado rapidamente reagiu e as ações da Meta subiram 4,4%. Sabem por quê? Porque essa é uma preocupação real e global: redes sociais afetam a saúde mental da crianças se usadas precocemente e todos nós sabemos disso, inclusive, a Meta.
Mudança de mentalidade social
Esse é um tema recorrente no meu blog e um desafio pessoal da minha maternidade. Como me manter são e saudável um filho que nasceu em um mundo de telas e redes socias?
No começo do ano participei de um evento da própria Meta que reuniu jornalistas e influenciadores para discutir o uso das telas e redes sociais por crianças e adolescentes, além de anunciar melhorias nas plataformas para ajudar no filtros de uso e controle parental.
Uma semana antes o ECA (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente) Digital— que estabelece diretrizes para ampliar a proteção de menores no mundo virtual — entrou em vigor no país.
Senti um certo alívio, parecia que finalmente o governo e as próprias empresas estavam entendendo o desafio que nós, pais e cuidadores, enfrentamos no dia a dia.
O papel da família e o slow scrolling
Apesar de ser um trabalho em conjunto, para mim o principal filtro ainda está dentro de casa. Você precisa saber quais são os interesses do seu filho e o que ele consome offline e online.
É muito urgente entender que delimitar o tempo de uso de tela, estabelecer combinados claros e manter uma presença real são as três armas mais poderosas para garantir a segurança dos seus filhos no mundo virtual.
É com diálogo que se estabelece o primeiro filtro de segurança e, talvez, o mais importante deles. Nada substitui uma conversa.
É nosso dever mostrar que o mundo virtual faz parte dessa geração, e que também pode ser legal se usarmos da maneira certa, mas que nada substituiu a vida real. Aquela quando estamos juntos, falando olho no olho e nos confortando com afeto e presença.
Por isso, encoraje o slow scrolling (consumo lento e intencional de conteúdo online) e traga os assuntos desse consumo para uma conversa com troca presencial.
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